Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 01 de dezembro de 2025

A XP Investimentos revisou seu valor justo para o Ibovespa e passou a projetar o índice em 185 mil pontos até o fim de 2026, acima da estimativa anterior de 170 mil pontos. A nova projeção representa um potencial de alta de 16,3% em relação ao fechamento de novembro.
Segundo a equipe de estratégia da XP, liderada por Fernando Ferreira, a revisão reflete a queda das taxas de juros reais de longo prazo no Brasil e a expectativa de nova expansão dos múltiplos de mercado, favorecida por fluxos de investimento domésticos e estrangeiros. Mesmo com a alta recente, o índice segue negociando a 9,3 vezes o lucro projetado, patamar considerado atrativo.
Um bull market que avança em silêncio
Em novembro, enquanto mercados globais mostraram estabilidade e enfrentaram forte volatilidade em ações de tecnologia e inteligência artificial, a Bolsa brasileira seguiu em trajetória de alta. A XP descreve o movimento como um “bull market silencioso”, sustentado principalmente por fatores domésticos.
O Ibovespa subiu 7,3% em dólares no mês, superando o MSCI ACWI, que ficou praticamente estável, e o MSCI EM, que recuou 2,5%. O desempenho brasileiro também superou regiões como México e Colômbia. Para a XP, após um ano em que a Bolsa se beneficiou da rotação global para emergentes, o impulso agora vem sobretudo da queda das taxas de juros no país.
A XP analisou os últimos oito ciclos de afrouxamento monetário no Brasil e observou que o Ibovespa avançou, em média, 39,2% nesses períodos. O mesmo padrão aparece nos ciclos de corte de juros nos Estados Unidos, com retorno médio de 41% para as ações brasileiras. Para 2026, a combinação dessas duas forças cria um ambiente amplamente favorável para o mercado acionário nacional.
Fator Valor e impacto dos dividendos
A estratégia fator “Valor” permaneceu entre os destaques de 2025, com alta de 63% na carteira Long/Short analisada pela XP. Com juros em queda e um cenário macroeconômico mais benigno, a XP avalia que ações de valor seguem favorecidas.
A decomposição do retorno dos índices globais em 2025 mostra que o Brasil teve contribuições equilibradas entre expansão de múltiplos, crescimento de lucros e pagamento de dividendos. A XP projeta que 2026 continuará sendo um ano relevante para proventos, com empresas antecipando dividendos extraordinários antes da nova tributação. A estimativa varia entre R$ 42 bilhões e R$ 85 bilhões.
Atualização das carteiras recomendadas
A XP também revisou suas carteiras para dezembro:
Top Ações
Entram: B3 (B3SA3), BTG Pactual (BPAC11), Localiza (RENT33), Aura Minerals (AURA33) e Mercado Livre (MELI34).
Saem: Caixa Seguridade (CXSE3), Santander Brasil (SANB11) e Petrobras PN (PETR4).
Reduções: Smart Fit (SMFT3) e Vale (VALE3).
Dividendos
Entra: Allos (ALOS3).
Aumento: B3SA3.
Reduções: Axia (AXIA3), Copel (CPLE5) e Energisa (ENGI11).
Small Caps
Entram: Vivara (VIVA3), LWSA (LWSA3), Bemobi (BMOB3) e Randoncorp (RAPT4).
Aumento: AURA33.
Saem: Irani (RANI3) e Minerva (BEEF3).
Redução: Marcopolo (POMO4).
ESG
Sem alterações.
Visão Bolso do Investidor
A revisão do preço-alvo do Ibovespa pela XP reforça a percepção de que fatores internos voltaram a desempenhar papel central no desempenho da Bolsa brasileira. A queda das taxas de juros, combinada à melhora das expectativas de lucro, tende a sustentar a expansão dos múltiplos e manter o apetite dos investidores. O ano de 2026 pode oferecer oportunidades relevantes, principalmente em setores ligados a valor, dividendos e empresas com modelos de negócio resilientes. A análise também evidencia a importância de acompanhar a trajetória dos juros no Brasil e nos Estados Unidos, que deve seguir como variável determinante para o comportamento dos ativos de risco.
Fontes:
- Infomoney
