Inflação nos EUA pode ganhar fôlego após dados distorcidos de novembro

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 12 de janeiro de 2026

A inflação nos Estados Unidos deve apresentar leve aceleração no fim de 2025, após um relatório de novembro considerado atípico por economistas. A expectativa é de que o núcleo do índice de preços ao consumidor (CPI), que exclui alimentos e energia, avance para 2,7% em dezembro, ante 2,6% no mês anterior, ainda assim, próximo das mínimas desde 2021.

Na comparação mensal, analistas projetam alta de 0,3% tanto para o índice cheio quanto para o núcleo. O dado de novembro foi impactado pela dificuldade do governo em coletar preços em outubro, em meio à paralisação federal, além de premissas que mantiveram artificialmente estáveis os índices de aluguel.

Segundo economistas da Bloomberg Economics, o número de dezembro tende a corrigir parte dessa distorção, sem indicar necessariamente uma retomada estrutural da inflação. Para a equipe liderada por Anna Wong, o relatório anterior exagerou a desaceleração em cerca de 20 pontos-base, o que deve ser parcialmente revertido agora.

O cenário reforça a expectativa de manutenção dos juros no curto prazo pelo Federal Reserve. A combinação de inflação ainda moderada e sinais de estabilização do mercado de trabalho reduz a pressão por cortes imediatos na taxa básica. Apesar disso, o consumo segue resiliente. Dados de vendas no varejo devem mostrar novo avanço em novembro, indicando que a demanda continua sustentando a atividade econômica, mesmo em um ambiente de política monetária restritiva.

Visão Bolso do Investidor

Uma leitura mais forte do CPI em dezembro tende a ser interpretada com cautela pelo mercado. Mais do que um novo ciclo inflacionário, o movimento parece refletir ajustes estatísticos após um mês atípico. Para investidores, o foco permanece na trajetória de médio prazo da inflação e no ritmo, ainda gradual, de flexibilização monetária nos EUA.

Fontes: InfoMoney