Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 24 de novembro de 2025

Durante o Fórum de Investimentos EUA–Arábia Saudita, em Washington, o empresário Elon Musk projetou que, dentro de 10 a 20 anos, o trabalho se tornará opcional para grande parte da população graças ao avanço acelerado da inteligência artificial e da robótica. Em sua visão, um mundo totalmente automatizado deve reduzir de forma significativa a necessidade de empregos tradicionais, transformando a relação entre produção, renda e propósito humano.
Musk comparou o futuro do trabalho a atividades como manter uma horta em casa: algo que se faz por gosto, não por necessidade. Segundo ele, as pessoas só trabalharão em funções que tragam realização pessoal, como praticar esportes ou hobbies. Isso só seria possível com a adoção massiva de robôs humanoides e sistemas de IA capazes de multiplicar a produtividade global em níveis inéditos.
O bilionário afirmou que seu objetivo é transformar a Tesla em uma empresa centrada em robôs humanoides, com o modelo Optimus, ainda em desenvolvimento e marcado por atrasos, sendo responsável por até 80% do valor da companhia no futuro.
Apesar da visão otimista, a automação já vem impactando empregos de entrada, especialmente entre jovens da geração Z. Para críticos nos EUA, esse movimento pode ampliar desigualdades no mercado de trabalho, já marcado por assimetrias e dificuldades de ascensão profissional.
Musk também afirmou que, em um cenário de automação plena, o dinheiro tende a perder relevância. Ele citou a série “Culture”, de Iain M. Banks, que descreve uma sociedade pós-escassez sem empregos e com recursos abundantes. O empresário mencionou ainda a possibilidade de um sistema de “renda alta universal”, embora não tenha detalhado como isso seria financiado ou operacionalizado.
Economistas ouvidos pela Fortune ressaltam, porém, que essa transformação enfrenta obstáculos reais. Embora a IA avance rapidamente, a robótica ainda é considerada cara, complexa e lenta para escalar globalmente. Para especialistas, a automação em larga escala deve ocorrer, mas não na velocidade imaginada por Musk, já que a construção, adaptação e manutenção de máquinas físicas exige investimentos elevados e desenvolvimento tecnológico mais robusto.
Além dos desafios técnicos, há barreiras políticas e sociais. Sustentar uma sociedade em que grande parte da população não trabalha exigiria redesenho completo das políticas públicas, novos mecanismos de financiamento e coordenação entre governos. Há, ainda, o risco de que a riqueza gerada pela IA se concentre em poucos grupos, ampliando desigualdades em vez de reduzi-las.
Pesquisadores também alertam para impactos humanos profundos. O ambiente de trabalho é hoje responsável por parte importante das relações sociais, rotinas, senso de propósito e identidade coletiva. Em um mundo com menos empregos formais, será necessário repensar como as pessoas constroem vínculos e encontram significado em uma sociedade altamente automatizada.
O próprio Musk reconheceu esse desafio ao comentar o caráter “existencial” dessas transformações. Para ele, mesmo que robôs superem os humanos em praticamente todas as tarefas, continuará sendo responsabilidade das pessoas atribuir sentido ao que a tecnologia produz.
Visão Bolso do Investidor
Projeções como a de Elon Musk ajudam a entender tendências de longo prazo que podem influenciar setores estratégicos — especialmente IA, robótica, energia, semicondutores e empresas de infraestrutura digital. Embora o cenário descrito ainda esteja distante, movimentos graduais já impactam mercados de trabalho, produtividade e modelos de negócios. Para investidores, é essencial acompanhar como essas tecnologias escalam, quais players se consolidam e de que forma políticas públicas e custos de adoção podem acelerar ou frear essa transição. Em um ambiente de disrupção, oportunidades surgem onde capacidade de execução e vantagem competitiva se mantêm claras.
Fontes:
- InfoMoney
