Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 06 de janeiro de 2026

Em discurso dirigido a deputados do Partido Republicano nesta terça-feira, dia 6, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exaltou a capacidade militar americana e afirmou que nenhuma outra nação é “páreo” para o país. Durante a fala, ele classificou como “brilhante” a operação conduzida na Venezuela que resultou na captura do então presidente Nicolás Maduro.
“Ninguém é páreo para nós. Ninguém é capaz de fazer o que fizemos”, declarou Trump ao comentar a ação militar. Em seguida, reforçou que os Estados Unidos demonstraram ser “os mais poderosos, os mais sofisticados e sem medo” e afirmou que nenhuma outra nação teria capacidade de executar uma operação semelhante, destacando a rapidez e o arsenal empregado.
O discurso ocorreu no Kennedy Center, onde parlamentares republicanos estavam reunidos. Durante sua fala, Trump detalhou aspectos da ação realizada no sábado, dia 3, fez comentários irônicos sobre o comportamento de Maduro e afirmou que o líder venezuelano seria violento e responsável por torturas.
Trump nega guerra com a Venezuela
Embora tenha sido a primeira manifestação oficial de Trump sobre a operação desde o fim de semana, o presidente já havia abordado o tema em entrevistas à imprensa. Na noite de segunda-feira, dia 5, em entrevista à NBC News, Trump negou que os Estados Unidos estejam em guerra com a Venezuela.
“Não, não estamos”, afirmou. Segundo ele, o conflito não é com o país, mas com o narcotráfico. Trump declarou que os EUA estariam em guerra contra quem vende drogas e contra governos que, segundo ele, esvaziam prisões e enviam criminosos, dependentes químicos e pessoas com transtornos psiquiátricos para o território americano.
Questionado sobre os próximos passos políticos após a captura de Maduro, Trump descartou a realização de eleições venezuelanas em um prazo de 30 dias. De acordo com o presidente, antes seria necessário “consertar o país”, afirmando que não haveria condições mínimas para a realização de uma votação no curto prazo.
Trump também apresentou o grupo de autoridades americanas que irá supervisionar o envolvimento dos Estados Unidos na Venezuela. Ele citou o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário de Defesa Pete Hegseth, o vice-chefe de gabinete da Casa Branca Stephen Miller e o vice-presidente JD Vance. Ao ser questionado sobre quem teria a palavra final nas decisões, Trump respondeu que o comando seria dele próprio.
Governo venezuelano tenta mostrar continuidade do poder
Enquanto isso, autoridades alinhadas ao governo venezuelano buscam transmitir a mensagem de que o país segue sendo administrado de forma independente e não estaria sob controle dos Estados Unidos. Parlamentares ligados ao partido governista, incluindo o filho de Maduro, reuniram-se em Caracas para dar sequência à cerimônia de posse da Assembleia Nacional para um mandato que se estende até 2031.
Na sessão, foi reeleito o presidente da Assembleia, irmão da vice-presidente Delcy Rodríguez, e os discursos se concentraram na condenação da captura de Maduro pelas forças americanas.
Durante o evento no Palácio Legislativo, Nicolás Maduro Guerra, conhecido como “Nicolasito”, afirmou que a normalização do sequestro de um chefe de Estado colocaria todos os países em risco. Segundo ele, a situação não seria apenas um problema regional, mas uma ameaça direta à estabilidade política global. Maduro Guerra exigiu a devolução de seu pai e de sua madrasta, Cilia Flores, ao país e pediu apoio da comunidade internacional.
Ele também denunciou ter sido citado como co-conspirador na acusação federal apresentada nos Estados Unidos contra Maduro e Cilia Flores.
Maduro e Cilia Flores passam por audiência nos EUA
Nicolás Maduro fez sua primeira aparição em um tribunal dos Estados Unidos na segunda-feira, dia 5, quando respondeu às acusações de narcoterrorismo utilizadas pela administração Trump para justificar sua captura e transferência para Nova York.
Durante a audiência, o ex-presidente venezuelano declarou-se inocente das acusações federais de tráfico de drogas, afirmando ser um “homem decente” ao negar envolvimento com os crimes apontados pelo governo americano.
Visão Bolso do Investidor
As declarações de Donald Trump e a resposta do governo venezuelano evidenciam a escalada retórica e institucional após a operação na Venezuela. Movimentos dessa natureza tendem a ampliar a incerteza geopolítica, com potenciais reflexos sobre mercados financeiros, fluxos de capital e ativos sensíveis a risco político. Para investidores, o acompanhamento das decisões políticas, da condução diplomática e dos desdobramentos judiciais é fundamental para avaliar impactos sobre a estabilidade regional, o preço de commodities e a percepção de risco em economias emergentes.
Fontes:
- InfoMoney
- Estadão Conteúdo
