Fiagros disparam em 2025 e seguem entre as alternativas mais atrativas para investidores

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 04 de dezembro de 2025

Os Fiagros, fundos de investimento voltados às cadeias agroindustriais, vivem em 2025 um dos seus melhores momentos desde a criação. Depois de um 2024 marcado por perdas expressivas em meio à recuperação judicial de grandes empresas do agronegócio, os fundos se recuperaram com força e apresentam ganhos que superam cinquenta por cento no ano, segundo levantamento da Quantum Finance. O movimento é liderado pelos Fiagros de crédito, que concentram operações estruturadas, CRA e dívidas agrícolas, formato que dominou o ranking de retornos entre janeiro e outubro.

A consultoria aponta que, nesse período, os dez melhores desempenhos foram exclusivamente de Fiagros de crédito, com resultados entre vinte e nove vírgula nove por cento e cinquenta e um vírgula um por cento. Entre os destaques estão XPCA11, com retorno de cinquenta e um vírgula um por cento, IAGR11, com quarenta e nove vírgula oito por cento, e JGPX11, com quarenta vírgula dois por cento. Também aparecem Capitanea Agro, FG/AGRO, Valora CRA, AZ Quest Sole, Riza Agro, Galapagos Recebíveis e Ourinvest Innovation.

Quando o recorte é apenas o mês de outubro, o quadro muda. Dois fundos de perfil imobiliário rural, o Suno Fazendas e o Suno Responsabilidade Limitada, ambos da Suno Asset, entram entre os maiores avanços mensais graças à forte exposição a terras. A Quantum avalia que isso mostra um descolamento entre o comportamento de curto e longo prazo dentro da categoria.

A forte valorização dos Fiagros em 2025 está diretamente ligada à turbulência vivida no ano anterior. Segundo Guilherme Grahl, gestor da Valora Investimentos, o impacto dos eventos de crédito foi relevante, mas pontual na maioria das carteiras. O mercado, no entanto, reagiu de forma ampla e intensa, penalizando mesmo os fundos com pouca exposição aos casos problemáticos, movimento amplificado pela baixa liquidez do setor. Ao longo deste ano, com ajustes concluídos e condições mais estáveis, os preços se recuperaram e refletiram melhor a qualidade dos ativos.

Grahl explica que, no caso do Valora CRA, que acumula ganho de trinta e três vírgula quatro por cento até outubro, grande parte do retorno está relacionada ao pagamento de juros de operações sólidas, muitas delas atreladas a CDI mais três por cento ao ano. Ele destaca que boa parte dos papéis é originada internamente ou adquirida de empresas de grande porte, como a Cargill.

Os problemas mais profundos do setor começaram na safra 2023/2024, marcada por queda de preços das commodities e agravada posteriormente pela recuperação judicial da Agrogalaxi, que tinha forte presença entre investidores pessoa física. A alta de juros intensificou a fragilidade de empresas muito alavancadas. Hoje, com preços mais estáveis, margens recuperadas e expectativas de redução da taxa básica de juros para 2026, o ambiente é considerado muito mais saudável.

Para Grahl, o próximo ano tende a ser ainda mais positivo para o agronegócio e, por consequência, para os Fiagros. Ele afirma que alguns problemas ainda se arrastam, mas o setor avança para uma normalização gradual, com melhora operacional, retomada de dividendos e maior confiança dos investidores. A volta das captações de empresas ligadas ao agro é vista como outro sinal de fortalecimento.

José Daronco, chefe de relações com investidores da Suno Asset, reforça que a queda acentuada das cotas no ano passado refletiu um medo generalizado que não se confirmou. Ele explica que muitos Fiagros de papel hoje entregam rendimentos que chegam a cinco por cento acima do CDI, isentos de imposto de renda, característica que tem atraído investidores diante da nova tributação sobre dividendos que entrará em vigor em 2026. A migração de capital para fundos isentos já começa a ser percebida, segundo ele.

Os Fiagros da Suno que se destacaram em outubro não foram beneficiados somente por ajustes relacionados ao período anterior. Para Daronco, as compras foram intensas em todo o mercado, incentivadas pelo momento favorável e pela atratividade dos rendimentos. Ele vê espaço para ganhos moderados, ainda que menores do que os observados neste ano, já que muitos fundos seguem entregando retornos líquidos mensais acima de um por cento, patamar competitivo mesmo diante de CDBs de alta taxa.

Sobre a inadimplência, Daronco afirma que alguns fundos ainda carregam resquícios da crise, mas a maior parte dos Fiagros já se reestruturou e voltou a performar de forma consistente. Para ele, o pior ficou para trás e o setor entra em uma fase de recuperação acelerada.


Visão Bolso do Investidor

O desempenho dos Fiagros em 2025 reforça a importância de analisar ciclos completos, especialmente em setores altamente sensíveis ao crédito e às commodities. A recuperação expressiva após um ano desafiador mostra como ajustes de carteira, seleção de ativos e qualidade das garantias são determinantes para atravessar períodos de estresse. Para investidores que buscam renda isenta e exposição ao agronegócio, o movimento recente confirma que os riscos existem, mas podem ser compensados por estruturas robustas e gestão especializada.


Fontes:

  • InfoMoney