Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 7 de dezembro de 2025

Uma nova pesquisa Datafolha divulgada no sábado mostrou que o senador Flávio Bolsonaro é o nome da direita com pior desempenho em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2026. O levantamento indica que, além de apresentar o menor potencial de votação entre os nomes ligados ao bolsonarismo, Flávio também figura entre os candidatos com maior índice de rejeição, superando governadores vinculados ao campo político de direita. Enquanto as rejeições aos governadores permanecem próximas dos vinte por cento, as relacionadas aos integrantes da família Bolsonaro ultrapassam trinta e cinco por cento.
Flávio Bolsonaro aparece atrás de Lula em simulação de segundo turno
Caso a disputa presidencial fosse realizada hoje, Flávio Bolsonaro teria 36% dos votos, enquanto Lula alcançaria 51%, abrindo uma diferença de quinze pontos. Os votos brancos e nulos somariam doze por cento, e a margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O senador, que confirmou sua pré-candidatura ao Planalto na sexta-feira, é rejeitado por 38% dos entrevistados, percentual superior ao observado entre diversos governadores incluídos na pesquisa.
O desempenho de Flávio é semelhante ao de outros membros da família Bolsonaro. O deputado federal Eduardo Bolsonaro teria 35% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra Lula, enquanto Michelle Bolsonaro alcançaria 39%. As taxas de rejeição também são elevadas: trinta e sete por cento dos entrevistados afirmaram que não votariam de jeito nenhum em Eduardo, e trinta e cinco por cento disseram o mesmo sobre Michelle.
Rejeição e desempenho de Lula frente aos possíveis adversários
Segundo o Datafolha, a rejeição a Lula chega a 44%, mas o ex-presidente Jair Bolsonaro seria o nome com maior taxa de rejeição caso pudesse disputar as eleições, atingindo 45%. Como está inelegível por decisão judicial, sua ausência direta na disputa abre espaço para outros nomes da direita, mas a pesquisa mostra que nenhum deles alcança vantagem sobre o atual presidente em um cenário de segundo turno.
A pesquisa também revela que Lula venceria outros adversários da direita, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o governador do Paraná, Ratinho Jr. Em um cenário contra Tarcísio, Lula teria 47% dos votos, contra 42% do paulista. Em uma simulação contra Ratinho Jr., Lula aparece novamente à frente, com 47% contra 41%. Os índices de rejeição desses governadores variam entre dezoito e vinte e um por cento, números inferiores aos observados entre os integrantes da família Bolsonaro.
O panorama político e os efeitos sobre a disputa de 2026
A pesquisa foi realizada com 2.002 eleitores entre terça e quinta-feira, antes do anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. O levantamento ocorreu em 113 municípios e ouviu eleitores com dezesseis anos ou mais. De acordo com o instituto, Lula mantém sua vantagem sobre os principais adversários quando comparado aos resultados obtidos na pesquisa anterior, divulgada em julho.
No campo político, integrantes do PT avaliaram que a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro evidencia dificuldades internas da direita após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. O líder do governo na Câmara, José Guimarães, afirmou que a direita estaria “sem bússola” e que a escolha reforça divisões internas. Segundo ele, a decisão pode impactar articulações de possíveis adversários, como Tarcísio de Freitas, e fortalecer candidaturas apoiadas pela base governista nos Estados mais relevantes para a disputa de 2026, como Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais.
Visão Bolso do Investidor
As pesquisas eleitorais mostram que a disputa presidencial de 2026 deve ocorrer em um ambiente de forte polarização, mas com mudanças significativas na correlação de forças à direita após a inelegibilidade de Jair Bolsonaro. Para o investidor, acompanhar as tendências captadas por institutos como o Datafolha ajuda a entender como a percepção de risco político pode influenciar o comportamento dos mercados, especialmente em momentos de incerteza. Oscilações em pesquisas, movimentos de rejeição e capacidade de articulação de candidatos costumam afetar expectativas sobre políticas fiscais, regulatórias e econômicas. Manter uma leitura atenta e equilibrada dessas informações contribui para decisões mais consistentes no longo prazo.
Fontes: Estadão / InfoMoney
