Dólar: após queda em 2025, o que esperar para a moeda americana em 2026?

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 22 de dezembro de 2025

Depois de registrar uma queda expressiva ao longo de 2025, o dólar frente ao real deve enfrentar um ano de 2026 marcado por forte volatilidade. Analistas apontam que o comportamento da moeda americana será influenciado tanto pelo cenário externo, especialmente pela política monetária dos Estados Unidos, quanto por fatores domésticos, com destaque para as eleições presidenciais no Brasil.

Em 2025, o câmbio foi impactado por duas forças opostas. No cenário internacional, houve uma tendência clara de desvalorização do dólar frente às moedas de mercados emergentes. Já no ambiente doméstico, questões políticas e fiscais atuaram no sentido contrário, pressionando a moeda americana para cima em alguns momentos.

No balanço desses vetores, a fraqueza global do dólar acabou prevalecendo. Segundo Luis Garcia, CIO da SulAmérica Investimentos, esse movimento resultou na valorização do real, mesmo diante de desafios internos. Até o fechamento da última sexta-feira (19), o dólar acumulava queda de 10,5% em 2025, cotado a R$ 5,53, embora tenha registrado alta de 3,6% no mês.

Cenário para 2026: dólar mais fraco, mas com maior volatilidade

Para 2026, a expectativa é de que o real continue se beneficiando da tendência global de enfraquecimento do dólar. No entanto, o período eleitoral deve aumentar significativamente a volatilidade da taxa de câmbio. Garcia destaca que o nível do dólar ao final do próximo ano estará diretamente ligado ao desfecho das eleições presidenciais.

Bruno Botelho, chefe de mesa de câmbio da ONE Investimentos, reforça que o dólar apresentou forte oscilação ao longo de 2025, influenciado pela postura do Federal Reserve e pelas incertezas fiscais e políticas no Brasil. Para 2026, sua projeção é de um dólar em torno de R$ 5,50, com volatilidade elevada ao longo do ciclo eleitoral.

A mesma leitura é compartilhada por Alison Correia, da Dom Investimentos. Segundo ele, a tendência macro para o câmbio em 2026 é de baixa, sustentada pela atratividade da taxa de juros brasileira para investidores estrangeiros, mesmo considerando possíveis cortes ao longo do ano. Ainda assim, as incertezas eleitorais devem provocar oscilações relevantes na moeda.

Projeções de bancos e gestores para o câmbio

Gustavo Rostelato, economista da Armor Capital, avalia que o dólar pode apresentar um fortalecimento moderado no cenário global, impulsionado pela resiliência da economia americana e por dois cortes graduais nos juros dos Estados Unidos. No Brasil, ele espera um fluxo positivo no primeiro trimestre, seguido por maior volatilidade no restante do ano, com o câmbio também projetado em torno de R$ 5,50.

O JPMorgan observa que o real opera próximo desse patamar após o aumento do ruído eleitoral, intensificado pela confirmação da candidatura de Flávio Bolsonaro. O banco destaca que a moeda se desvalorizou cerca de 3% nesse contexto e mantém posição neutra no câmbio até o início de 2026. Segundo a instituição, o mercado precifica uma probabilidade maior de transição política, enquanto a relação risco-retorno segue mais favorável para posições em juros.

Essa visão é compartilhada pela XP Investimentos, que também projeta o dólar próximo de R$ 5,50 no próximo ano.

Já o Morgan Stanley trabalha com um cenário de maior volatilidade ao longo de 2026. O banco estima que a moeda americana pode atingir R$ 5,60 no terceiro trimestre, em meio às incertezas eleitorais, com posterior recuo para R$ 5,30 ao final do ano. A instituição ressalta, no entanto, que suas projeções refletem um cenário ponderado por probabilidades e não um resultado eleitoral específico, destacando que um governo favorável ao mercado poderia levar o dólar a se consolidar abaixo de R$ 5,00 após as eleições.

Um ano de equilíbrio delicado para o câmbio

Dessa forma, 2026 tende a ser um ano de equilíbrio delicado para o dólar no Brasil. A moeda americana continuará sendo influenciada por fatores globais, enquanto o real permanecerá sensível às incertezas políticas, fiscais e eleitorais. O resultado será um ambiente de maior volatilidade, exigindo atenção redobrada de investidores e agentes econômicos.

Visão Bolso do Investidor

O comportamento do dólar em 2026 reforça a importância de compreender o câmbio como uma variável multifatorial, influenciada tanto por decisões externas quanto por fatores internos. Para o investidor, a volatilidade cambial tende a gerar riscos, mas também oportunidades, especialmente em estratégias de diversificação e proteção de carteira.

Em anos eleitorais, movimentos bruscos no câmbio são comuns, e decisões precipitadas costumam ser penalizadas pelo mercado. Mais do que tentar prever o valor exato do dólar, o foco deve estar na gestão de risco, no horizonte de longo prazo e na construção de portfólios preparados para diferentes cenários econômicos.

Fontes: Infomoney