Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 05 de dezembro de 2025

A busca global por novas fontes de energia, impulsionada por tecnologias intensivas em eletricidade como carros elétricos, data centers e aplicações de inteligência artificial, está colocando os ETFs de energia nuclear no radar de investidores que buscam tendências estruturais de longo prazo. Para Danilo Moreno, coordenador de Research da Investo, o movimento cria um cenário favorável para quem aceita risco e deseja diversificação global com exposição ao dólar.
Ele explica que, embora o Brasil possua condições naturais para expandir matrizes como eólica e hidrelétrica, muitos países não têm essa vantagem geográfica ou climática. Nesse contexto, a energia nuclear surge como alternativa limpa, estável e escalável, ganhando protagonismo no debate sobre segurança energética.
Moreno destaca que os ETFs, fundos negociados em bolsa que replicam índices ou ativos específicos, permitem acesso simplificado a setores inteiros. Lançado em maio, o ETF de Energia Nuclear da Investo (NUCL11) segue o MVIS Global Uranium & Nuclear Energy Index (MVNLRTR), reunindo 27 empresas da cadeia nuclear e de urânio distribuídas por países como Estados Unidos, Austrália, Canadá, China, Finlândia e Cazaquistão. O fundo acumula valorização de 37,97% até 30 de novembro.
Para perfis tolerantes à volatilidade, o ETF representa uma aposta que se beneficia de vetores globais consistentes. Segundo Moreno, movimentos de curto prazo, como oscilações recentes, não distorcem a tendência estrutural de demanda crescente. Além disso, a exposição ao dólar funciona como proteção adicional, mesmo com a moeda apresentando desvalorização temporária.
Ele avalia que a combinação de necessidade energética, avanço tecnológico e limitações de alternativas em diversos países cria um ciclo de longo prazo favorável ao setor nuclear. “Ainda há muito espaço para percorrer”, afirma.
Vantagens tributárias e de liquidez dos ETFs
Além da tese energética, investidores têm observado benefícios estruturais dos ETFs em relação aos fundos tradicionais de renda fixa ou multimercado.
Liquidez mais rápida
ETFs de renda fixa têm liquidez D+1, o resgate cai no dia útil seguinte, e ETFs de ações operam com D+2. Já fundos convencionais podem exigir prazos de 10, 15 ou até 30 dias, tornando o acesso ao dinheiro mais lento.
Isenção de come-cotas
Enquanto fundos tradicionais sofrem a cobrança semestral do come-cotas, reduzindo o rendimento mesmo sem resgate, ETFs não possuem esse mecanismo. O imposto de renda é recolhido apenas no momento do resgate, permitindo maior capitalização ao longo do tempo.
Ausência de IOF
ETFs são isentos de IOF, imposto aplicado em operações de curtíssimo prazo nos fundos tradicionais. O efeito é relevante sobretudo para investidores que precisam manter recursos por algumas semanas sem perdas iniciais, caso do LFTS11, ETF 100% Tesouro Selic.
Alíquotas claras e estáveis
Nos ETFs, a alíquota de imposto de renda costuma ser fixa em 15%, independentemente do prazo de aplicação. Em alguns ETFs formados apenas por títulos pós-fixados, a alíquota pode ser de 25%, mas ainda assim pode ser mais vantajosa, considerando a ausência de IOF e a liquidez superior.
Nos fundos tradicionais, o IR é regressivo: começa em 22,5% e só cai para 15% após dois anos.
Visão Bolso do Investidor
O avanço dos ETFs ligados à energia nuclear reflete uma transformação mais ampla: a transição energética deixou de ser apenas pauta ambiental e se tornou tema estratégico para tecnologia, indústria e governos. Para investidores, produtos como o NUCL11 representam uma forma prática de acessar tendências globais, diversificar geografias e se expor ao dólar sem necessidade de operações internacionais diretas.
A combinação de fundamentos estruturais, vantagens tributárias e liquidez reforça o papel dos ETFs como instrumentos eficientes para compor carteiras de médio e longo prazo, especialmente em cenários de inovação acelerada e demanda crescente por energia.
Fontes:
- InfoMoney
