Bancos projetam desaceleração gradual do crédito em 2026 e veem corte da Selic só a partir de março

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 1º de janeiro de 2026

Os bancos brasileiros esperam que o mercado de crédito desacelere de forma lenta ao longo de 2026, mesmo após um novo ano de crescimento robusto. A expectativa é que a carteira total de crédito cresça 9,2% em 2025 e perca fôlego gradualmente no próximo ano, encerrando 2026 com alta de 8,2%, segundo a Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas da Febraban.

O levantamento ouviu 20 instituições financeiras entre os dias 17 e 19 de dezembro e mostra que, apesar da taxa Selic elevada, o crédito segue resiliente. A revisão para cima da projeção de 2025 reflete principalmente o avanço do crédito direcionado, cuja estimativa subiu para 10,9%, impulsionada pelas operações voltadas a empresas, especialmente por meio de programas governamentais.

Na carteira de pessoas jurídicas, o crescimento projetado passou para 15,3%, enquanto o crédito direcionado às famílias avançou para 8,7%, sustentado pelo bom desempenho do financiamento habitacional. Já na carteira livre, a projeção para 2025 foi levemente reduzida para 8,0%, com desaceleração mais clara no crédito às empresas, afetado por condições financeiras mais restritivas e maior concorrência do mercado de capitais.

Para 2026, quase 74% dos analistas esperam desaceleração do crédito, mas sem retração brusca. A pesquisa aponta melhora nas projeções tanto para a carteira livre quanto para a direcionada, refletindo a avaliação de que a moderação observada em 2025 deve continuar de forma gradual.

Segundo Rubens Sardenberg, diretor da Febraban, o crescimento do crédito tem se mantido relativamente forte mesmo com a Selic em patamar elevado, sustentado principalmente por linhas direcionadas a micro, pequenas e médias empresas e por crédito ao consumo das famílias.

Selic e inflação no radar

A pesquisa também indica que 70% dos bancos acreditam que o ciclo de queda da taxa Selic só deve começar na reunião de março do Copom, mantendo a taxa em 15% ao ano em janeiro. A expectativa predominante é de cortes graduais de 0,50 ponto percentual ao longo de 2026.

Em relação à inflação, metade dos participantes avalia que os preços devem permanecer acima da meta no próximo ano, pressionados por estímulos fiscais e de crédito. Já 35% projetam inflação abaixo do consenso, sinalizando continuidade do viés de desaceleração.

Atividade, risco fiscal e inadimplência

O sentimento sobre a atividade econômica em 2026 melhorou. A parcela de analistas que projeta crescimento de 1,8% do PIB aumentou para 55%. No campo fiscal, embora ninguém espere descumprimento da meta, 80% acreditam que o governo precisará adotar medidas adicionais, sobretudo pelo lado das despesas.

A inadimplência segue como ponto de atenção. A taxa projetada para a carteira livre subiu para 5,2% em 2026, ainda próxima dos níveis observados recentemente pelo Banco Central.

No cenário internacional, 60% dos bancos esperam que o Federal Reserve promova dois cortes de 0,25 ponto percentual nos juros dos Estados Unidos em 2026, diante da moderação da atividade e do mercado de trabalho.

Visão Bolso do Investidor

A expectativa de desaceleração gradual do crédito, combinada com cortes moderados da Selic, sugere um ambiente de transição em 2026. Para investidores, o cenário reforça a importância de acompanhar a qualidade do crédito, a evolução da inadimplência e o ritmo do afrouxamento monetário, fatores que influenciam diretamente consumo, atividade econômica e desempenho dos ativos financeiros.

Fontes: InfoMoney