Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 24 de novembro de 2025

O Bitcoin voltou a operar nos níveis mais baixos desde abril, reacendendo o debate entre investidores sobre se o momento representa uma chance rara de compra ou um risco adicional em meio ao aumento da aversão global a ativos mais voláteis. Cotado a cerca de US$ 82,7 mil na sexta-feira (21), o criptoativo entrou em um período prolongado de queda que já supera 22% em um mês e 15% apenas na última semana.
A reversão se intensificou após um conjunto de fatores macroeconômicos desfavoráveis. Investidores vêm reduzindo posições desde o início de novembro, quando o Bitcoin atingiu máximas recentes e desencadeou um movimento de realização de lucros. Em seguida, dados de emprego mais fortes que o esperado nos Estados Unidos elevaram a probabilidade de que o Federal Reserve mantenha os juros altos por mais tempo, reduzindo o apetite global por ativos de risco e fortalecendo o dólar. A combinação disso com o ceticismo crescente sobre o valuation das empresas de inteligência artificial aumentou a pressão sobre o mercado cripto.
O clima mais tenso se reflete diretamente no índice Fear and Greed da CNN Business, que entrou na faixa de “medo extremo”, sinalizando que o sentimento predominante é de forte aversão a risco. Essa postura ficou ainda mais evidente após o Payroll surpreender para cima e reduzir drasticamente as apostas de um corte de juros em dezembro nos EUA. Com juros altos tendendo a atrair fluxo para renda fixa e afastar investidores de mercados mais especulativos, criptomoedas seguem extremamente sensíveis às expectativas monetárias.
Apesar disso, analistas afirmam que o cenário ainda não é conclusivamente negativo. Especialistas destacam que o Bitcoin atravessa ciclos naturais de valorização e correção, e que a forte liquidação de posições alavancadas ocorrida em outubro, quando mais de US$ 19 bilhões foram desfeitos em apenas um dia, deixou o mercado mais frágil, mas não necessariamente comprometido no médio prazo. Para parte dos analistas, a volatilidade recente abre espaço tanto para quedas adicionais quanto para uma recuperação a partir de dezembro, dependendo principalmente da evolução da liquidez global.
Alguns fatores podem contribuir para uma retomada, como a expectativa de que o Federal Reserve encerre a redução do seu balanço, diminuindo a drenagem de liquidez do sistema financeiro. Esse movimento historicamente favorece ativos como o Bitcoin, que dependem diretamente do apetite global por risco. Além disso, a entrada crescente de investidores institucionais e a consolidação dos ETF de Bitcoin à vista seguem como pilares de suporte estrutural, mesmo com saídas expressivas recentes nesses produtos, como os US$ 903 milhões registrados na última quinta-feira.
Do lado do investidor brasileiro, a reação foi bem diferente do cenário internacional. Dados do Mercado Bitcoin mostram um avanço de 40,9% no número de compradores nas últimas duas semanas, ultrapassando inclusive momentos de otimismo. A relação entre compradores e vendedores subiu para 2,35 a 1, indicando que parte relevante do público doméstico vê o movimento atual como uma oportunidade antecipada de Black Friday.
Mesmo assim, analistas reforçam que o momento é mais confortável para quem possui horizonte de longo prazo do que para quem busca ganhos rápidos. Com a incerteza sobre juros, liquidez e sentimento global ainda elevada, o curto prazo continua sujeito a fortes oscilações. Especialistas recomendam cautela para quem pretende entrar agora e evitam a prática de tentar “pegar a faca caindo”, já que novos recuos não estão descartados antes de uma eventual recuperação mais consistente.
Visão Bolso do Investidor
A queda do Bitcoin reacende um padrão recorrente nos mercados: momentos de pessimismo extremo costumam atrair investidores dispostos a assumir risco em busca de retornos futuros. No entanto, para quem acompanha o ativo como parte de uma estratégia estruturada, a decisão não deve ser guiada apenas pelo preço momentâneo, mas pelo horizonte de investimento e pela capacidade de absorver volatilidade. O cenário global ainda é sensível a juros, liquidez e sentimento, o que reforça a importância de evitar alocações agressivas de curto prazo. Para quem pensa no longo prazo, o recuo pode ser atrativo, desde que inserido em um portfólio diversificado e com expectativas alinhadas ao risco intrínseco do mercado cripto.
Fontes:
- InfoMoney
