Mercado de capitais alcança patamar histórico e capta R$ 838,8 bilhões em 2025

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 23 de janeiro de 2026

O ano de 2025 marcou um ponto de consolidação para o mercado de capitais brasileiro como uma das principais fontes de financiamento da economia. Segundo dados divulgados pela Anbima, o volume total de ofertas atingiu R$ 838,8 bilhões, o maior valor desde o início da série histórica em 2012.

O montante representa um crescimento de 6,43% em relação a 2024, quando o mercado movimentou R$ 788,1 bilhões. O resultado superou as expectativas iniciais dos próprios participantes do setor, especialmente considerando o ambiente de juros elevados que predominou ao longo do ano.

De acordo com Cesar Mindof, diretor da Anbima, o desempenho surpreendeu positivamente. Segundo ele, no início de 2025 o crescimento era visto como um desafio relevante, sobretudo após um ano já considerado excepcional. Ainda assim, o mercado conseguiu sustentar o nível elevado de atividade e fechar o ano acima do recorde anterior.

Renda fixa mantém protagonismo

Assim como em anos anteriores, a renda fixa foi o principal motor do mercado de capitais em 2025. Em um cenário de taxas de juros ainda elevadas, empresas optaram por acessar o mercado local como alternativa ao crédito bancário tradicional.

As debêntures lideraram as captações, somando R$ 492,9 bilhões ao longo do ano, um crescimento de 4% em relação a 2024. Já as notas comerciais registraram novo recorde, com avanço de 18,9% e volume total de R$ 51,8 bilhões.

Outro destaque foram os instrumentos de securitização. Segundo Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima, esses títulos se consolidaram como uma porta de entrada relevante para empresas no mercado de capitais. Em 2025, cerca de sete em cada dez ofertas de renda fixa envolveram instrumentos como FIDCs, CRIs, CRAs e debêntures de securitização.

O volume captado por esses papéis cresceu de R$ 220,5 bilhões em 2024 para R$ 241,8 bilhões em 2025. Dentro desse grupo, os FIDCs voltaram a se destacar, com captação recorde de R$ 90,8 bilhões. Os fundos de recebíveis também lideraram em número de operações, com 1.098 ofertas realizadas ao longo do ano, o equivalente a 42% de todas as emissões de renda fixa.

Fundos imobiliários ganham força

Os fundos imobiliários foram outro ponto positivo do ano. Em 2025, o volume de ofertas de FIIs cresceu 77,2% em relação ao ano anterior, passando de R$ 44,7 bilhões para R$ 79,2 bilhões.

Segundo Maranhão, esse movimento foi impulsionado pela antecipação do mercado à expectativa de queda da taxa Selic em 2026, o que aumentou o apetite dos investidores por ativos sensíveis a juros.

O interesse das pessoas físicas foi particularmente relevante. Dos R$ 81 bilhões investidos por esse público no mercado de capitais em 2025, 27,6% foram direcionados aos fundos imobiliários. Na sequência aparecem CRAs (26,7%), CRIs (19,3%), debêntures incentivadas (12,3%) e FIDCs (6,7%).

Mercado secundário e captação externa reforçam maturidade

A liquidez do mercado secundário foi apontada pelos executivos da Anbima como um dos principais sinais de saúde do sistema. Em 2025, o volume negociado no mercado secundário de debêntures alcançou R$ 947,4 bilhões, praticamente o dobro do volume emitido no mercado primário, que somou R$ 492,9 bilhões.

Esse nível de negociação, segundo Maranhão, cria um ambiente mais favorável para novas emissões, ao oferecer maior liquidez e previsibilidade para investidores e emissores.

Outro dado relevante foi a retomada do acesso das empresas brasileiras ao mercado externo. A captação de renda fixa no exterior atingiu US$ 31,6 bilhões, o maior volume desde 2014, sinalizando uma reabertura da janela internacional para companhias nacionais.

Renda variável segue travada, mas cenário para 2026 é mais favorável

Enquanto a renda fixa apresentou forte desempenho, a renda variável continuou com atividade limitada. 2025 marcou o quarto ano consecutivo sem a realização de IPOs na Bolsa brasileira. Além disso, o volume captado em operações de follow-on caiu de R$ 25 bilhões em 2024 para R$ 15,5 bilhões no ano passado.

Apesar disso, a expectativa para 2026 é mais construtiva. Cesar Mindof avalia que a combinação de juros em trajetória de queda, mercado externo aquecido e melhora recente da Bolsa local pode reabrir a janela para novas ofertas de ações.

Segundo o executivo, o ambiente começa a se mostrar mais favorável para a retomada do mercado de equities, com potencial para uma nova rodada de IPOs, caso as condições macroeconômicas se confirmem ao longo do ano.


Visão Bolso do Investidor

Os números de 2025 reforçam um ponto central: o mercado de capitais brasileiro atingiu um novo nível de maturidade. Mesmo em um ambiente de juros elevados, empresas conseguiram acessar financiamento em larga escala, com diversificação de instrumentos e participação crescente do investidor pessoa física.

O protagonismo da renda fixa não deve ser visto apenas como reflexo do patamar da Selic, mas como sinal de um mercado mais profundo, líquido e funcional. A força do mercado secundário e a retomada da captação externa indicam que o Brasil voltou a ocupar espaço relevante no radar global de investidores.

Para 2026, a grande variável será a renda variável. Se a queda dos juros se confirmar e o cenário externo permanecer favorável, a reabertura da janela de IPOs pode marcar uma nova fase do ciclo, ampliando ainda mais o papel do mercado de capitais no financiamento da economia e na formação de poupança de longo prazo.


Fontes:

  • InfoMoney