Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 23 de janeiro de 2026

Os principais bancos brasileiros terão de suportar custos adicionais de recomposição do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em decorrência dos pagamentos que o mecanismo está realizando após as liquidações extrajudiciais do Banco Master e da Will Financeira (Will Bank). Estimativas da agência de classificação de risco Moody’s apontam que, com os desembolsos do fundo acima do nível considerado prudencial, o déficit em relação ao índice mínimo de cobertura pode chegar a cerca de R$ 55 bilhões, implicando na necessidade de aporte extraordinário por parte das instituições associadas ao FGC.
Esse cenário decorre do papel do FGC como mecanismo de proteção aos depositantes e investidores em caso de intervenção ou liquidação de instituições financeiras. Criado em 1995, o fundo garante pagamentos de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ para depósitos e outros créditos elegíveis, como contas à vista, poupança e CDBs, quando uma instituição é liquidada pelo Banco Central do Brasil. Após os casos recentes do Master e da Will Bank, que acionaram o mecanismo em larga escala, os recursos do FGC ficaram abaixo do nível mínimo de cobertura de 2,5% dos depósitos segurados, exigindo que bancos participantes façam contribuições adicionais para restaurar a liquidez do fundo.
Entre as medidas que podem ser adotadas para recompor o fundo estão a utilização de mecanismos previstos no regulamento do FGC, como antecipação de contribuições futuras ordinárias, sobretaxas temporárias sobre a contribuição corrente e uma alíquota mensal de 0,01% aplicada pelos bancos sobre os depósitos segurados. A recomposição pode ocorrer de forma gradual e se estender por cerca de 60 a 90 dias, de acordo com a avaliação de representantes do setor financeiro consultados na matéria.
Os grandes bancos, incluindo Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Bradesco, Santander, Caixa Econômica Federal e BTG Pactual, concentram cerca de 75% dos depósitos elegíveis ao seguro do FGC e, por isso, deverão responder pela maior parte dos aportes extraordinários necessários. Apesar do montante elevado estimado, representantes do setor indicam que o impacto proporcional sobre as despesas das instituições pode ser diluído ao longo do tempo, não chegando a comprometer significativamente operações ou modelos de negócios.
Além da recomposição do fundo, o episódio abriu espaço para discussões sobre a metodologia de cálculo dos limites do FGC e a possível adoção de contribuições estruturais mais elevadas para aumentar a robustez do mecanismo no longo prazo. Revisões periódicas desses parâmetros são previstas nos critérios regulatórios e consideram a evolução dos depósitos segurados, o perfil de risco dos participantes e o tamanho do fundo em relação ao saldo total de garantia.
Visão Bolso do Investidor
A necessidade de aportes adicionais ao FGC após as liquidações do Master e do Will Bank ressalta o papel do fundo como uma camada de proteção ao sistema financeiro, mas também destaca que esse mecanismo não é ilimitado e depende das contribuições dos próprios bancos para manter sua solvência em eventos de estresse. Para o investidor, compreender como funciona o FGC, incluindo seus limites de garantia e a forma como é financiado pelas instituições associadas, é fundamental para avaliar o risco de aplicações em instituições menores ou em processos de reestruturação. Ao mesmo tempo, movimentos que pressionam a liquidez dos bancos participantes podem ter efeitos indiretos sobre custos de captação e rentabilidade, embora analistas consultados indiquem que a magnitude dos aportes extras tende a ser diluída ao longo do tempo e não deve representar uma ameaça sistêmica imediata ao setor.
Fontes: InfoMoney
