Escassez global de chips de memória impulsiona Micron, que dispara no pré-mercado após projeção forte de lucros

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 18 de dezembro de 2025

As ações da Micron Technology registraram forte alta nesta quinta-feira após a empresa divulgar uma projeção de lucro significativamente acima das expectativas do mercado, refletindo o impacto direto da escassez global de chips de memória em meio à crescente demanda por infraestrutura de inteligência artificial.

Nos negócios de pré-mercado em Nova York, os papéis da companhia chegaram a subir cerca de 14%, impulsionados pela combinação de preços mais elevados e oferta restrita de memória em diversos segmentos da economia, que vão desde smartphones até grandes centros de dados voltados ao processamento de IA.

Segundo a Micron, a escassez generalizada permitiu uma valorização expressiva dos preços de seus produtos, fator que levou a empresa a projetar um lucro ajustado para o segundo trimestre quase duas vezes superior ao consenso de Wall Street. Analistas da Morningstar destacaram que a forte demanda por infraestrutura de inteligência artificial tem sido o principal motor dessa dinâmica.

“A oferta restrita de memória, causada pela imensa demanda por infraestrutura de inteligência artificial, está impulsionando preços de mercado extraordinários para a Micron e seus pares no setor de chips de memória”, escreveram os analistas em nota. Para eles, a atual recuperação cíclica do setor tem criado “um enorme valor para os acionistas”.

A Micron figura entre os três maiores fornecedores globais de chips de memória de alta largura de banda (HBM, na sigla em inglês), ao lado da sul-coreana Samsung e da SK Hynix. Esses chips são componentes essenciais para o treinamento e a operação de modelos de inteligência artificial generativa, segmento que tem concentrado investimentos bilionários nos últimos anos.

O desempenho recente do setor reflete essa tendência. Em 2025, as ações da Micron acumulam valorização superior a 160%. No mesmo período, os papéis da Samsung e da SK Hynix, listados na Coreia do Sul, mais que dobraram e triplicaram de valor, respectivamente. Caso os ganhos no pré-mercado se confirmem, a Micron deverá adicionar mais de US$ 30 bilhões à sua capitalização de mercado.

Durante uma teleconferência com investidores realizada na quarta-feira, o presidente-executivo da Micron, Sanjay Mehrotra, afirmou que espera que o mercado de chips de memória permaneça aquecido mesmo após 2026. Ele reconheceu, no entanto, que se trata de um setor historicamente cíclico, marcado por períodos de forte expansão seguidos por quedas abruptas e alta volatilidade de preços.

Apesar das divergências entre analistas quanto à duração do atual ciclo de alta, frequentemente chamado de “superciclo”. Há consenso em Wall Street de que a escassez de oferta deve persistir além das projeções iniciais da companhia. Mesmo com os esforços das fabricantes para ampliar a capacidade produtiva, a demanda segue crescendo em ritmo acelerado.

Como parte dessa estratégia, a Micron vem adaptando suas instalações industriais para priorizar a produção voltada aos centros de dados de inteligência artificial. A empresa também anunciou a ampliação de seus investimentos, elevando o plano de gastos de capital para 2026 para cerca de US$ 20 bilhões, com foco em atender à crescente demanda.

Analistas da Morningstar avaliam que, embora os preços robustos tendam a se normalizar no longo prazo, a restrição de oferta deverá se estender pelo menos até 2027. O J.P. Morgan compartilha visão semelhante, apontando que o desequilíbrio entre oferta e demanda no mercado de memória pode perdurar por mais alguns anos.


Visão Bolso do Investidor

A disparada das ações da Micron evidencia como a inteligência artificial está redesenhando cadeias produtivas inteiras, especialmente em setores considerados altamente cíclicos, como o de semicondutores. A escassez de chips de memória mostra que a revolução da IA não se limita ao software: ela exige infraestrutura física intensiva, investimentos elevados e planejamento de longo prazo.

Para o investidor, esse cenário reforça a importância de compreender os ciclos do setor e os riscos associados à concentração excessiva em momentos de euforia. Ao mesmo tempo, empresas com posição estratégica, escala global e capacidade de investimento tendem a capturar valor de forma mais consistente ao longo desses ciclos, ainda que enfrentem volatilidade no curto prazo.


Fontes:

  • InfoMoney
  • Reuters