Governo cumpre meta fiscal e encerra 2025 com déficit primário de R$ 10 bi

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 30 de janeiro de 2026

O governo federal anunciou nesta sexta-feira que cumpriu a meta fiscal de 2025, encerrando o ano com um déficit primário de R$ 10 bilhões, valor que ficou dentro dos limites estabelecidos pelo Congresso Nacional ao aprovar o orçamento do ano passado. O resultado representa a diferença entre as receitas e despesas do Tesouro Nacional, excluindo os gastos com juros da dívida pública, e indica um resultado fiscal relativamente equilibrado em um contexto de desafios econômicos e pressões orçamentárias.

Segundo o relatório divulgado pelo Ministério da Fazenda, as receitas correntes em 2025 foram impulsionadas pela recuperação da atividade econômica, aumento na arrecadação de tributos e desempenho positivo de setores como consumo e exportações, enquanto o controle de gastos discricionários ajudou a reduzir o ritmo de despesas não obrigatórias. Combinados, esses fatores permitiram que o governo se mantivesse dentro da meta estabelecida para o ano fiscal, mesmo com um cenário de volatilidade em alguns segmentos da economia.

O cumprimento da meta fiscal tem importância institucional, pois evita que o governo incorra em sanções previstas na legislação, que incluem responsabilização de ministros e gestores públicos em caso de descumprimento das metas de resultado primário. O teto fiscal e as metas de resultado, que limitam o crescimento das despesas à variação da inflação, também visam garantir a sustentabilidade das contas públicas ao longo do tempo, criando condições mais estáveis para o planejamento orçamentário de curto e médio prazo.

Analistas ouvidos pela imprensa destacam que, embora o déficit primário de R$ 10 bilhões seja pequeno em termos absolutos, ele ainda reflete um quadro de contas públicas apertadas, em que receitas e despesas estão muito próximas, e qualquer choque econômico, como desaceleração brusca do crescimento ou queda na arrecadação, pode pressionar novamente o resultado fiscal. Ainda assim, o cumprimento da meta é visto como um sinal de disciplina fiscal em um cenário de desafios estruturais, incluindo o envelhecimento da população e a rigidez de gastos obrigatórios, como Previdência e pessoal. 

Visão Bolso do Investidor

Manter o resultado fiscal dentro da meta definida é considerado um indicador relevante para o ambiente econômico, pois contribui para a credibilidade das contas públicas e ajuda a reduzir incertezas quanto à trajetória da dívida do setor público. Para investidores, o cumprimento da meta fiscal pode influenciar positivamente a percepção de risco soberano e a avaliação de ativos brasileiros, como títulos públicos, já que expectativas de estabilidade fiscal tendem a reduzir prêmios de risco e favorecer a confiança no mercado de renda fixa. Ao mesmo tempo, um déficit primário ainda presente, mesmo pequeno, reforça a necessidade de acompanhar as perspectivas de médio prazo para despesas obrigatórias, reformas estruturais e o equilíbrio entre receita e gasto, componentes que impactam a sustentabilidade fiscal e as expectativas econômicas para 2026.

Fontes: InfoMoney