Bancões entram na temporada do 4T25 com Itaú em destaque e Banco do Brasil sob maior pressão

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 27 de janeiro de 2026

A temporada de divulgação de resultados do quarto trimestre de 2025 dos principais bancos brasileiros terá início no dia 4 de fevereiro, com a publicação do balanço do Santander Brasil. As expectativas do mercado indicam que a maior parte das instituições deve apresentar volumes, receitas e qualidade de crédito considerados saudáveis, em um ambiente macroeconômico que ainda sustenta projeções de crescimento de lucros em dois dígitos para o ano fiscal de 2026.

Segundo análises do Itaú BBA, o cenário para o setor permanece relativamente favorável, com crescimento moderado das carteiras de crédito, expansão da receita e níveis de inadimplência controlados. Entre os grandes bancos, a instituição demonstra maior otimismo em relação à consistência dos resultados do Bradesco neste trimestre, que pode ficar próximo do limite superior da faixa de lucro projetada.

Em contraste, o Banco do Brasil tende a apresentar o desempenho mais fraco do grupo. De acordo com o BBA, o banco estatal continua enfrentando desafios no retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), pressionado principalmente por custos de crédito persistentes, o que deve colocá-lo próximo do limite inferior das projeções de lucro para 2026.

O Goldman Sachs, por sua vez, segue destacando o Itaú como o principal nome entre os bancos brasileiros, considerando o elevado ROE e o crescimento consistente dos lucros. A instituição ressalta que, embora as tendências gerais do sistema bancário devam melhorar, o Banco do Brasil ainda enfrenta incertezas relevantes relacionadas às provisões, especialmente diante das perspectivas para o crédito rural.

De forma geral, a expectativa é de que os bancos mantenham no 4T25 um padrão semelhante ao observado no terceiro trimestre, com crescimento de empréstimos em ritmo médio a alto de um dígito, avanço da receita bruta e alíquotas efetivas de imposto ainda baixas, com exceção do Itaú. Volumes sazonalmente mais elevados em cartões de crédito e crédito corporativo devem contribuir para a expansão da receita de juros, enquanto a redução no número de dias úteis em relação ao trimestre anterior pode aliviar parcialmente as despesas financeiras.

Nesse contexto, o Itaú segue como o ponto fora da curva positivo, com ROE estimado em 23,7% no 4T25. Santander Brasil, Bradesco e, sobretudo, Banco do Brasil continuam apresentando níveis de rentabilidade inferiores, com ROEs estimados em 17,4%, 14,6% e 8,5%, respectivamente.

Analistas também destacam que a divulgação das novas projeções deve atrair forte atenção dos investidores, especialmente em relação às sinalizações sobre crescimento da margem financeira líquida (NII) em um cenário de flexibilização monetária, eficiência operacional e comportamento das provisões, com foco especial na carteira de crédito rural do Banco do Brasil.

Santander Brasil (SANB11) – divulgação em 4 de fevereiro, antes da abertura

O Bradesco BBI projeta que o Santander Brasil apresente tendências semelhantes às do trimestre anterior em termos de receita. A expectativa é de que a receita de Tesouraria permaneça pressionada, enquanto a margem com clientes se expanda, acompanhada por um crescimento anual da carteira de crédito em torno de 3%.

A qualidade dos ativos deve se manter estável, com provisões crescendo em linha com a carteira. As receitas de tarifas e as despesas operacionais tendem a ser sazonalmente mais elevadas, resultando em crescimento do lucro antes dos impostos próximo de 5% no trimestre. Ainda assim, uma alíquota efetiva de imposto mais alta deve limitar a expansão do lucro líquido, estimado em cerca de R$ 4 bilhões.

Para o Itaú BBA, o banco deve apresentar crescimento moderado da carteira de crédito, impulsionado por fatores sazonais, com expansão anual em torno de 3%, refletindo uma postura mais seletiva. As margens financeiras com clientes devem permanecer estáveis, enquanto resultados negativos da Tesouraria devem pressionar o resultado de intermediação financeira. O custo de risco tende a ficar estável, apesar de leve aumento da inadimplência, e o crescimento da receita deve ser parcialmente compensado por despesas operacionais mais elevadas.

Nesse cenário, o BBA estima lucro trimestral de aproximadamente R$ 4,1 bilhões, com ROE de 17,4%, beneficiado por uma alíquota efetiva de imposto baixa. Como o banco não divulga guidance, a projeção de lucro para 2026 foi revisada para R$ 16,9 bilhões, crescimento de 8%, refletindo margens financeiras ajustadas ao risco mais moderadas.

O Goldman Sachs também projeta lucro líquido recorrente de R$ 4,1 bilhões, com crescimento de 3% em relação ao trimestre anterior e 33% na comparação anual. O ROE deve subir para 17,4%, ante 17,2% no 3T25 e 13,8% no 4T24. A receita líquida de juros deve crescer em um dígito médio, apesar do crescimento moderado da carteira de crédito, enquanto a receita de tarifas deve avançar 6% no trimestre, impulsionada por volumes sazonais mais elevados de cartões e seguros. As despesas operacionais devem crescer abaixo da inflação na comparação anual, melhorando o índice de eficiência, embora a alíquota efetiva de imposto, estimada em 10%, deva limitar a expansão sequencial do lucro.

