A evolução da assessoria de investimentos: transparência, técnica e educação como novos pilares do mercado

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 24 de novembro de 2025

A presença de milhões de brasileiros no mercado financeiro — impulsionada pela digitalização das plataformas e pela busca crescente por autonomia e construção de patrimônio — trouxe à tona uma necessidade urgente: orientação qualificada. Em um ambiente em que decisões equivocadas podem custar caro e produtos se tornam cada vez mais sofisticados, navegar sozinho deixou de ser uma opção segura para boa parte dos investidores.

É nesse contexto que a figura do assessor de investimentos moderno ganhou relevância. Muito além de executar ordens ou apresentar uma prateleira de produtos, esse profissional evoluiu para um papel de tradutor, educador, protetor e guia, assumindo um papel central na experiência do investidor.

O assessor 4.0 é aquele que entende que confiança se constrói, não se pede; que transparência é obrigação, não marketing; e que a relação com o cliente exige técnica, ética, diligência e comunicação clara. Esse conjunto de competências está por trás da transformação da profissão — e também orienta os critérios qualitativos do 1º Prêmio ABAI: Melhores Assessorias 2025.

A nova função do assessor: menos venda, mais orientação

O mercado financeiro brasileiro evoluiu, mas também se tornou mais complexo. Produtos sofisticados, maior assimetria de informação e decisões de alto impacto tornaram o investidor comum mais vulnerável. Nessa realidade, o assessor diligente e capacitado assume um papel indispensável.

Profissionais certificados — como CFP®, CEA, CPA-20, Ancord e outras formações complementares — demonstram compromisso com boas práticas reconhecidas e reforçam a responsabilidade técnica da atividade. A atuação deixa de ser comercial para se tornar consultiva e pedagógica: explicar riscos, adequação ao perfil, liquidez, cenários e impactos reais de cada decisão.

Essa postura, centrada no cliente, é justamente o que o setor passou a valorizar nos últimos anos.

Transparência: o pilar que sustenta a confiança

No modelo atual, a transparência é requisito obrigatório — e a base de uma relação saudável. O investidor tem direito de entender como seu assessor atua, como é remunerado e quais são os potenciais conflitos a que está exposto.

A Resolução CVM 178 reforça isso ao exigir que o assessor informe, sempre que solicitado:

  • quanto recebe por produto distribuído;
  • como funciona sua remuneração;
  • em que modelo opera (assessoria, consultoria, execução, híbrido);
  • se há incentivos comerciais envolvidos.

Documentos como Termo de Ciência, suitability, extratos trimestrais de remuneração e registros de recomendação fazem parte desse processo — e não representam burocracia, mas proteção.

Educação financeira: o maior valor entregue

Os assessores que encantam não vendem promessas, vendem clareza. Ajudam o investidor a entender o que está fazendo e por quê. Explicam riscos, cenários positivos e negativos, volatilidade, estratégias e objetivos.

A educação financeira — que transforma o cliente em participante ativo da própria jornada — é um dos pilares avaliados pelo Prêmio ABAI, e faz parte da essência da boa assessoria.

Diligência e foco no cliente

A atuação fiduciária se revela nas atitudes diárias do assessor:

  • explicar antes de recomendar;
  • justificar tecnicamente cada indicação;
  • ajustar produtos ao perfil real do cliente;
  • revisar periodicamente a carteira;
  • registrar e documentar decisões;
  • evitar conflitualidades;
  • comunicar de forma clara e acessível.

É dessa soma de práticas que nasce o encantamento — não de uma venda bem-feita, mas da ética aplicada no dia a dia.

Modelos de remuneração: adequação é o que importa

O mercado evoluiu e hoje existem diversos formatos, como:

  • taxa fixa (fee fixo);
  • comissão por operação;
  • fee sobre patrimônio;
  • modelos híbridos.

Mas o que determina o modelo adequado é a preferência, necessidade e perfil do cliente. O assessor que atua com excelência explica vantagens, limitações e valores com total transparência.

Perguntas que todo investidor deveria fazer ao escolher um assessor

  • Como você é remunerado?
  • Quanto recebe por este produto?
  • Como este investimento se encaixa nos meus objetivos?
  • Quais são os riscos reais?
  • Com que frequência revisaremos minha carteira?
  • Você registra suas recomendações?
  • Qual é seu histórico e certificações?

As respostas diferenciam um assessor técnico de um assessor comercial.


Visão Bolso do Investidor

A profissionalização da assessoria de investimentos é uma das forças que mais impulsionam o amadurecimento do mercado financeiro brasileiro. Em um cenário com produtos sofisticados e volatilidade crescente, o investidor que conta com orientação transparente, técnica e contínua tende a evitar erros comuns e tomar decisões mais alinhadas com seus objetivos.

Para quem está escolhendo um assessor, a regra é clara: valorize profissionais que falam de riscos antes de falar de retornos, que documentam o que fazem e que colocam o cliente no centro da decisão. Assessoria não é sobre vender produtos — é sobre construir futuro com responsabilidade.


Fontes:

  • InfoMoney