Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 31 de dezembro de 2025

As declarações prestadas à Polícia Federal pelo empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e pelo ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, contêm divergências relevantes, segundo avaliação de interlocutores ligados ao gabinete do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com essas fontes, as inconsistências identificadas nos depoimentos podem levar a Polícia Federal a promover uma acareação entre Vorcaro, Costa e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, com o objetivo de confrontar diretamente as versões apresentadas.
Daniel Vorcaro foi o primeiro a depor. A oitiva ocorreu na tarde desta terça-feira e durou cerca de duas horas e meia. Logo após, teve início o depoimento de Paulo Henrique Costa. Ainda para esta terça-feira, está prevista a oitiva de Ailton de Aquino Santos.
As audiências estão sendo acompanhadas por um juiz auxiliar vinculado ao gabinete do ministro Dias Toffoli, que é o relator do caso no STF.
Na semana passada, Toffoli havia determinado a realização de uma acareação entre os envolvidos. No entanto, na segunda-feira, o Supremo informou inicialmente que apenas os depoimentos seriam colhidos neste momento, cabendo à Polícia Federal avaliar posteriormente a necessidade de confronto direto entre as partes.
A Corte não detalhou as razões para a adoção desse novo procedimento nem divulgou oficialmente o teor da decisão mais recente do ministro, uma vez que o processo tramita sob sigilo.
As oitivas fazem parte de uma investigação que apura a tentativa de venda do Banco Master ao BRB, instituição financeira controlada pelo governo do Distrito Federal. A operação foi vetada pelo Banco Central em setembro. Dois meses após a negativa, Vorcaro foi preso, e, na sequência, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master, diante de suspeitas de operações fraudulentas que somariam cerca de R$ 12 bilhões.
Inicialmente, a investigação tramitava na Justiça Federal do Distrito Federal. O caso foi remetido ao Supremo Tribunal Federal por decisão de Dias Toffoli, depois que a Polícia Federal encontrou um documento que mencionava uma negociação imobiliária envolvendo Daniel Vorcaro e um deputado federal, o que atraiu a competência do STF.
No último sábado, Toffoli esclareceu que Ailton de Aquino Santos, diretor de Fiscalização do Banco Central, não figura como investigado no inquérito, em resposta a um pedido formal de esclarecimentos apresentado pela própria autoridade monetária. Apesar disso, o ministro ressaltou que os fatos sob apuração envolvem diretamente a atuação do órgão regulador do sistema financeiro nacional.
Também na semana passada, Toffoli rejeitou um pedido apresentado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) que solicitava o cancelamento da acareação, mantendo a possibilidade de confronto entre os depoentes caso a Polícia Federal considere necessário.
Visão Bolso do Investidor
O caso envolvendo o Banco Master, o BRB e o Banco Central expõe um ponto sensível do sistema financeiro: a interação entre instituições privadas, bancos públicos e o órgão regulador. Independentemente do desfecho jurídico, a investigação reforça a importância da atuação técnica e independente do Banco Central em processos de fiscalização, autorizações societárias e eventuais intervenções.
Para o investidor, episódios como esse costumam gerar ruído de curto prazo, sobretudo em ativos ligados ao setor financeiro ou a empresas envolvidas direta ou indiretamente em processos regulatórios. No médio e longo prazo, porém, o fator mais relevante é a previsibilidade institucional. A condução das investigações, o respeito ao devido processo legal e a clareza das decisões regulatórias são essenciais para preservar a confiança no sistema financeiro brasileiro.
Casos de divergências em depoimentos e possíveis acareações indicam que o processo ainda está em fase de esclarecimento dos fatos. Até que haja conclusões formais, o investidor deve acompanhar o tema com cautela, evitando decisões baseadas apenas em manchetes ou especulações, e mantendo foco em fundamentos, governança e solidez das instituições financeiras em sua carteira.
Fontes:
- InfoMoney
- O Globo
