IRB vira destaque entre seguradoras após revisão do JPMorgan e dispara mais de 10% na Bolsa

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 08 de dezembro de 2025

O IRB Brasil ganhou novo impulso no mercado financeiro após o JPMorgan revisar sua visão sobre a companhia e promover uma mudança significativa na recomendação para as ações IRBR3. O banco passou a indicar compra do papel, elevando a classificação de underweight para overweight e atualizando o preço-alvo de R$ 54 para R$ 64. O movimento reposiciona o IRB como a nova escolha preferencial do JPMorgan dentro do setor de seguros e fez com que os papéis avançassem mais de 10% no pregão desta quinta-feira, encerrando a tarde cotados a R$ 52,87.

A instituição financeira destaca que, apesar da valorização acumulada em torno de 13% no ano, o IRB ainda apresenta desempenho inferior ao Ibovespa e ao índice MSCI Brazil Financials. Para os analistas, esse descasamento abre espaço para uma reavaliação, sobretudo diante dos múltiplos considerados atrativos. A ação negocia a aproximadamente 5,5 vezes o lucro projetado em caixa e conta com expectativa de crescimento anual composto dos lucros em torno de 16% entre 2025 e 2027. Em métricas patrimoniais, o papel também se mostra competitivo, operando a cerca de 1,3 vez o valor patrimonial ajustado, excluindo créditos fiscais, para um retorno sobre o patrimônio estimado entre 23% e 24%.

O ritmo de crescimento dos prêmios emitidos segue como principal ponto de cautela entre investidores. O JPMorgan projeta uma retração de 11% em 2025, seguida de uma recuperação moderada de 5% em 2026, ajudada pela base comparativa mais fraca. Ainda assim, o banco afirma que mesmo um cenário de pouco avanço na originação de negócios pode ser compensado pela geração de caixa e pela distribuição de dividendos, que tende a ganhar protagonismo no retorno ao acionista.

A avaliação considera que o IRB deve se beneficiar do uso crescente de créditos fiscais, o que amplia o lucro distribuível, além de manter um nível de solvência confortável, estimado acima de 260% ao fim de 2025. Esse conjunto de fatores permitiria uma escalada gradual na fatia dos lucros destinada aos acionistas. O modelo do banco projeta pagamentos equivalentes a 50% do lucro em 2026, 75% em 2027 e 90% em 2028, resultando em dividend yields estimados de 8%, 13% e 18%, respectivamente.

Com essas premissas, o JPMorgan atualizou sua avaliação para refletir dividendos mais elevados e maior eficiência no uso do capital excedente. O novo preço-alvo de R$ 64 para o final de 2026 incorpora essa dinâmica e reposiciona o IRB como destaque dentro do setor. Segundo o banco, a seguradora reúne uma combinação rara de múltiplos descontados, geração de caixa crescente e potencial relevante de remuneração ao investidor.


Visão Bolso do Investidor

A revisão do JPMorgan coloca o IRB novamente no radar dos investidores de renda variável que buscam empresas com capacidade de recuperação operacional e distribuição de dividendos acima da média. Para quem acompanha estratégias de valor e de reprecificação de ativos, o caso pode servir como exemplo de como ciclos de baixa podem abrir oportunidades em companhias que conseguem fortalecer balanços e recuperar margens. Como sempre, é fundamental que o investidor avalie sua exposição a risco, dado que o setor de resseguros tende a apresentar maior volatilidade diante de sinistros e condições de mercado.


Fontes:

  • InfoMoney