Fim de ano impulsiona procura por seguros e amplia proteção contra imprevistos

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 23 de dezembro de 2025

O período de fim de ano costuma ser marcado por um aumento significativo no volume de compras, viagens e transações digitais no Brasil. Esse movimento intensifica a exposição a riscos como furtos, danos a bens recém-adquiridos, despesas médicas em deslocamentos e fraudes financeiras, elevando a demanda por diferentes modalidades de seguros.

Dados do setor mostram que, até setembro de 2025, os seguros de danos e responsabilidades registraram crescimento próximo de 7%, impulsionados principalmente por produtos como garantia estendida, seguro para celular e proteção contra fraudes. As informações são da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg). No mesmo período, o seguro-viagem avançou 6,7%, movimentando R$ 749,5 milhões em prêmios.

Na prática, esse cenário reflete a busca dos consumidores por alternativas que ajudem a evitar gastos inesperados, por meio de mensalidades acessíveis e processos de indenização mais ágeis.

Garantia estendida ganha espaço

Entre os seguros mais contratados nesta época do ano, a garantia estendida se destaca. O produto amplia a cobertura oferecida pelo fabricante, protegendo bens como eletroeletrônicos após o fim da garantia original.

Nos primeiros nove meses de 2025, esse segmento arrecadou mais de R$ 3 bilhões, o que representa uma alta de 9,6% em relação ao mesmo período de 2024, segundo a Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg). A entidade aponta que, em um contexto de aumento nas vendas de eletroeletrônicos, a garantia estendida se consolida como uma ferramenta de previsibilidade financeira para o consumidor.

Levantamento da seguradora Assurant indica que 42% dos brasileiros que compraram esses bens nos últimos 12 meses aderiram à garantia estendida, e metade deles pretende repetir a contratação em futuras aquisições.

Seguro de celular acompanha alta nos furtos

A troca ou compra de smartphones também se intensifica no Natal, acompanhada por um aumento nos índices de criminalidade. Entre dezembro de 2024 e abril de 2025, os furtos cresceram 4,9%, totalizando 76.520 ocorrências, de acordo com dados do Ministério da Justiça.

O seguro de celular cobre situações como roubo, furto e danos acidentais. Atualmente, o Brasil conta com cerca de 10 milhões de aparelhos segurados, o que corresponde a apenas 4% da base total em circulação. Esse mercado movimenta aproximadamente R$ 2,5 bilhões por ano em prêmios, com custo médio entre 20% e 25% do valor do aparelho.

Apesar do crescimento, o nível de cobertura ainda é considerado baixo frente ao tamanho do mercado, o que indica potencial de expansão. A contratação costuma ser totalmente digital, com acionamento do seguro feito por aplicativos ou plataformas online.

Os valores variam conforme o perfil do segurado, a localização, o tipo de cobertura e fatores como rotina e histórico de uso. Há opções flexíveis, inclusive planos de curta duração, com vigência de dias, semanas ou meses, e ativação imediata. Os planos mais básicos geralmente cobrem roubo e furto qualificado, enquanto as opções mais completas incluem furto simples, danos acidentais, contato com líquidos e defeitos não contemplados pela garantia de fábrica.

Proteção contra fraudes e golpes digitais

O aumento das compras online e do uso do Pix no fim de ano também amplia a incidência de tentativas de fraude. Até março de 2025, 38% dos brasileiros relataram ter sofrido tentativas de golpe, ante 33% em setembro de 2024, segundo o Radar Febraban, da Federação Brasileira de Bancos.

Nesse contexto, cresce a procura pelo chamado “seguro Pix”, voltado principalmente para transações realizadas sob coação ou em situações de violência. Esse tipo de seguro não cobre contestações comuns do cliente, mas funciona como uma camada adicional de proteção. Normalmente oferecido em apólices de afinidade ou vinculadas a cartões, o custo parte de cerca de R$ 2,90 por mês, variando conforme o limite de indenização contratado.

Seguro-viagem acompanha retomada dos deslocamentos

Com o aumento das viagens de lazer no período, o seguro-viagem segue em expansão. A modalidade cobre despesas médicas, extravio de bagagem e cancelamentos, refletindo a retomada do turismo após a pandemia. Para viagens dentro do Brasil, o custo diário do seguro-viagem começa em torno de R$ 5. Já para destinos na América Latina, Europa, Ásia, África e Oceania, o valor inicial gira em torno de R$ 24 por dia. Nos Estados Unidos e Canadá, o custo sobe para cerca de R$ 42 diários, devido ao alto custo dos serviços de saúde nesses países.

As seguradoras têm ampliado a oferta de planos personalizados, voltados a perfis específicos, como famílias com crianças, estudantes em intercâmbio, cruzeiristas, viajantes LGBTQIA+, praticantes de esportes de inverno ou mergulho e executivos. Além das coberturas básicas, há proteções adicionais para atraso de voo, perda de bagagem, cancelamento de viagem, reembolso de aulas de esqui, assistência jurídica, telepsicologia e até cobertura para dias de chuva.

Visão Bolso do Investidor

O aumento da procura por seguros no fim de ano reforça a importância do planejamento financeiro e da gestão de riscos no orçamento das famílias. Seguros não eliminam imprevistos, mas ajudam a reduzir impactos financeiros inesperados, especialmente em períodos de maior consumo e deslocamento. Para consumidores e investidores, compreender custos, coberturas e limitações desses produtos é essencial para equilibrar proteção, previsibilidade e uso consciente do dinheiro.

Fontes: InfoMoney