Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 19 de janeiro de 2026

O JPMorgan decidiu reduzir sua recomendação para moedas de mercados emergentes, passando de overweight (posição acima da média, equivalente à compra) para market weight (posição neutra). A mudança ocorre após um período prolongado de valorização dessas moedas frente ao dólar, que, segundo o banco, levou a um nível elevado de posicionamento e a um sentimento excessivamente otimista no curto prazo.
De acordo com o relatório, o ajuste tem caráter estritamente tático e não representa uma revisão da visão estruturalmente positiva do banco para o conjunto de moedas emergentes no médio prazo. A instituição destaca que o cenário macroeconômico global segue favorável, mas avalia que o acúmulo expressivo de posições nos últimos meses torna prudente uma realização parcial de lucros.
O JPMorgan mantinha recomendação overweight para moedas emergentes desde junho de 2025, tendo reforçado a posição a partir de julho, acompanhando o rali consistente observado no segmento. Com o avanço do fluxo comprador e a concentração de posições, o banco afirma que iniciou um processo gradual de redução de risco, primeiro ajustando exposições regionais e, agora, adotando uma postura neutra para o conjunto das divisas emergentes.
No caso do Brasil, o relatório ressalta que o real já havia passado por um movimento de redução de risco ainda em dezembro. Naquele período, os ativos locais foram fortemente reprecificados após o anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, episódio que ficou conhecido no mercado como “Flávio Day”.
Atualmente, o JPMorgan mantém recomendação neutra para a moeda brasileira, ao mesmo tempo em que segue overweight em juros locais. Segundo o banco, o real já havia absorvido parte relevante do ajuste antes do movimento mais amplo de revisão observado em outras moedas emergentes, o que explica a ausência de novos cortes específicos neste momento. A estratégia preferencial para exposição cambial ao Brasil, de acordo com a instituição, segue sendo por meio de estruturas com opções.
Na América Latina, o banco reduziu pela metade suas posições overweight no peso mexicano e no peso chileno, além de realizar lucros em posições vendidas no dólar contra o peso chileno. Apesar desses ajustes, a região continua classificada como overweight no portfólio do banco, embora com menor intensidade do que anteriormente.
Entre outros desdobramentos regionais, o JPMorgan reduziu a exposição ao rand sul-africano, passando a recomendação para neutra, após já ter diminuído risco em moedas da Europa Central e Oriental. Na Ásia emergente, o banco também cortou o tamanho das posições compradas no ringgit da Malásia e no baht da Tailândia em seu portfólio modelo.
Ainda assim, a instituição mantém exposições consideradas mais defensivas na região, por meio de estratégias relativas, além de posições otimistas no yuan chinês, que seguem alinhadas à visão estrutural de médio prazo do banco para a China.
Visão Bolso do Investidor
O movimento do JPMorgan reforça um ponto recorrente nos ciclos de mercado: mesmo quando o pano de fundo estrutural permanece positivo, ralis prolongados tendem a gerar excessos de posicionamento que pedem ajustes táticos. Para o investidor, a mensagem não é de reversão de tendência, mas de maior seletividade e gestão de risco no curto prazo. Em moedas emergentes, o diferencial entre visão estrutural e timing tático costuma ser decisivo para preservar ganhos e evitar exposição excessiva em momentos de otimismo esticado.
Fontes:
- InfoMoney
