Itaúsa amplia participação na Alpargatas e ações reagem após semana de turbulência

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 26 de dezembro de 2025

As ações da Alpargatas voltaram a ganhar força na Bolsa brasileira nesta sexta-feira (26), após a holding Itaúsa ampliar sua participação acionária na companhia, movimento que ajudou a recompor a confiança do mercado depois da forte repercussão negativa envolvendo uma campanha publicitária da marca Havaianas.

Por volta das 10h30, os papéis ordinários da Alpargatas (ALPA3), que dão direito a voto nas assembleias, avançavam 4,29%, sendo negociados a R$ 11,43. Já as ações preferenciais (ALPA4), que oferecem prioridade na distribuição de dividendos, recuavam 0,34%, cotadas a R$ 11,86.

A reação positiva ocorreu após a divulgação de que a Itaúsa elevou sua participação individual na Alpargatas para aproximadamente 15,94% das ações preferenciais, ampliando a fatia conjunta dos acionistas controladores, tanto em ALPA3 quanto em ALPA4, para cerca de 40,03% do capital da companhia.

Movimento ocorre após polêmica com campanha da Havaianas

A valorização dos papéis acontece poucos dias depois de a empresa enfrentar uma semana marcada por volatilidade. No início da semana, as ações da Alpargatas chegaram a cair após um chamado público de boicote à marca Havaianas feito pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.

O episódio teve origem em uma campanha publicitária de fim de ano estrelada pela atriz Fernanda Torres, lançada para a virada de 2025 para 2026. No vídeo, a atriz faz um jogo de palavras ao afirmar que não deseja que as pessoas comecem o novo ano “com o pé direito”, defendendo que o ano seja iniciado “com os dois pés”, em uma mensagem que estimula atitude, movimento e protagonismo pessoal.

Apesar do tom motivacional, o conteúdo foi interpretado por parlamentares e influenciadores conservadores como uma provocação política. Eduardo Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais em que aparece descartando um par de sandálias da marca e acusando a campanha de carregar uma mensagem ideológica.

A repercussão gerou reação imediata no mercado, levando a uma queda expressiva no valor de mercado da companhia nos pregões seguintes. Na terça-feira (24), no entanto, os papéis já haviam encerrado o dia em alta, apagando parte das perdas, movimento que se consolidou com o anúncio da ampliação da participação da Itaúsa.

Reforço do controlador ajuda a recompor percepção do mercado

Para analistas, o aumento da participação da Itaúsa funcionou como um sinal claro de confiança no negócio, ajudando a reduzir o ruído gerado pela polêmica e a reforçar a leitura de que o controlador segue comprometido com a estratégia de longo prazo da Alpargatas.

O movimento também foi interpretado como uma tentativa de estabilizar o valor das ações em um momento de exposição elevada da marca, além de sinalizar apoio institucional em meio a um episódio de desgaste reputacional.

Visão Bolso do Investidor

Do ponto de vista do investidor, o episódio reforça dois pontos importantes. O primeiro é que ruídos políticos e reputacionais podem gerar volatilidade de curto prazo, especialmente em empresas de consumo com marcas fortes e grande exposição ao público. O segundo é que a atuação do acionista controlador costuma ser decisiva para restaurar a confiança do mercado.

O aumento de participação da Itaúsa indica alinhamento estratégico e compromisso com a empresa, reduzindo incertezas no médio e longo prazo. Para o investidor, mais do que reagir ao noticiário pontual, o foco deve permanecer nos fundamentos do negócio, na governança e no posicionamento estratégico da companhia dentro do seu setor.


Fontes:

  • InfoMoney