Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 25 de janeiro de 2026

A caderneta de poupança perdeu R$ 327,6 bilhões em saldos líquidos nos últimos cinco anos, segundo dados do Banco Central do Brasil, em um movimento consistente de saques em que os investidores brasileiros buscaram alternativas mais rentáveis dentro do universo da renda fixa. Em 2025, por exemplo, as retiradas líquidas superaram os aportes em R$ 85,5 bilhões, marcando o quinto ano consecutivo de saída líquida dessa modalidade de aplicação tradicional. Ao final de 2025, o estoque total de recursos na poupança ficou em cerca de R$ 1,02 trilhão.
O principal motivo apontado para esse movimento é a rentabilidade historicamente baixa da poupança, que ficou atrás de outros investimentos de renda fixa atrelados ao CDI e a títulos públicos, uma diferença que se ampliou principalmente em ambientes de juros elevados, nos quais produtos como Tesouro Selic, CDBs, LCIs e LCAs passaram a oferecer retornos nominais superiores com níveis de segurança semelhantes ou próximos ao da poupança.
A mobilidade do capital tem sido facilitada pela expansão de plataformas digitais e serviços de Open Finance, que tornam mais simples a comparação e a migração para aplicações mais atrativas, reduzindo a dependência histórica da poupança como “aplicação automática” de recursos. Essas alternativas também incluem produtos que oferecem isenção de imposto de renda ou liquidez diária, características que atendem a perfis conservadores sem grande exposição ao risco de mercado.
Impactos para o sistema financeiro
A saída de recursos da poupança tem efeitos que vão além do patrimônio dos investidores. Tradicionalmente, o volume de depósitos em poupança serve como fonte de funding (recursos) para operações de crédito, especialmente imobiliário e de longo prazo. Menores saldos nessa aplicação podem reduzir a capacidade de bancos e instituições financeiras de captar recursos de baixo custo, o que, ao longo do tempo, pode elevar o custo de captação e impactar a oferta de crédito para empresas e consumidores.
Além disso, embora parte dos recursos migre para aplicações de renda fixa dentro do sistema bancário, como CDBs e LCIs, que também constituem passivos para os bancos, a migração para títulos públicos ou fundos estruturados reduz a participação das instituições financeiras na intermediação desses recursos. Isso pode levar a uma reconfiguração do perfil de funding dos bancos, com maior dependência de outras fontes de liquidez ou aumento de custos para manter operações de crédito e outras atividades financeiras ligadas à captação tradicional.
Por fim, a migração pode influenciar indicadores macroeconômicos relacionados à liquidez no sistema financeiro e alterar o equilíbrio entre oferta e demanda por crédito em diversos segmentos da economia, exigindo atenção constante de reguladores e participantes do mercado para mitigar efeitos colaterais indesejados.
Visão Bolso do Investidor
A migração racional de recursos da poupança para alternativas de renda fixa com rendimentos mais elevados reflete uma maior sofisticação e consciência financeira por parte dos investidores, impulsionada pelo ambiente de juros mais altos e por ferramentas tecnológicas que facilitam comparações e transferências. Para o investidor, essa tendência reforça a importância de avaliar retornos, custos, liquidez e riscos de cada aplicação em vez de manter recursos na modalidade mais tradicional por puro hábito.
No entanto, do ponto de vista sistêmico, a redução dos saldos na poupança pode afetar a liquidez do sistema financeiro e a capacidade de bancos concederem crédito a custos competitivos. Isso torna relevante a análise do uso de depósitos de baixa volatilidade e barato como fonte de funding para atividades mais amplas da economia. Monitorar como a migração evolui, assim como seus efeitos sobre o crédito, o custo de capital e o equilíbrio entre ativos e passivos das instituições financeiras, é fundamental para entender o impacto mais amplo dessa mudança no panorama financeiro brasileiro.
Fontes: InfoMoney; Bolso do Investidor
