Vai investir em fundo de ações? Especialistas apontam critérios essenciais para uma boa escolha

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 29 de janeiro de 2026

Após meses de forte valorização do Índice Bovespa, que vem renovando recordes consecutivos, muitos investidores avaliam a possibilidade de destinar recursos a fundos de ações. No entanto, antes de tomar essa decisão, especialistas alertam que é fundamental analisar uma série de fatores para escolher um fundo alinhado ao perfil e aos objetivos do investidor.

No mercado, há fundos passivos, também conhecidos como indexados, que têm como objetivo replicar o desempenho dos principais índices de ações da B3. Esses fundos podem receber recursos por meio de aplicações diretas ou, no caso dos ETFs, pela compra de cotas negociadas em bolsa. Por adotarem uma gestão passiva, esses produtos costumam apresentar taxas de administração mais baixas.

Em contrapartida, existem os fundos de gestão ativa, que buscam superar os índices de referência ou explorar estratégias específicas. Entre eles estão fundos focados em ações de valor, que apostam em empresas consideradas subavaliadas com potencial de crescimento, fundos com exposição a mercados internacionais e até fundos alavancados, que utilizam financiamento para ampliar ganhos, assumindo riscos mais elevados.

Outro ponto relevante são as regras de resgate. Muitos fundos estabelecem prazos de carência, justamente para evitar saídas abruptas de recursos que possam comprometer a estratégia em momentos de maior volatilidade. Nesse tipo de investimento, é fundamental que o investidor esteja preparado para oscilações e períodos de desempenho mais fraco.

Clara Sodré, analista de fundos da XP Investimentos, reforça a importância de cautela e seletividade ao escolher um fundo de ações. Segundo ela, ao investir nesse tipo de produto, o investidor transfere a responsabilidade da tomada de decisão para uma gestora, que precisa contar com equipe estável, estrutura sólida e acesso consistente a pesquisas e informações de mercado.

Ela lembra que o setor de gestão de recursos em ativos de risco, como fundos de ações e multimercados, enfrentou anos desafiadores recentemente. O ambiente de juros elevados e o fraco desempenho da Bolsa provocaram resgates expressivos e reduziram o interesse dos investidores, pressionando o modelo de negócios de muitas gestoras.

Esse cenário levou a um processo intenso de consolidação no setor, com fechamento ou fusão de casas, redução de equipes e o surgimento de novas gestoras. De acordo com Clara, esse contexto torna ainda mais importante avaliar a resiliência da casa escolhida, observando se a gestora é consolidada, se mantém continuidade no time de gestão e se conseguiu atravessar períodos adversos sem rupturas significativas.

Ela reconhece que o investidor pessoa física tem dificuldade de acessar esse tipo de informação de forma aprofundada e, por isso, recomenda o apoio de especialistas. Segundo a analista, vale observar quais gestoras conseguiram manter desempenho mais resiliente, preservar suas equipes e continuam sendo bem avaliadas por analistas, sempre lembrando que rentabilidade passada não garante ganhos futuros.

Uma alternativa para quem busca essa curadoria é investir em fundos de fundos de alocação, que realizam a seleção de gestores e estratégias. Segundo Clara, essas estruturas contam com equipes dedicadas de diligência, que analisam dados muitas vezes não públicos e, a partir disso, constroem carteiras com fundos considerados de maior qualidade.

Na avaliação da analista, os fundos de ações, que atualmente representam cerca de 6% do total da indústria de fundos, tendem a voltar a atrair recursos dos investidores locais. Ela destaca que, historicamente, um fluxo mais consistente para esses produtos ocorre quando a Selic converge para patamares próximos de 9% no longo prazo, cenário que ainda não se materializou. Ainda assim, o arrefecimento do IPCA e a perspectiva de uma política monetária mais sustentável começam a funcionar como gatilhos tanto para investidores de varejo quanto institucionais, que ainda têm baixa exposição à Bolsa brasileira.

Como escolher um fundo de ações

Para Fábio Murad, economista e CEO da Super-ETF Educação, a escolha de um fundo de ações deve ser guiada por critérios objetivos, e não por marketing ou desempenho recente. Entre os principais pontos de atenção está a composição da carteira, avaliando em quais setores e empresas o fundo investe, o grau de concentração e os tipos de risco assumidos.

Também é fundamental compreender a filosofia e a estratégia do fundo, identificando se ele segue uma abordagem passiva, atrelada a um índice, ou ativa, com tentativas de superar o mercado por meio de estratégias defensivas, setoriais ou quantitativas, baseadas em algoritmos.

O histórico de desempenho deve ser analisado com cuidado, comparando a rentabilidade do fundo com seu índice de referência, especialmente em períodos mais longos. Murad ressalta a importância de verificar se o fundo conseguiu superar o benchmark de forma consistente, e não apenas em momentos pontuais.

Custos também merecem atenção. Taxas de administração e de performance precisam ser compatíveis com o valor entregue pelo fundo. Segundo Murad, fundos caros com desempenho fraco são armadilhas comuns para o investidor. Transparência e governança completam a análise, incluindo clareza nas informações, relatórios periódicos e facilidade de acompanhamento.

Para ele, o melhor fundo de ações não é necessariamente aquele que mais rendeu recentemente, mas sim o que está alinhado à estratégia, aos objetivos e ao perfil de risco do investidor.

Visão Bolso do Investidor

A escolha de um fundo de ações envolve mais do que observar a rentabilidade recente. Para investidores, entender a estratégia, os custos, a qualidade da gestão e a resiliência da gestora é essencial para atravessar ciclos de mercado com maior consistência. Em um ambiente de retomada do interesse pela renda variável, a seleção criteriosa tende a ser um diferencial importante para equilibrar risco, retorno e expectativa de longo prazo.


Fontes:

  • Infomoney