Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 21 de dezembro de 2025

A greve nacional dos petroleiros já impõe perdas estimadas em cerca de R$ 200 milhões por dia à Petrobras, segundo cálculos do economista Cloviomar Cararine, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O movimento começou na última segunda-feira (15), após a ausência de acordo entre a estatal e os trabalhadores. Nos seis primeiros dias de paralisação, a queda acumulada na produção foi estimada em cerca de 300 mil barris de petróleo e gás.
Impactos na produção e no refino
De acordo com o Dieese, apenas na área de Exploração e Produção (E&P), a redução representa perdas de aproximadamente US$ 18 milhões por dia, o equivalente a cerca de R$ 100 milhões diários. No segmento de refino, os prejuízos adicionais são estimados em cerca de R$ 90 milhões por dia. Somados, os impactos diretos ultrapassam os R$ 200 milhões diários, sem considerar efeitos indiretos sobre subsidiárias como Transpetro, TBG e PBio.
Embora os dados oficiais da Agência Nacional do Petróleo (ANP) tenham defasagem, levantamentos preliminares do Dieese e de sindicatos da categoria já indicam perdas relevantes nas operações.
Negociação travada amplia prejuízos
Segundo dirigentes sindicais, a falta de uma negociação efetiva por parte da diretoria da Petrobras tem empurrado a greve para um cenário prolongado, inclusive atravessando o período de festas de fim de ano. Cararine destacou ainda o descompasso entre o custo da paralisação e o valor das reivindicações. A proposta da empresa prevê reajuste de 0,5%, com impacto estimado em R$ 85 milhões ao ano, valor inferior ao prejuízo registrado em apenas um dia de greve.
Visão Bolso do Investidor
Do ponto de vista do investidor, greves prolongadas em empresas de grande porte como a Petrobras afetam diretamente receita, fluxo de caixa e previsibilidade operacional, fatores que tendem a aumentar a volatilidade das ações no curto prazo.
Além do impacto financeiro imediato, conflitos trabalhistas não resolvidos elevam a percepção de risco de gestão e podem pressionar decisões estratégicas, especialmente em momentos de maior sensibilidade política e econômica. Para o acionista, o custo da paralisação reforça a importância de soluções negociadas, já que a continuidade das perdas pode se tornar mais onerosa do que o próprio atendimento das demandas salariais.
Fontes: Infomoney