Itaú (ITUB4) – divulgação em 4 de fevereiro, após o fechamento

Para o Itaú, o Bradesco BBI projeta lucro líquido de R$ 12,2 bilhões, em linha com as expectativas de mercado. A instituição espera aceleração no crescimento da carteira de empréstimos em relação ao trimestre anterior, com o banco encerrando o ano na extremidade inferior de sua projeção anual, o que implicaria crescimento de 4,5% na carteira. A receita bruta deve crescer 1,4%, enquanto a margem líquida de juros pode sofrer pressão no comparativo trimestral. As receitas de tarifas devem seguir em trajetória positiva, com qualidade de ativos ainda considerada estável.

As despesas operacionais devem ser ligeiramente maiores em relação ao trimestre anterior, levando a um crescimento do lucro antes dos impostos de cerca de 3%.

O Goldman Sachs projeta expansão adicional do ROE, com mais um trimestre de crescimento dos lucros, de 1% na base trimestral e 10% na anual, impulsionado principalmente por receitas de tarifas mais fortes. A receita líquida de juros deve crescer 1% no trimestre, abaixo do avanço da carteira de crédito, em parte devido a resultados mais fracos em capital de giro. As provisões devem aumentar 3% no trimestre, mas o custo de risco tende a permanecer relativamente estável. As despesas operacionais devem se manter estáveis na comparação trimestral, favorecendo maior alavancagem operacional. Com isso, o ROE deve alcançar 23,7%, acima dos 23,3% do 3T25 e dos 22,1% do 4T24, mantendo o Itaú como o banco tradicional com maior rentabilidade entre os analisados.

Bradesco (BBDC4) – divulgação em 5 de fevereiro, após o fechamento

O Bradesco deve apresentar um trimestre mais consistente, segundo o Itaú BBA. A projeção é de lucro em torno de R$ 6,4 bilhões, com ROE de aproximadamente 15%, representando melhora sequencial com qualidade considerada adequada.

A expansão da carteira de crédito, a estabilidade das margens ajustadas ao risco e níveis controlados de inadimplência, aliados ao bom desempenho das áreas de serviços e seguros, devem compensar os investimentos contínuos em despesas administrativas. Para 2026, o guidance esperado aponta lucros entre R$ 26 bilhões e R$ 30 bilhões, com ROEs entre 15% e 17%. A projeção do BBA é mais construtiva, especialmente para seguros e margens financeiras ajustadas ao risco, resultando em uma estimativa de lucro de R$ 29,2 bilhões.

O Goldman Sachs projeta expansão da receita líquida de juros com custo de risco sob controle. A expectativa é de crescimento de 3% na receita líquida de juros no trimestre, com aumento moderado das provisões de 1%, ambos abaixo do crescimento da carteira de crédito, estimado em 4%. Isso deve levar a uma leve redução do custo de risco. No entanto, a contribuição mais fraca de seguros e maiores despesas operacionais podem compensar parcialmente esse avanço. O lucro líquido recorrente deve crescer 1% no trimestre e 16% na comparação anual, com ROE de 14,6%, levemente abaixo do trimestre anterior, mas acima do registrado um ano antes.

Banco do Brasil (BBAS3) – divulgação em 11 de fevereiro, após o fechamento

Para o Banco do Brasil, o Bradesco BBI projeta lucro líquido de R$ 4 bilhões no trimestre. A expectativa é de crescimento da receita de 3,5% em relação ao trimestre anterior, impulsionado pela expansão da carteira de crédito e das margens. As despesas com provisões devem se estabilizar, enquanto taxas e despesas operacionais devem apresentar leve alta, resultando em crescimento do lucro antes dos impostos de aproximadamente 12% no trimestre. A alíquota efetiva de imposto deve permanecer em território positivo.

O Itaú BBA avalia que o Banco do Brasil deve apresentar os números mais fracos entre os grandes bancos. A projeção é de lucro em torno de R$ 4,1 bilhões, com ROE próximo de 9%, refletindo a persistência de despesas com provisões, não apenas no crédito rural, mas também nos segmentos de pessoas físicas e pequenas e médias empresas. O guidance para 2026 deve indicar lucros entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, com ROE entre 11% e 13%, com recuperação mais concentrada na segunda metade do ano. A estimativa do BBA é de lucro de R$ 22,3 bilhões, adotando uma postura mais conservadora em relação às provisões.

O Goldman Sachs projeta provisões próximas ao limite superior do guidance do próprio banco, entre R$ 59 bilhões e R$ 62 bilhões, com crescimento de 1% no trimestre e forte avanço anual. A receita líquida de juros deve crescer de forma modesta, em linha com a expansão da carteira de crédito, enquanto a receita de tarifas também deve avançar no trimestre. O índice de eficiência tende a se deteriorar devido ao aumento das despesas operacionais, mas o lucro recorrente ainda deve crescer levemente na comparação trimestral, beneficiado por incentivos fiscais. Com isso, o ROE deve subir para 8,5%, permanecendo bem abaixo dos níveis observados no mesmo período do ano anterior.

Visão Bolso do Investidor

A temporada de balanços dos grandes bancos oferece um retrato importante sobre a saúde do sistema financeiro e os efeitos do cenário macroeconômico sobre crédito, rentabilidade e risco. Diferenças no desempenho entre as instituições refletem estratégias distintas, exposição a segmentos específicos e capacidade de controle de custos e provisões. Para o investidor, acompanhar esses resultados ajuda a entender tendências estruturais do setor bancário, a dinâmica do crédito na economia e os desafios que podem influenciar o desempenho das instituições ao longo de 2026.


Fontes:

  • InfoMoney