B3 planeja lançar stablecoin própria em 2026 e avança rumo a um mercado financeiro 24/7

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 17 de dezembro de 2025

A B3 está se preparando para uma das maiores transformações estruturais de sua história. Durante o Investor Day realizado nesta terça-feira (17), a operadora da Bolsa brasileira revelou planos para lançar, em 2026, uma stablecoin própria como parte de uma ampla reformulação de sua infraestrutura, com foco na tokenização de ativos e na viabilização de negociações em funcionamento contínuo, 24 horas por dia, sete dias por semana.

O movimento surge em um contexto de pausa no desenvolvimento do Drex, o real digital do Banco Central, e busca preencher lacunas operacionais que ainda limitam a expansão do mercado financeiro digital no Brasil. A stablecoin da B3 deverá atuar como elemento central na liquidação e distribuição de ativos tokenizados, permitindo transações tanto em redes privadas quanto em blockchains públicas.

Segundo Luiz Masagão, vice-presidente de produtos e clientes da B3, o ativo digital foi pensado para atender a uma demanda clara do mercado. “Acreditamos que o stablecoin poderá responder à demanda por um ativo seguro, para negociação 24/7”, afirmou durante o evento.

Stablecoin como elo entre o mercado tradicional e o tokenizado

Stablecoins são criptoativos lastreados em moedas fiduciárias. Uma stablecoin de dólar, por exemplo, equivale a US$ 1, enquanto uma de real equivale a R$ 1. No caso da B3, o plano é oferecer sua stablecoin ao público de varejo, com possibilidade de negociação tanto em uma rede própria da companhia quanto em blockchains públicas, como Ethereum e Solana.

O ativo digital será integrado a uma nova depositária tokenizada, prevista para entrar em operação em 2026. Essa estrutura funcionará de forma paralela aos sistemas tradicionais da Bolsa, permitindo que participantes escolham entre liquidação convencional ou tokenizada, com liquidez compartilhada entre os dois ambientes.

A nova arquitetura promete reconciliação quase em tempo real e funcionalidades programáveis, como contratos inteligentes. Entre os usos previstos estão operações fora do horário regular de pregão e, no futuro, a implementação de um modelo efetivo de negociação contínua, 24 horas por dia, sete dias por semana.

Avaliação de bancos globais e impacto no ecossistema

Para o UBS BB, a stablecoin da B3 terá papel relevante ao conectar a depositária tokenizada aos trilhos tradicionais do mercado financeiro, garantindo fungibilidade das transações e viabilizando negociações contínuas. Já o JPMorgan destaca que o projeto representa um marco para a construção de um ecossistema totalmente tokenizado, com aplicações que vão desde propriedade fracionada até operações fora do horário padrão do mercado.

A B3 também destacou que a eliminação da necessidade de clearing em operações de menor porte, aliada ao foco em liquidez e formação de preços, prepara a infraestrutura para ganhos de eficiência e aumento de volume no médio prazo, abrindo espaço para novos modelos de negócio.

Novos derivativos de criptoativos no radar

Além da stablecoin, a B3 anunciou planos para ampliar sua atuação no mercado de criptoativos com o lançamento de novos derivativos em 2026. Entre eles estão contratos futuros e opções de Bitcoin (BTC) em dólar, além de derivativos vinculados ao HASH11, o segundo ETF de criptomoedas da Bolsa.

A companhia também estuda lançar opções semanais de Ethereum (ETH) e Solana (SOL), assim como contratos baseados em eventos financeiros ligados aos preços de BTC, ETH e SOL, ampliando o leque de instrumentos disponíveis para investidores institucionais e de varejo.


Visão Bolso do Investidor

A iniciativa da B3 sinaliza uma mudança estrutural importante no mercado financeiro brasileiro. Ao apostar em uma stablecoin própria e em uma depositária tokenizada, a Bolsa dá um passo concreto para integrar o sistema tradicional às novas dinâmicas do mercado digital, reduzindo fricções operacionais e abrindo caminho para negociações contínuas.

Para investidores, o avanço da tokenização e a possibilidade de funcionamento 24/7 tendem a aumentar liquidez, eficiência e diversidade de produtos, mas também exigirão maior preparo para lidar com mercados mais dinâmicos e menos dependentes do horário convencional. No médio prazo, esse movimento reforça o papel da B3 como protagonista na modernização do mercado de capitais brasileiro, alinhando o país às principais tendências globais de infraestrutura financeira.


Fontes:

  • InfoMoney