Ataques de 8 de janeiro já geraram mais de R$ 20 milhões em prejuízos aos cofres públicos

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 8 de janeiro de 2026

Três anos após a invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, os atos ocorridos em 8 de janeiro de 2023 já deixaram um prejuízo superior a R$ 20 milhões aos cofres públicos. O valor ainda é parcial e pode aumentar à medida que novas avaliações técnicas sobre bens históricos e culturais sejam concluídas.

O levantamento reúne dados do Supremo Tribunal Federal, do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto, principais alvos da invasão realizada por manifestantes que romperam barreiras de segurança uma semana após a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na ocasião, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro destruíram plenários, vandalizaram obras de arte, furtaram equipamentos e atacaram símbolos institucionais da República. Parlamentares e ministros precisaram ser retirados às pressas, enquanto forças de segurança foram acionadas para retomar o controle da Esplanada dos Ministérios.

Supremo concentra o maior prejuízo

O maior impacto financeiro recaiu sobre o STF, onde os danos já somam cerca de R$ 12 milhões, entre valores executados e estimativas futuras. A destruição ou dano irreversível de 951 itens gerou um impacto direto de R$ 8,6 milhões. Entre os bens afetados estão fotografias de Sebastião Salgado, câmeras da TV Justiça, equipamentos de informática, mobiliário e sistemas de segurança.

A reconstrução do plenário da Corte exigiu obras estimadas em R$ 3,4 milhões, incluindo a substituição de carpetes tombados pelo Iphan, cortinas, cadeiras, painéis e sistemas elétricos. Pelo menos 106 peças históricas do acervo foram consideradas irrecuperáveis. Parte dos danos foi preservada pelo Supremo como registro histórico permanente do episódio.

Congresso também teve acervo histórico danificado

No Congresso Nacional, os prejuízos somados da Câmara dos Deputados e do Senado Federal alcançam cerca de R$ 4,9 milhões. Na Câmara, os gastos já contabilizados chegam a R$ 2,7 milhões, envolvendo manutenção predial, restauração de obras de arte e reposição de cerca de 400 computadores destruídos.

O Senado Federal estima perdas em torno de R$ 1,3 milhão, com destaque para a restauração de uma pintura histórica do século 19, avaliada em R$ 800 mil, e de uma tapeçaria de Burle Marx, cujo reparo deve custar R$ 250 mil. Mobiliário histórico também precisou passar por processos minuciosos de recomposição.

Danos ao Planalto e bens simbólicos

No Palácio do Planalto, os prejuízos totais somam aproximadamente R$ 4,3 milhões, incluindo danos estruturais e ao acervo cultural. Ao menos 24 obras de arte foram avariadas, com valores estimados em R$ 3,5 milhões. Entre os casos mais emblemáticos está o relógio francês do século 18, trazido ao Brasil por dom João VI, cuja restauração ainda não teve valor financeiro estimado devido à sua relevância histórica.

Também foram registrados furtos de 149 itens, além da reposição de vidraçarias quebradas, avaliada em cerca de R$ 204 mil.

Responsabilização e reparação

Três anos depois, parte dos danos ainda segue sob análise técnica, o que indica que o prejuízo total pode crescer. Paralelamente, houve uma resposta institucional ampla: a Procuradoria-Geral da República denunciou mais de 1.300 envolvidos, com a maioria das denúncias já aceita pelo STF.

A Advocacia-Geral da União move ações judiciais para tentar recuperar os valores gastos, buscando responsabilizar não apenas os executores, mas também financiadores dos atos.

Visão Bolso do Investidor

Além do impacto político e institucional, o 8 de janeiro revelou um custo econômico relevante, pago diretamente pelo contribuinte. O episódio reforça a importância da preservação do patrimônio público, da responsabilização financeira dos envolvidos e da estabilidade institucional como elementos essenciais para a confiança do país, inclusive sob a ótica fiscal e de longo prazo.

Fontes: InfoMoney