Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 23 de dezembro de 2025

Os mercados globais atravessaram 2025 em um ambiente de elevada volatilidade, marcado por incertezas geopolíticas, tensões comerciais e mudanças relevantes na política econômica dos Estados Unidos. A elevação das tarifas de importação promovida pelo presidente Donald Trump e os embates comerciais com a China criaram um cenário de instabilidade que impactou diretamente a alocação de capital ao redor do mundo.
Ao mesmo tempo, o rali das grandes empresas de tecnologia norte-americanas começou a perder fôlego no fim do ano, à medida que cresciam as preocupações com os elevados volumes de investimento necessários para sustentar o avanço da inteligência artificial. O resultado foi uma rotação global de ativos, com investidores buscando maior diversificação geográfica e setorial, movimento que favoreceu bolsas fora dos Estados Unidos e contribuiu para a desvalorização do dólar.
Mesmo nesse contexto, os principais índices americanos ainda acumulam ganhos relevantes em 2025. O S&P 500 sobe cerca de 15% no ano, enquanto o Nasdaq registra alta próxima de 19%. Ainda assim, o desempenho ficou aquém de vários mercados emergentes e de países fora do eixo tradicional americano.
Rotação setorial e novos protagonistas globais
Dentro do mercado americano, as chamadas “Sete Magníficas” perderam espaço relativo para empresas de outros setores, especialmente mineração. Companhias ligadas à extração de terras raras, insumo estratégico tanto para a indústria de defesa quanto para a própria inteligência artificial, ganharam destaque. Mineradoras de ouro também se beneficiaram da alta do metal, enquanto fornecedores de equipamentos para data centers e infraestrutura de IA mantiveram bom desempenho.
Esse movimento fica claro na lista dos BDRs com maiores altas do ano negociados na B3 até 17 de dezembro, segundo dados da Economática. Empresas de mineração da África do Sul lideraram os ganhos, com valorizações superiores a 200%, acompanhadas por fabricantes de equipamentos de armazenamento e chips, além de companhias de mídia e bancos europeus.
Por outro lado, algumas grandes empresas americanas apresentaram desempenho mais fraco quando convertido para reais, impactadas tanto pela correção de preços das ações quanto pela queda do dólar. Amazon e Meta, por exemplo, registram perdas no ano, enquanto Microsoft e Berkshire Hathaway operam praticamente estáveis.
Menos dólar, mais “resto do mundo”
Após o chamado “Liberation Day” e o anúncio do aumento das tarifas de importação pelos Estados Unidos, investidores globais passaram a reduzir exposição ao dólar e a ativos americanos, direcionando recursos para mercados considerados mais competitivos. Esse processo impulsionou bolsas emergentes, incluindo a brasileira, que acumulou valorização próxima de 45% em dólar ao longo do ano.
Segundo estrategistas, essa rotação global deve continuar em 2026. A XP Investimentos, por exemplo, adotou ao longo de 2025 uma estratégia de reduzir exposição aos Estados Unidos e aumentar a alocação em mercados emergentes. Mais recentemente, o posicionamento em ativos americanos foi ajustado de “abaixo do neutro” para “neutro”, com atenção especial às empresas ligadas à inteligência artificial, cujo crescimento de lucro tem acompanhado os altos investimentos realizados.
Inteligência artificial sem bolha, mas com desafios
Apesar das preocupações, analistas não enxergam uma bolha no setor de inteligência artificial. O debate atual gira em torno da capacidade das empresas de sustentar investimentos elevados nos próximos anos sem comprometer margens e fluxo de caixa. A avaliação é que o crescimento do lucro por ação ainda tem surpreendido positivamente, justificando uma postura mais equilibrada em relação ao setor.
No cenário regional, a recomendação segue “neutra” para Europa e Reino Unido, “acima do neutro” para China e mercados emergentes e “abaixo do neutro” para o Japão, que atravessa uma mudança de regime monetário com tendência de juros mais elevados.
Estratégias globais para 2026
Outras casas de investimento também reforçam a tese de diversificação. O Itaú BBA ampliou sua exposição ao chamado “resto do mundo”, com foco em ações de mercados emergentes, especialmente asiáticos, e empresas de crescimento fora dos EUA. Na renda fixa, a preferência recai sobre crédito corporativo americano, que oferece retornos mais elevados do que os títulos públicos.
O UBS Global Wealth Management, por sua vez, mantém recomendação positiva para bolsas globais, com destaque para tecnologia, inclusive na China, como forma de reduzir a dependência das grandes empresas americanas. A instituição também recomenda exposição a commodities, como ouro, prata e metais industriais, além de diversificação cambial.
Atenção ao câmbio e ao custo da diversificação
Para o investidor brasileiro, especialistas alertam que a diversificação internacional deve considerar o impacto da variação cambial. Com a expectativa de novos cortes de juros nos Estados Unidos, o dólar pode seguir pressionado, o que pode reduzir o retorno em reais de investimentos no exterior.
Por isso, a recomendação é diversificar com parcimônia, utilizando instrumentos locais, como BDRs e ETFs negociados na B3, especialmente para investidores com patrimônio menor, evitando custos elevados de manutenção de contas no exterior.
Visão Bolso do Investidor
O movimento de diversificação global observado em 2025 não foi pontual e tende a se consolidar em 2026. A concentração excessiva em tecnologia americana começa a dar lugar a uma alocação mais equilibrada, com maior peso para mercados emergentes, setores ligados a commodities estratégicas e regiões fora do eixo tradicional dos EUA.
Para o investidor, o principal aprendizado é claro: diversificar não é apenas uma estratégia defensiva, mas uma forma de capturar oportunidades que surgem em diferentes ciclos econômicos. Em um mundo mais fragmentado e volátil, reduzir a dependência de um único país, moeda ou setor passa a ser um pilar essencial da construção de patrimônio no longo prazo.
Fontes:
- Infomoney
- Economatica
