Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 16 de janeiro de 2026

A liquidação do Banco Master deve provocar mudanças relevantes tanto na estrutura do sistema financeiro brasileiro quanto na forma como investidores avaliam risco e retorno, segundo especialistas do mercado. O episódio reacendeu discussões sobre o papel do Fundo Garantidor de Crédito e evidenciou a baixa atenção de parte dos investidores à qualidade de crédito dos emissores.
Para João Arthur, CIO da Suno Wealth, a principal consequência do caso é um fortalecimento do sistema como um todo. Segundo ele, o investidor tende a sair mais consciente de que CDBs emitidos por bancos médios carregam riscos adicionais e que rentabilidades acima do CDI não são oferecidas sem contrapartidas.
“O investidor tem a garantia do FGC, mas pode ficar meses sem acesso ao dinheiro e sem rendimento durante o processo de liquidação”, afirma.
Retorno maior, risco maior — inclusive emocional
Arthur destaca ainda o que chama de “retorno sobre a dor de cabeça”: o custo não financeiro de acompanhar uma liquidação, realizar cadastros, lidar com incertezas e esperar pela restituição dos valores. Para ele, o episódio reforça uma regra clássica dos investimentos.
“Mais retorno traz mais risco. Essa é uma lição antiga, que já aprendemos em outros momentos da história, quando quebras bancárias frequentes levaram ao surgimento do FGC e ao fortalecimento do Banco Central”, diz.
Na avaliação do executivo, o próprio FGC deve passar por reformas após o caso. Ele não descarta mudanças no limite atual de garantia, de R$ 250 mil por CPF, nem alterações nas regras de contribuição das instituições financeiras.
“Fomos de um extremo ao outro. O FGC se tornou tão robusto que permitiu que o Master se aproveitasse do sistema para crescer apoiado nessa garantia. Agora, a tendência é reformar o modelo para torná-lo mais equilibrado e resistente”, avalia.
Pressão dos grandes bancos e menor tolerância a excessos
Arthur lembra que, no fim do processo, quem absorve a maior parte do custo da liquidação são os grandes bancos, principais financiadores do fundo garantidor. Segundo ele, isso gera insatisfação no setor e aumenta a pressão por mudanças estruturais.
“Os grandes bancos contribuem com percentuais relevantes de seus depósitos e estão insatisfeitos com o desfecho do caso. Isso deve levar a uma pressão forte por reformas, reduzindo a chance de episódios semelhantes no futuro”, afirma.
Lições para o investidor pessoa física
Patrícia Palomo, planejadora financeira certificada CFP pela Planejar, avalia que o caso Master deixa aprendizados que vão além de um banco específico e atingem o comportamento do investidor brasileiro de forma ampla.
Para ela, a principal lição é compreender que rentabilidade elevada sempre vem acompanhada de risco, mesmo quando há mecanismos de proteção. Outro ponto fundamental é não confiar cegamente em selos, discursos comerciais ou garantias isoladas, sem entender o produto em profundidade.
“Esse episódio reforça que diversificação, clareza de objetivos e compreensão real dos investimentos são tão importantes quanto qualquer garantia formal”, afirma.
Visão Bolso do Investidor
O caso Banco Master expõe um ponto essencial da educação financeira: as garantias reduzem riscos, mas não os eliminam, especialmente riscos de liquidez, tempo e incerteza. Para o investidor, o episódio reforça a importância de avaliar emissor, prazo, concentração e objetivos antes de buscar retornos acima da média. Já para o sistema financeiro, a discussão sobre o papel e os limites do FGC tende a ganhar força, buscando um equilíbrio entre proteção ao investidor e incentivos corretos à gestão de risco. No fim, crises bem absorvidas costumam deixar sistemas mais fortes e investidores mais atentos.
Fontes:
- InfoMoney
