Liquidação do Banco Master expõe risco bilionário para fundos previdenciários estaduais e municipais

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 20 de novembro de 2025

A liquidação extrajudicial do Banco Master deve gerar perdas significativas para 18 fundos previdenciários estaduais e municipais que, juntos, aplicaram R$ 1,876 bilhão em letras financeiras da instituição entre outubro de 2023 e dezembro de 2024. As aplicações foram feitas exclusivamente nesse tipo de título, que não conta com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), deixando os investidores expostos em caso de insolvência.

O maior aporte partiu do Rioprevidência — responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de servidores do Estado do Rio de Janeiro — que investiu R$ 970 milhões, representando mais da metade do montante total. Também figuram na lista fundos ligados a estados, capitais e municípios de diferentes portes, incluindo Amapá (R$ 400 milhões), Maceió (R$ 97 milhões), Cajamar (R$ 87 milhões), São Roque (R$ 93,15 milhões), Itaguaí (R$ 59,6 milhões) e Amazonas (R$ 50 milhões). Há ainda aportes menores, entre R$ 1,2 milhão e R$ 40 milhões, provenientes de cidades como Aparecida de Goiânia, Araras, Congonhas, Fátima do Sul, Paulista, Santa Rita d’Oeste e Campo Grande.

Esses fundos são conhecidos popularmente como fundos de pensão, mas, do ponto de vista legal, fazem parte do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS). Diferentemente das entidades fechadas de previdência complementar (EFPC), supervisionadas pela Previc, os RPPS estão sob responsabilidade do Ministério da Previdência e dos tribunais de contas estaduais e municipais. Segundo dados oficiais, existem 2.130 regimes próprios no país.

A exposição concentrada em letras financeiras de um único banco, especialmente sem cobertura do FGC, levanta questionamentos sobre políticas de alocação de risco, governança e compliance adotadas por algumas dessas entidades. Como as carteiras precisam garantir o pagamento de benefícios previdenciários no longo prazo, perdas desse porte podem afetar o equilíbrio atuarial e pressionar governos locais.


Visão Bolso do Investidor

A situação evidencia um ponto central para qualquer investidor institucional ou individual: retorno elevado sem garantia costuma vir acompanhado de risco significativo, principalmente quando a exposição é concentrada em emissores específicos.

No caso dos RPPS, a escolha por títulos sem cobertura do FGC exige ainda mais rigor técnico e supervisão na avaliação de risco de crédito. A liquidação do Banco Master reforça a importância de práticas como diversificação, análise independente, due diligence constante e limites de concentração. Para o cidadão comum, o episódio também é um alerta sobre a necessidade de entender a natureza dos produtos financeiros adquiridos — especialmente quando não contam com mecanismos de proteção.


Fontes:

  • InfoMoney