Fundos DI e de renda fixa surpreenderam em 2025: veja quais renderam mais e o peso das taxas

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 14 de janeiro de 2026

Durante muito tempo, os fundos de renda fixa de curto prazo — conhecidos como fundos DI, Simples ou de Duração Baixa — foram vistos apenas como instrumentos de liquidez, frequentemente associados a rendimentos inferiores ao CDI. Em 2025, porém, esse cenário começou a mudar.

Com uma combinação de juros elevados, maior diversificação em crédito privado e redução das taxas de administração, parte relevante desses fundos conseguiu entregar retornos competitivos — e, em alguns casos, até superiores ao CDI, que fechou o ano em 14,20%.

Rentabilidade acima do CDI não foi exceção

Levantamento do InfoMoney, com dados da Economática, analisou os 25 fundos de renda fixa com maior número de cotistas no mercado brasileiro. O resultado mostrou fundos com ganhos acima de 15% em 2025, desempenho expressivo para produtos voltados à alocação de curto prazo.

Esse avanço foi impulsionado principalmente por duas estratégias:

  • uso moderado de papéis de crédito privado, como debêntures e certificados de recebíveis;
  • cobrança de taxas de administração significativamente menores, em alguns casos próximas de zero.

Onde o investidor perdeu rendimento

Ao mesmo tempo, a análise evidencia um problema recorrente no varejo bancário: fundos com taxas elevadas continuaram entregando resultados bem abaixo do CDI. Produtos com custos próximos de 1,5% a 2% ao ano terminaram 2025 com retornos inferiores a 12%, o que representa perda real de rentabilidade frente a alternativas simples e seguras.

Esse descompasso reforça a importância de o investidor avaliar não apenas a rentabilidade bruta, mas também o impacto direto das taxas no resultado final.

Os fundos mais populares e seus retornos em 2025

Entre os fundos com maior número de cotistas, destacaram-se:

Nu Reserva Imediata (Nu Asset) – 14,46% de retorno, taxa de 0,30%

Trend Inb RF Simples (XP Allocation) – 14,38%, taxa de 0,20%

Mercado Pago Nikos Segurança – 14,40%, taxa de 0,50%

Itaú Privilège DI – 14,34%, taxa de 0,27%

Bradesco DI Max – 14,46%, taxa de 0,25%

Mapfre Confianza DI – 15,04%, taxa de 0,35%

Inter Conservador Plus – 15,03%, taxa de 0,80%

Por outro lado, fundos como Caixa Fácil, BB RF Simples Ágil e Bradesco Cic Simples Automático, com taxas acima de 1,5% ao ano, ficaram abaixo de 12% de retorno, apesar do cenário favorável de juros.

Bancões x plataformas digitais

Outro ponto que chamou atenção foi o bom desempenho de fundos ligados a plataformas digitais e instituições fora do núcleo tradicional dos grandes bancos. Produtos do Nubank, XP, Mercado Pago e Inter reuniram centenas de milhares de cotistas e entregaram rentabilidade próxima — ou superior — ao CDI, com custos reduzidos.

Nos grandes bancos de varejo, ainda predominam fundos com taxas mais altas, especialmente aqueles com aplicação mínima baixa ou benefícios acessórios, como programas de sorteio e campanhas promocionais.

Fluxo de recursos e tendência para 2026

Apesar do bom desempenho em 2025, os fundos de curto prazo registraram saída líquida relevante de recursos ao longo do ano. Os fundos de Duração Baixa com grau de investimento tiveram resgates líquidos de aproximadamente R$ 79 bilhões, reflexo da estratégia dos investidores de alongar prazos para travar juros mais elevados antes do início do ciclo de queda da Selic.

Ainda assim, esses fundos continuam desempenhando papel importante para recursos de curto prazo, reservas de oportunidade e alocações que exigem liquidez imediata.

Visão Bolso do Investidor

O desempenho dos fundos DI em 2025 deixa uma lição clara: taxa importa — e muito. Em um ambiente de juros altos, fundos simples conseguem entregar retornos competitivos desde que o custo seja controlado. Produtos com taxas elevadas acabam transferindo parte relevante do rendimento para a instituição financeira, não para o cotista.

Para o investidor, fundos DI continuam sendo ferramentas úteis para liquidez e caixa, mas devem ser escolhidos com critério. Alternativas como fundos de baixo custo ou o Tesouro Selic seguem cumprindo bem esse papel, sem abrir mão de segurança. O erro mais comum não é investir em fundos DI, e sim permanecer em produtos caros por inércia.


Fontes:

  • InfoMoney