Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 5 de janeiro de 2026

A deposição do presidente venezuelano Nicolás Maduro após uma ação militar dos Estados Unidos reacendeu alertas no mercado global de petróleo e trouxe reflexos indiretos para a Petrobras, apesar de a estatal brasileira não operar diretamente na Venezuela.
O principal canal de impacto é o preço internacional do barril. A Venezuela detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, estimadas em cerca de 300 bilhões de barris, mas produz atualmente em torno de 1 milhão de barris por dia. Segundo analistas, o efeito imediato da mudança política sobre a oferta global é limitado, mas o cenário pode mudar caso investimentos estrangeiros voltem a fluir para o país.
Especialistas apontam que uma eventual retomada da produção venezuelana, especialmente de petróleo pesado, pode pressionar os preços no médio e longo prazo. Para a Petrobras, isso significa maior cautela no planejamento de investimentos e na execução do plano de negócios, sobretudo em projetos com retorno mais sensível ao preço do barril.
Impactos no planejamento e no caixa da Petrobras
A Petrobras já trabalha com cenários alternativos de preços do petróleo em seu planejamento estratégico. Uma queda mais estrutural do barril afeta diretamente o fluxo de caixa da companhia e, consequentemente, a arrecadação do governo e o retorno aos acionistas.
Analistas destacam que, no curto prazo, os investimentos da estatal estão majoritariamente contratados, o que reduz o impacto imediato. No entanto, a partir de 2028, há maior flexibilidade para ajustes, caso o ambiente global de preços se torne menos favorável.
Outro ponto relevante é que o petróleo venezuelano exige elevados investimentos para ampliar a produção, o que limita uma expansão rápida da oferta. Mesmo com a redistribuição do petróleo antes exportado majoritariamente à China, a expectativa é de que não haja uma ruptura significativa no equilíbrio global do mercado.
Venezuela e Opep: influência reduzida
A Venezuela perdeu protagonismo dentro da OPEP nos últimos anos, reflexo da queda acentuada de sua produção. O país praticamente deixou de influenciar decisões sobre cotas e níveis de oferta do cartel, o que explica a ausência de menções relevantes à Venezuela nos comunicados recentes do grupo.
Assim, embora a mudança política em Caracas tenha peso geopolítico relevante, seu impacto direto sobre a dinâmica da Opep e sobre a produção global ainda é considerado limitado no curto prazo.
Visão Bolso do Investidor
Para o investidor, a queda de Maduro importa menos pela Venezuela em si e mais pelo efeito que o episódio pode ter sobre o preço do petróleo e a volatilidade dos mercados. No caso da Petrobras, o impacto é indireto, mas relevante: preços mais baixos exigem disciplina de capital, eficiência operacional e ajustes no ritmo de investimentos. O cenário reforça a importância de acompanhar o ciclo do petróleo e a geopolítica global ao avaliar empresas do setor de energia.
Fontes: InfoMoney
