Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 29 de janeiro de 2026

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou nesta quinta-feira que atingiu, em 2025, um resultado fiscal compatível com a meta de déficit primário zero estabelecida para o ano. O cumprimento da meta ocorreu após a exclusão de R$ 48,7 bilhões em despesas que não entram no cálculo oficial do resultado fiscal.
De acordo com dados divulgados pelo Tesouro Nacional, o governo central encerrou 2025 com déficit de R$ 13,008 bilhões, equivalente a 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse resultado desconsidera gastos com precatórios, ressarcimentos a aposentados e determinadas despesas nas áreas de saúde, educação e defesa.
Com essas deduções, o resultado fiscal ficou dentro da meta de déficit primário zero, que admite uma tolerância de até 0,25 ponto percentual do PIB.
O rombo total do ano, entretanto, somou R$ 61,691 bilhões, o equivalente a 0,48% do PIB. Esse valor representa o impacto efetivo sobre a dívida pública, já que considera todas as despesas realizadas pelo governo central.
O resultado agora divulgado já havia sido antecipado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em declarações feitas duas semanas antes da publicação oficial dos números.
O déficit total do governo central, que inclui Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social, foi maior do que o registrado em 2024, quando o saldo negativo ficou em R$ 42,924 bilhões.
Os dados refletem a diferença entre receitas e despesas do governo, sem considerar o pagamento de juros da dívida pública.
Em 2025, as despesas totais do governo central cresceram 3,4% em termos reais, alcançando R$ 2,394 trilhões. Já a receita líquida, que exclui transferências obrigatórias a Estados e municípios, avançou 2,8% em termos reais em relação a 2024, totalizando R$ 2,333 trilhões.
Em entrevista à imprensa, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou que, embora os resultados ainda precisem evoluir, os déficits registrados na atual gestão são menores do que os observados em governos anteriores, que, segundo ele, tinham perfil “declaradamente fiscalista”.
Ceron afirmou que o processo de recuperação fiscal está em curso e ocorre em um contexto de crescimento econômico considerado robusto para os padrões históricos do país. Ele reconheceu, no entanto, que pode ser necessário discutir ajustes nos parâmetros do arcabouço fiscal, especialmente diante do nível elevado dos juros, que pressiona o custo da dívida pública.
Segundo o secretário, esse debate pode envolver alterações no limite de crescimento real das despesas federais, atualmente fixado em 2,5% ao ano, ou na regra que limita o aumento dos gastos a 70% do crescimento da arrecadação.
Do lado das receitas, o desempenho de 2025 foi impulsionado por uma arrecadação adicional de R$ 43,6 bilhões em Imposto de Renda, alta real de 5,2%. Houve também aumento de R$ 15,4 bilhões na arrecadação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), crescimento de 21,3% após elevação recente da alíquota, além de acréscimo de R$ 9,0 bilhões no Imposto de Importação, alta de 10,9%. As receitas provenientes da exploração de recursos naturais avançaram 11,7%, somando R$ 14,8 bilhões a mais.
Em sentido oposto, as receitas com concessões e permissões do governo recuaram 57,9%, uma queda de R$ 10,0 bilhões. Também houve redução de 34,3% nas receitas com dividendos e participações, o que representou diminuição de R$ 26,3 bilhões.
O Tesouro informou ainda que o volume de recursos empenhados, mas não utilizados pelos ministérios ao fim do ano, conhecido como empoçamento, foi de R$ 8 bilhões em 2025, abaixo dos R$ 12,5 bilhões registrados no encerramento de 2024.
No mês de dezembro, o governo central apurou superávit primário de R$ 22,107 bilhões, resultado inferior ao superávit de R$ 24,106 bilhões registrado em dezembro de 2024.
Para 2026, Rogério Ceron afirmou que a expectativa é entregar um resultado fiscal mais próximo da meta definida para o ano do que o observado em 2025. Segundo ele, o principal objetivo da política fiscal neste ano é alcançar superávit nas contas públicas.
A meta fiscal estabelecida para 2026 prevê superávit primário de 0,25% do PIB, com margem de tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB.
Visão Bolso do Investidor
O resultado fiscal de 2025 indica que o cumprimento da meta de déficit zero ocorreu por meio de ajustes contábeis previstos nas regras do arcabouço fiscal, e não por uma eliminação efetiva do desequilíbrio entre receitas e despesas. Embora o resultado oficial esteja dentro da meta após as exclusões, o déficit total do governo central permaneceu relevante e seguiu impactando a dívida pública.
Para investidores, a distinção entre o resultado fiscal apurado para fins de meta e o déficit efetivo é fundamental. O mercado tende a reagir principalmente ao volume total de gastos financiados por endividamento e ao custo dessa dívida, especialmente em um ambiente de juros elevados. Nesse contexto, o desafio fiscal permanece, e o foco se desloca para a capacidade do governo de reduzir o déficit estrutural ao longo do tempo, sem depender de ajustes extraordinários ou exclusões recorrentes no cálculo do resultado.
Fontes:
- InfoMoney
- Reuters
