Novo Bolsa Família registra queda no número de beneficiários e no valor total repassado entre 2023 e 2025, aponta estudo

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 6 de dezembro de 2025

Um novo estudo baseado em dados administrativos do governo federal revela que o Novo Bolsa Família passou por uma redução consistente no número de beneficiários entre o início de 2023 e outubro de 2025. Além da queda no total de famílias atendidas, o valor global destinado ao programa também diminuiu ao longo do período. A análise foi conduzida pelos professores Valdemar Pinho Neto e Marcelo Neri, da Escola de Economia e Finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV EPGE), que destacam a dinâmica mensal de saídas superiores às entradas como um movimento indicativo de maior sustentabilidade e rotatividade no programa.

Renovação do público e dinâmica de saídas do programa

O Novo Bolsa Família, relançado em 2023, tem apresentado, segundo o relatório, uma renovação constante de seu público ao longo do tempo. Entre os beneficiários observados no início daquele ano, 31,25% já não estavam mais no programa até outubro de 2025. Os pesquisadores argumentam que essa rotatividade reforça o caráter de proteção temporária do Bolsa Família, que ampara famílias em períodos de vulnerabilidade sem gerar dependência estrutural. O estudo aponta que, mesmo em um horizonte inferior a três anos, muitas famílias migraram para arranjos de renda mais autônomos, especialmente entre faixas etárias que historicamente apresentam maior entrada no mercado de trabalho.

A análise também destaca a importância da chamada Regra de Proteção, mecanismo que permite a permanência temporária de famílias cuja renda ultrapassa o limite de entrada no programa. Essa regra funciona como um amortecedor entre a proteção social e o mercado formal, suavizando transições e reduzindo o receio de assumir empregos com carteira assinada ou registrar-se como Microempreendedor Individual. Ao mesmo tempo, garante prioridade de retorno ao programa caso haja nova perda de renda.

Lançamento do estudo e impacto econômico mais amplo

O estudo “Filhos do Bolsa Família – Uma Análise da Última Década” foi lançado no Rio de Janeiro e acompanhado pelo ministro do Desenvolvimento, Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias. Em fala durante o evento, o ministro ressaltou que o crescimento do PIB brasileiro também reflete o avanço econômico das famílias de menor renda, destacando que parte desse movimento decorre da transição de beneficiários do programa para condições de maior autonomia financeira.

A segunda geração e a mobilidade socioeconômica

A pesquisa dedica uma parte significativa à avaliação da chamada “segunda geração” de beneficiários. O estudo acompanha crianças e adolescentes pertencentes a famílias que recebiam o benefício em 2014, analisando o período até 2025. Os dados revelam que mais de 60% dos beneficiários de 2014 não recebiam mais o Bolsa Família em 2025, indicando forte mobilidade. Entre adolescentes de 11 a 14 anos naquele ano, 68,8% deixaram o programa ao longo da década, proporção que sobe para 71,25% entre jovens de 15 a 17 anos. Nas áreas urbanas, as taxas também são elevadas, chegando a 67,01% entre jovens de 6 a 17 anos.

O nível de escolaridade do adulto responsável pela família também se mostrou relevante. Quando o responsável concluiu o ensino médio, quase 70% dos jovens de 6 a 17 anos em 2014 deixaram o programa até 2025. Segundo o estudo, essa emancipação está associada tanto à transição para o mercado formal quanto à saída do Cadastro Único. Entre os jovens de 15 a 17 anos em 2014, mais da metade deixou o CadÚnico até 2025, e 28,4% apresentavam vínculo formal de emprego em 2023, reforçando sinais de mobilidade econômica.

Visão Bolso do Investidor

Os resultados apresentados pelo estudo mostram como políticas de transferência de renda podem exercer papel relevante tanto na proteção social quanto na promoção de mobilidade econômica. A redução do número de beneficiários, acompanhada pela saída de jovens e adultos rumo ao mercado de trabalho formal, indica que o programa pode atuar como um mecanismo de transição em momentos de vulnerabilidade. Para o investidor, compreender esses movimentos contribui para uma leitura mais ampla do cenário social e econômico, já que avanços na renda das famílias e na formalização do trabalho influenciam consumo, atividade econômica e, indiretamente, o ambiente de negócios no país. Essas dinâmicas ajudam a compor o pano de fundo estrutural que dá suporte ao crescimento econômico de longo prazo.

Fontes: InfoMoney