Direita larga na frente em estados-chave, mas eleições de 2026 ainda mostram país politicamente fragmentado

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 25 de dezembro de 2025

As eleições estaduais de 2026 devem promover uma reorganização significativa do poder político no Brasil. Com governadores em fim de mandato, disputas abertas em estados estratégicos e cenários ainda indefinidos em diversas regiões, as pesquisas divulgadas até aqui desenham um mapa fragmentado, com vantagem inicial do campo da direita e do centro-direita, mas sem domínio absoluto.

A pouco mais de dez meses do pleito, os levantamentos indicam que candidaturas alinhadas a partidos como PL, Republicanos, União Brasil, PP, PSD e Novo aparecem competitivas ou lideram em grande parte dos estados. Ao mesmo tempo, o campo governista mantém força relevante, sobretudo no Nordeste, onde ainda concentra seus principais redutos eleitorais.


Um país dividido no pós-2026

Considerando a fotografia atual das pesquisas, a direita e o centro-direita aparecem hoje com vantagem competitiva em cerca de 16 a 18 governos estaduais. Esse grupo inclui estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Espírito Santo, Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Tocantins e parte do Nordeste, como Alagoas, Rio Grande do Norte e Maranhão.

Já o campo ligado à esquerda e ao governo federal aparece com vantagem mais clara em 8 a 10 estados, concentrados principalmente no Nordeste, com destaque para Pernambuco, Piauí, Ceará e Sergipe. Em estados como Bahia, Maranhão e Rio Grande do Norte, o cenário ainda é altamente competitivo e pode mudar conforme a consolidação das candidaturas.

Se esse desenho se confirmar, a direita e o centro-direita formarão maioria entre os governadores a partir de 2027, ampliando influência sobre bancadas federais e articulação política nacional, ainda que sem hegemonia absoluta.


Centro-Oeste: sucessões favorecem o centro-direita

No Distrito Federal, a vice-governadora Celina Leão (PP) lidera com 37,2% das intenções de voto, segundo o Real Time Big Data. O ex-governador José Roberto Arruda aparece com 16%, enquanto Leandro Grass (PT) soma 9,7%, indicando uma sucessão com baixa competitividade para a esquerda no momento.

Em Goiás, a saída de Ronaldo Caiado impulsiona Daniel Vilela (MDB), que lidera com 39,3% segundo o Paraná Pesquisas, seguido por Marconi Perillo (PSDB), com 24,4%. A deputada Adriana Accorsi (PT) marca 12,9%.

No Mato Grosso, o senador Wellington Fagundes (PL) lidera com 43%, reforçando a força da direita em um estado estratégico para o agronegócio.

Já no Mato Grosso do Sul, o governador Eduardo Riedel (PP) lidera com ampla vantagem (55%), caminhando para a reeleição e mantendo o estado no campo do centro-direita.


Sudeste: disputas estratégicas e cenários consolidados

Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas lidera com folga todos os cenários testados. Em simulações contra ministros do governo federal, aparece com até 49% das intenções de voto, consolidando a direita no maior colégio eleitoral do país.

No Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD) desponta com mais de 55%, sugerindo uma sucessão previsível. O segundo colocado, Rodrigo Bacellar (União), aparece distante, com cerca de 14%.

Minas Gerais segue como um dos estados mais imprevisíveis. O senador Cleitinho (Republicanos) lidera quando aparece nos cenários, com 38%, mas sua ausência reorganiza completamente a disputa, abrindo espaço para Alexandre Kalil, Rodrigo Pacheco e Marília Campos.

No Espírito Santo, Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Ricardo Ferraço (MDB) aparecem empatados com cerca de 30%, indicando uma eleição equilibrada e menos ideológica.


Nordeste: reduto governista, mas com disputas crescentes

O Nordeste permanece como principal base do campo governista, mas com sinais claros de competição em alguns estados.

Em Pernambuco, João Campos (PSB) lidera com 55% e pode vencer no primeiro turno, indicando continuidade de um projeto de centro-esquerda.

No Ceará, Ciro Gomes aparece à frente com 46%, seguido pelo governador Elmano com 33,2%.

O Piauí apresenta um dos cenários mais consolidados: Rafael Fonteles (PT) lidera com 64%, contra 24% de Ciro Nogueira (PP).

Na Bahia, ACM Neto (União) e Jerônimo Rodrigues (PT) aparecem em disputa acirrada, repetindo a polarização de 2022.

Em Alagoas, o embate entre JHC (PL) e Renan Filho (MDB) representa uma disputa direta entre oposição e governo federal.

O Maranhão surge como um dos estados mais abertos, com Eduardo Braide (PSD) liderando, mas enfrentando concorrência relevante de diferentes campos políticos.


Sul: inclinação à direita, com exceções

No Paraná, Sergio Moro (União) lidera com 47,5%, consolidando um campo oposicionista forte.

Em Santa Catarina, Jorginho Mello (PL) aparece como favorito à reeleição, com 48%.

O Rio Grande do Sul permanece indefinido: Luciano Zucco (PL) lidera com 28%, seguido por Juliana Brizola (PDT) e Edegar Pretto (PT), ambos próximos.


Norte: avanço do centro-direita com peso regional

No Acre, Alan Rick (União) lidera com folga.
No Amapá, Dr. Furlan (MDB) aparece muito à frente do atual governador, indicando provável troca de comando.
No Amazonas, Omar Aziz (PSD) lidera com perfil centrista.
No Pará, Hana Ghassan (MDB), apoiada por Helder Barbalho, lidera e indica continuidade política.

Estados como Rondônia e Tocantins seguem imprevisíveis, mas com tendência de manutenção no campo da direita.
Em Roraima, o cenário aponta para continuidade centrista, independentemente do vencedor.


Visão Bolso do Investidor

O mapa eleitoral de 2026 revela um Brasil politicamente fragmentado, com avanço relevante da direita e do centro-direita, mas sem hegemonia nacional. O cenário reforça a importância das eleições estaduais como elemento-chave para a governabilidade a partir de 2027, influenciando a composição do Congresso, alianças políticas e o ambiente institucional.

Para o investidor, esse quadro tende a manter um ambiente de volatilidade política ao longo de 2026, especialmente em estados economicamente estratégicos. A consolidação das candidaturas e o alinhamento dos futuros governadores com o governo federal serão fatores determinantes para as expectativas fiscais, investimentos públicos e políticas setoriais nos próximos anos.


Fontes:

  • InfoMoney