Quem é Daniel Bueno Vorcaro? Saiba tudo sobre o dono e ex-presidente do Banco Master

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 20 de novembro de 2025

Quem é Daniel Bueno Vorcaro

Daniel Bueno Vorcaro, nascido em Belo Horizonte em 1983, tornou-se uma figura conhecida no mercado financeiro brasileiro após assumir o comando do Banco Master. Sua trajetória começa no setor imobiliário, onde sua família já atuava há décadas, e evolui para o campo financeiro quando identificou a oportunidade de transformar uma instituição bancária de médio porte em um projeto ambicioso. Formado em Economia e com MBA pelo IBMEC, Vorcaro sempre foi visto como um empresário ousado, capaz de articular negócios complexos e movimentar setores distintos, como varejo, tecnologia, saúde e até futebol.

A grande virada da sua carreira ocorre quando ele adquire a opção de compra do antigo Banco Máxima, ainda em 2016. Após aprovação das autoridades, assume o controle de forma definitiva em 2018, rebatiza a instituição como Banco Master e implementa uma nova estratégia de crescimento. O banco passa a aparecer com destaque na mídia devido ao ritmo acelerado de expansão, à entrada em novos segmentos e à oferta de produtos com rentabilidade acima da média, conquistando rapidamente um grande volume de clientes.


A estratégia de expansão do Banco Master

Durante os anos em que esteve sob sua presidência, o Master adotou um modelo de crescimento fundamentado na captação elevada de recursos por meio de produtos com remunerações bastante atrativas. Essa estratégia permitiu que o banco ampliasse sua base de investidores e aumentasse substancialmente seu volume de operações. Por outro lado, o ritmo acelerado também chamou atenção do mercado e de autoridades regulatórias, já que o banco direcionava grande parte desses recursos para operações de crédito consideradas mais arriscadas ou pouco convencionais.

Além disso, o banco ampliou presença em áreas como crédito consignado, crédito pessoal, seguros, investimentos estruturados e negociações complexas envolvendo empresas em dificuldades financeiras. Associado a isso, surgiram movimentações expressivas em fundos de previdência de estados e municípios, que se tornaram detentores de valores significativos em títulos emitidos pelo Master. A soma desses elementos formou um ambiente que gerou questionamentos cada vez mais frequentes sobre a sustentabilidade e a transparência do modelo adotado.


O início das investigações e a escalada da crise

A partir de 2024, autoridades brasileiras passaram a aprofundar investigações envolvendo operações do Banco Master. Os indícios levantados apontavam para possíveis irregularidades relacionadas à emissão de carteiras de crédito sem lastro adequado, substituição de títulos entre instituições e outras práticas que, segundo investigadores, poderiam mascarar riscos reais dos ativos negociados.

Com o avanço das apurações, surgiram suspeitas de que o banco teria criado ou negociado ativos de forma irregular, o que, somado à deterioração financeira observada nos bastidores, levou a uma atenção regulatória cada vez mais intensa. As investigações não se limitavam ao banco: começaram a envolver também relações com atores políticos, operações com bancos públicos e decisões estratégicas que levantaram novas dúvidas sobre a governança da instituição.


A prisão de Vorcaro e a liquidação do Banco Master

O ponto de inflexão do caso ocorreu em 17 de novembro de 2025, quando Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto de Guarulhos, no momento em que se preparava para embarcar em uma viagem internacional. A operação, que envolveu buscas e apreensões em várias localidades, tinha como foco principal apurar possíveis fraudes financeiras e irregularidades que, segundo estimativas iniciais, poderiam alcançar cifras bilionárias.

No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master. A decisão marcou o encerramento imediato das operações da instituição e o afastamento completo da antiga administração. O liquidante nomeado passou a ser responsável por identificar bens, calcular dívidas, avaliar carteiras de crédito e administrar o patrimônio restante. A liquidação escancarou a real dimensão da crise, que até então era parcialmente desconhecida pelo público.


Consequências e impacto para investidores e clientes

A queda do Banco Master afetou diretamente milhares de investidores em todo o país. Clientes com aplicações dentro do limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos devem ser ressarcidos, mas o processo costuma levar algum tempo devido ao volume de registros, validações e documentação necessária. Já os clientes com valores superiores ao limite de cobertura se tornaram credores da massa falida, enfrentando incerteza sobre prazos e percentuais de recuperação.

A situação chamou atenção especial por envolver fundos de previdência de estados e municípios, que aplicaram valores expressivos em títulos emitidos pelo banco. A exposição elevada desses fundos tornou-se um dos pontos mais sensíveis da crise, já que envolve recursos públicos, aposentadorias e pensões. A liquidação também abriu espaço para golpes e tentativas de fraude contra clientes, o que obrigou especialistas e autoridades a alertarem a população.


Visão Bolso do Investidor

O caso Daniel Vorcaro e Banco Master é um exemplo forte de como crescimento rápido e promessas de alta rentabilidade podem esconder riscos profundos. Para o investidor, fica a lição de que retornos acima do padrão exigem análise cuidadosa do modelo de negócio, da solidez das carteiras, da reputação da instituição e da sua transparência. Além disso, reforça que o FGC é uma proteção importante, mas limitada, e que não substitui boas práticas de diversificação e prudência na alocação de capital.


Fontes:

  • InfoMoney
  • Money Times
  • CNN Brasil
  • Reuters
  • SBT News
  • Gazeta do Povo
  • Veja
  • Agência Brasil
  • Bloomberg Línea
  • Wikipédia