Posicionamento se torna ativo decisivo no mercado financeiro, além do currículo técnico

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 18 de dezembro de 2025

No mercado financeiro, cresce a percepção de que excelência técnica, por si só, já não garante reconhecimento, avanço de carreira ou acesso às melhores oportunidades. Em um ambiente cada vez mais competitivo, marcado pela entrada constante de novos profissionais, plataformas digitais, redes sociais e clientes mais informados, o posicionamento passou a ser um ativo estratégico tão relevante quanto o currículo.

A lógica é simples, mas frequentemente ignorada: pessoas só valorizam aquilo que conhecem. Profissionais altamente competentes podem passar anos entregando resultados consistentes, estudando cenários macroeconômicos, dominando produtos financeiros e superando metas, sem que isso se traduza em reconhecimento proporcional, simplesmente porque esse valor não é percebido externamente.

Esse fenômeno não é exclusivo do mercado financeiro. Em praticamente todos os setores, referências profissionais são construídas a partir de visibilidade, narrativa e validação social. A diferença é que, no setor financeiro, ainda persiste a crença de que “resultado fala por si”.

Marca pessoal não é autopromoção
Um dos principais equívocos em torno do tema é confundir posicionamento com autopromoção ou vaidade. Construir marca pessoal não significa parecer importante, exagerar conquistas ou adotar uma postura artificial. Posicionamento está relacionado à clareza sobre o que se faz, para quem se faz e como isso é comunicado, de forma consistente e estratégica.

A tese defendida por especialistas em carreira e comunicação é direta: ter currículo é ser competente; ter posicionamento é ser percebido como competente. A diferença entre os dois está na capacidade de traduzir entrega técnica em narrativa compreensível, memorável e recorrente.

Muitos profissionais de alta performance acreditam que o reconhecimento virá naturalmente com o tempo. No entanto, isso levanta duas questões centrais: os resultados alcançados são proporcionais ao esforço empregado? E, se a comunicação fosse mais estratégica, as oportunidades chegariam com maior frequência e qualidade?

Quando o posicionamento está bem construído, convites profissionais deixam de ser fruto de busca ativa e passam a surgir de forma orgânica. Palestras, projetos, cargos estratégicos e parcerias tendem a aparecer porque o nome do profissional já está presente na memória das pessoas-chave do mercado.

A armadilha da competência silenciosa
No ambiente atual, competência silenciosa perde espaço para narrativa clara. Não se trata de falar mais alto, mas de ser encontrável. Muitas vezes, não é o profissional mais qualificado que ocupa determinada posição, mas aquele que consegue comunicar melhor seu valor.

Poucos profissionais aprendem, ao longo da carreira, a traduzir conhecimento técnico em percepção de autoridade. A formação tradicional prioriza produtos, números e modelos, mas dedica pouco tempo à comunicação estratégica. É justamente nesse ponto que se constrói autoridade: primeiro no discurso, depois no reconhecimento.

Crenças como “resultado fala por si” ou “quando alguém precisar, vai lembrar de mim” costumam atrasar carreiras promissoras. Resultados precisam de contexto, repetição e visibilidade. Aquilo que não é visto dificilmente é lembrado.

Enquanto muitos profissionais aguardam ser descobertos, outros — por vezes menos qualificados, ocupam espaços digitais, constroem reputação e se tornam referência simplesmente por estarem presentes e consistentes na comunicação.

Posicionamento como ativo profissional
Quando o posicionamento é claro, a dinâmica profissional muda. Convites substituem pedidos, networking se torna consequência e oportunidades chegam com menos atrito. A autoridade deixa de depender de esforço constante para ser provada.

Estudos e análises da Harvard Business Review reforçam essa visão ao tratar marca pessoal como um investimento real de carreira, e não como um exercício de vaidade. No fim, o que sustenta trajetórias sólidas não é o tamanho da audiência, mas a reputação percebida.

Para iniciar esse processo, especialistas recomendam refletir sobre três pontos essenciais: pelo que o profissional deseja ser lembrado, qual dor concreta ele resolve e onde sua presença é percebida de forma consistente.

Framework de marca pessoal
A construção de posicionamento costuma se apoiar em pilares complementares. Entre eles estão o domínio técnico do tema de atuação, a entrega consistente que gera credibilidade, a capacidade de comunicar com clareza e estratégia, a constância da mensagem ao longo do tempo, a construção de relações genuínas e o uso inteligente da comunicação digital como ferramenta de visibilidade e autoridade.

Esses elementos, quando combinados, sustentam marcas pessoais sólidas, lembradas e convidadas para oportunidades relevantes ao longo da carreira.

No fim, posicionamento não é sobre falar mais, mas sobre falar o essencial, com intenção, frequência e coerência. Em um mercado cada vez mais disputado, comunicar bem deixou de ser diferencial e passou a ser condição para crescimento profissional sustentável.


Visão Bolso do Investidor

No mercado financeiro, o conceito de posicionamento se conecta diretamente à lógica dos investimentos: o valor só se materializa quando é reconhecido. Assim como ativos descontados podem permanecer baratos por longos períodos sem catalisadores, profissionais altamente competentes podem permanecer invisíveis sem uma narrativa clara.

Comunicação estratégica não substitui competência, mas potencializa seus efeitos. Em um ambiente de competição crescente por capital, clientes e oportunidades, quem entende essa dinâmica tende a construir carreiras mais resilientes, previsíveis e alinhadas ao longo prazo, exatamente como acontece com bons investimentos.


Fontes:

  • InfoMoney