BBA revisa apostas no setor bancário: Santander e Inter são rebaixados, Bradesco vira preferido

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 19 de novembro de 2025

O Itaú BBA atualizou nesta semana suas recomendações para os principais bancos listados, ajustando projeções em meio ao ciclo de crédito de 2025 e às expectativas para 2026. Embora mantenha uma visão construtiva para o setor bancário no próximo ano, a casa adotou postura mais seletiva, rebaixando as avaliações para Santander Brasil (SANB11) e Inter&Co (INBR32), além de manter cautela com Banco do Brasil (BBAS3).

Pelo lado positivo, Bradesco (BBDC4) e Nubank (ROXO34) foram apontados como as preferências do BBA, combinando fundamentos microeconômicos sólidos e um ambiente macroeconômico que tende a favorecer seus modelos de negócios.

Segundo o relatório, Bradesco se destaca como a principal escolha de valor, enquanto o Nubank representa a opção de crescimento.

Nubank: outperform mantido, com preço-alvo de US$ 20

O BBA reforçou a recomendação de outperform para o Nubank, elevando as projeções de lucro para 2025 e 2026 em 8% e 14%, respectivamente, para US$ 3 bilhões e US$ 3,8 bilhões. O preço-alvo para o fim de 2026 passou de US$ 19 para US$ 20.

A instituição destaca o aumento de limites de cartões, maior penetração entre clientes de renda média e alta, benefícios macroeconômicos como isenção de IR e expansão das operações no México. O avanço em parcerias estratégicas — como com a Amazon — também foi citado como vetor de crescimento para a carteira de crédito pessoal.

Bradesco: outperform mantido, preço-alvo de R$ 22

Para o Bradesco, as projeções de lucro para 2025 e 2026 permanecem em R$ 25 bilhões e R$ 29,5 bilhões, enquanto o preço-alvo segue em R$ 22. O BBA vê trajetória consistente de recuperação do ROE, apoiada por ajustes na concessão de crédito, redução de custos de financiamento e ganhos de eficiência em despesas administrativas.

O banco também destacou o desempenho do braço de seguros, que representa cerca de 40% dos lucros e opera com ROE estruturalmente mais alto, em torno de 25%.

Inter&Co: rebaixado para marketperform, preço-alvo reduzido para US$ 10

Após os resultados do terceiro trimestre, o BBA cortou a recomendação para marketperform e reduziu o preço-alvo de US$ 11 para US$ 10. As estimativas de lucro foram revisadas para baixo em 6% e 8%, chegando a R$ 1,3 bilhão e R$ 1,9 bilhão em 2025 e 2026.

Apesar da boa perspectiva de longo prazo, o banco avaliou que a revisão de expectativas compromete a atratividade no curto prazo.

Santander Brasil: rebaixado para marketperform, preço-alvo de R$ 32

O Santander também teve recomendação cortada para marketperform. As estimativas de lucro para 2025 e 2026 foram ajustadas em +1% e -5%, resultando em projeções de R$ 15,4 bilhões e R$ 17,8 bilhões. O preço-alvo permaneceu em R$ 32.

Para o BBA, embora o Santander mantenha boa gestão e ROE sólido, o banco opera com prêmio justo em relação ao valor patrimonial — cerca de 1,3 vez — e enfrenta um ritmo de crescimento mais moderado, além de diversas variáveis que adicionam incerteza ao desempenho futuro.

Banco do Brasil: cautela permanece; marketperform reiterado

O BBA manteve a recomendação neutra para o Banco do Brasil, com preço-alvo de R$ 22. As projeções de lucro caíram 8% para ambos os anos, chegando a R$ 18,6 bilhões e R$ 22,5 bilhões. A casa cita visibilidade limitada para lucros, revisões sucessivas para baixo e deterioração contínua na qualidade dos ativos.

Os analistas destacam que os problemas de crédito se espalharam da agricultura para varejo e PMEs, pressionando o custo do risco e limitando o crescimento da carteira de empréstimos. A desaceleração das margens líquidas de juros também deve impactar a receita bruta.

Ciclo de crédito: 2025 surpreende, e 2026 tende a ser positivo

O BBA avalia que o mercado de crédito em 2025 superou as expectativas iniciais, sustentado por mercado de trabalho forte e inflação mais baixa, o que melhorou o desempenho das linhas de consumo.

Para 2026, a visão geral permanece positiva, embora existam desafios como juros altos e elevado endividamento das famílias. Por outro lado, ampliam-se os fatores favoráveis: isenções no IR, maior liquidez para o financiamento imobiliário e crescimento dos novos consignados privados.


Visão Bolso do Investidor

a leitura do BBA indica um setor bancário em transição, com recuperação gradual da rentabilidade e forte seletividade de preços. O destaque do relatório é a diferença entre bancos com motores claros de crescimento — como Nubank e Bradesco — e aqueles que enfrentam desafios estruturais ou ciclos mais lentos, como Santander, Inter e Banco do Brasil.

Para o investidor, isso reforça três pontos:

1. O setor está melhorando, mas de forma desigual.
Instituições com modelos mais flexíveis e diversificação de receitas tendem a capturar melhor a melhora macroeconômica.

2. Qualidade de crédito será o eixo central de 2026.
A deterioração em varejo e PMEs, citada no BB, será decisiva para diferenciação dos bancos nos próximos trimestres.

3. A assimetria de preços está menor.
Com várias revisões recentes, o setor não parece mais tão descontado quanto meses atrás. O mercado começa a precificar o novo ciclo de lucros.

A análise sugere atenção à disciplina de crédito e à evolução do ROE — fatores que devem guiar as escolhas do investidor em 2026.


Fontes:

  • InfoMoney