Equilíbrio entre vida e trabalho supera salário como principal prioridade de carreira, aponta estudo

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 24 de novembro de 2025

Pela primeira vez em mais de duas décadas, profissionais dos Estados Unidos passaram a valorizar mais o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho do que o tamanho do salário. A conclusão é do relatório Workmonitor 2025, da Randstad, que monitora tendências globais de carreira há 22 anos. Segundo o estudo, 83% dos entrevistados consideram o equilíbrio entre vida e trabalho como o fator mais importante na hora de avaliar um emprego, atual ou futuro, empatado com segurança no trabalho. O salário aparece logo atrás, com 82%, marcando a primeira vez em que a remuneração deixa de ocupar a posição número um.

A mudança reflete um cansaço crescente com a cultura corporativa tradicional dos EUA. Funcionários vêm resistindo a pressões por retorno integral aos escritórios, rotinas rígidas e contatos profissionais fora do expediente. O relatório aponta que o trabalhador americano está priorizando bem-estar, saúde mental e flexibilidade, deixando claro que não deseja mais moldar sua vida ao trabalho, mas sim o contrário.

Entre todas as faixas etárias, a tendência é liderada pela Geração Z, que atribui mais importância ao equilíbrio do que ao salário — 74% contra 68%. Para esses jovens profissionais, saúde mental e satisfação diária têm mais peso do que remuneração elevada. Isso faz parte do movimento chamado “minimalismo de carreira”, caracterizado pela busca por produtividade saudável, limites e preservação de energia para projetos pessoais. Uma parcela relevante da geração, segundo dados complementares do LinkedIn, aceita até redução salarial em troca de mais autonomia para trabalhar de forma remota ou híbrida.

Apesar disso, o comportamento não é restrito aos mais jovens. O relatório mostra que trabalhadores mais velhos também passaram a defender rotinas sustentáveis, ainda que mantenham o salário como prioridade relevante. Entre os baby boomers, equilíbrio é essencial para 85% e salário para 87%, indicando que ambas as variáveis continuam sendo fatores centrais nas decisões profissionais dessa geração.

A visão dos CEOs, porém, está longe de ser unânime. Alguns líderes de grandes empresas defendem que é possível conciliar ambição profissional com limites muito claros, como Marc Randolph, cofundador da Netflix, que sempre reservou as noites de terça-feira exclusivamente para atividades pessoais durante três décadas de carreira. Para ele, manter essas fronteiras foi determinante para preservar saúde mental e perspectiva.

Jamie Dimon, CEO do JPMorgan, também defende a importância de equilíbrio para preservar relacionamentos e saúde. Em discursos recentes, ele tem encorajado jovens profissionais a não ignorarem o autocuidado como parte do sucesso de longo prazo.

No entanto, um outro grupo de executivos considera o equilíbrio impossível de conciliar com metas ambiciosas. Sergey Brin, do Google, e Lucy Guo, da Scale AI, criticam abertamente a ideia de jornadas moderadas. Andrew Feldman, CEO da Cerebras, foi ainda mais enfático ao afirmar que é irreal esperar construir algo extraordinário trabalhando 38 horas semanais, classificando a expectativa como incompatível com resultados de alto impacto.

A divergência entre líderes e funcionários evidencia um choque de gerações sobre o que significa ter uma carreira bem-sucedida. O relatório da Randstad indica que esse debate continuará moldando a cultura corporativa nos próximos anos, à medida que empresas tentam conciliar produtividade, atração de talentos e novas expectativas sociais sobre trabalho.


Visão Bolso do Investidor

A mudança de prioridades apontada no estudo reflete uma transformação relevante no comportamento do trabalhador e nas pressões sobre o mercado corporativo. Empresas que oferecerem flexibilidade terão mais facilidade para atrair talentos, enquanto modelos rígidos podem enfrentar rotatividade maior e queda de engajamento. Para investidores, setores que dependem intensamente de mão de obra qualificada podem viver um ciclo de adaptação, exigindo novos incentivos e mudanças no ambiente de trabalho. No longo prazo, a tendência indica que políticas de bem-estar e flexibilidade deixarão de ser diferenciais e se tornarão parte essencial da competitividade empresarial.


Fontes:

  • InfoMoney