BBAS3, BBDC4 e ITUB4: o que esperar dos bancos em 2026 com Selic em queda e eleições no radar

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 14 de janeiro de 2026

O setor bancário brasileiro inicia 2026 sob um cenário estruturalmente mais favorável, mas com maior sensibilidade ao ambiente político e macroeconômico. A expectativa de queda gradual da Selic ao longo do ano, combinada com um mercado de trabalho ainda resiliente e o avanço do crédito consignado privado, sustenta uma visão construtiva para os grandes bancos. Por outro lado, as eleições presidenciais adicionam volatilidade e exigem maior seletividade dos investidores.

Instituições como Banco do Brasil, Bradesco e Itaú Unibanco entram no ano após desempenhos bastante distintos em 2025, o que ajuda a explicar leituras diferentes do mercado para cada papel.

O pano de fundo macro aponta para crescimento moderado do crédito, melhora gradual no custo de funding com a queda dos juros e qualidade de ativos relativamente controlada, ainda que alguns segmentos sigam exigindo atenção. Nesse contexto, o desempenho das ações tende a refletir não apenas fundamentos, mas também posicionamento eleitoral, percepção de risco fiscal e fluxo estrangeiro.

No caso do Banco do Brasil (BBAS3), o mercado mantém uma postura mais cautelosa. O banco segue altamente rentável, mas a maior exposição a políticas públicas e ao ciclo eleitoral gera incertezas adicionais. Em um cenário de Selic mais baixa, margens podem sofrer pressão, o que reforça a visão de desempenho mais lateralizado ao longo de 2026.

O Bradesco (BBDC4) entra no ano após forte valorização e passa por um período de acomodação. A leitura predominante é de normalização de resultados, com ganhos mais dependentes da eficiência operacional e da retomada gradual da rentabilidade em crédito. A ação tende a acompanhar o ciclo macro, sem grandes assimetrias no curto prazo.

Já o Itaú (ITUB4) segue sendo visto como o banco mais defensivo do setor. A combinação de governança sólida, diversificação de receitas e gestão conservadora de risco coloca o papel como favorito em cenários de incerteza. Mesmo após altas expressivas, o mercado ainda enxerga o Itaú como uma âncora de qualidade para 2026, especialmente se a queda da Selic se confirmar sem deterioração fiscal relevante.

Visão Bolso do Investidor

Para 2026, os bancos devem continuar como peça central da Bolsa brasileira, mas com retornos mais seletivos do que em 2025. A queda dos juros tende a favorecer o setor no médio prazo, enquanto o calendário eleitoral pode gerar oscilações relevantes. Entre os grandes bancos, qualidade, previsibilidade e gestão de risco devem pesar mais do que crescimento acelerado.

Fontes: InfoMoney; Bolso do Investidor