Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 01 de fevereiro de 2026

O mercado de leilões de imóveis vive uma fase de consolidação no Brasil, impulsionado por avanços regulatórios que aumentaram a segurança jurídica das operações e pela digitalização dos processos de compra. Antes restrito a investidores profissionais, o segmento passou a atrair cada vez mais compradores interessados em adquirir imóveis para moradia própria.
Dados do setor indicam que, apenas nos três primeiros trimestres de 2025, o volume de imóveis ofertados em leilões cresceu mais de 35% em relação ao mesmo período do ano anterior. Paralelamente, o perfil do arrematante mudou de forma significativa: cerca de 70% das aquisições já são feitas por consumidores finais, segundo levantamento do Leilão Imóvel.
Essa mudança representa uma inversão do padrão histórico observado antes da pandemia, quando investidores dominavam amplamente esse tipo de operação. Hoje, o mercado passou a atrair famílias e compradores que veem no leilão uma alternativa viável para sair do aluguel ou adquirir um imóvel com desconto.
Expansão dos leilões extrajudiciais
Um dos principais vetores desse crescimento é o avanço dos leilões extrajudiciais, ligados à retomada de imóveis dados em garantia em operações de crédito. Esse modelo tende a ser mais rápido e previsível do que os leilões judiciais, que costumam depender do ritmo do Judiciário e do ciclo econômico.
Segundo especialistas do setor, os leilões extrajudiciais já representam cerca de 70% do mercado total e devem ganhar ainda mais espaço nos próximos anos, acompanhando a expansão do crédito imobiliário no país.
Marco legal reduziu riscos e ampliou previsibilidade
O pano de fundo dessa transformação está nas mudanças legais que tornaram o processo mais seguro. A lei da alienação fiduciária, em vigor desde 1997, permitiu que a retomada do imóvel em caso de inadimplência ocorra fora do Judiciário, reduzindo prazos e incertezas para bancos e compradores.
Mais recentemente, o Marco Legal das Garantias ampliou essa lógica ao permitir que um mesmo imóvel possa ser utilizado como garantia em mais de uma operação. A mudança abriu espaço para produtos como o home equity e ajudou a reduzir o custo do crédito, efeito que se reflete também nos leilões.
Com menor risco para quem concede crédito, o sistema tende a gerar imóveis com preços mais competitivos e maior transparência no processo de venda.
Digitalização amplia acesso e transparência
Outro fator decisivo foi o avanço das plataformas digitais. Antes, encontrar oportunidades em leilões exigia consultar diversos sites, varas judiciais e editais pouco acessíveis. Hoje, plataformas agregadoras reúnem milhares de imóveis, padronizam informações e reduzem a assimetria de dados.
Esse ambiente mais transparente facilitou a entrada de compradores menos especulativos e ampliou a concorrência. De acordo com dados do setor, os descontos médios chegam a 27%, com uma média superior a 11 lances por imóvel, sinal de um mercado mais disputado, especialmente em regiões valorizadas.
Mais competição exige preparo do comprador
Com o aumento da concorrência, o leilão deixou de ser um ambiente improvisado. Especialistas destacam que entender o edital, diferenciar leilões de propriedade e de direitos, e realizar diligência jurídica prévia se tornaram etapas essenciais para evitar prejuízos.
Apesar do uso crescente de tecnologia e inteligência artificial para triagem de oportunidades, a análise humana segue indispensável, principalmente em relação à matrícula do imóvel, débitos associados e prazos para posse.
Imóveis populares ganham protagonismo
Outro destaque é o papel da Caixa Econômica Federal, responsável por cerca de 70% dos imóveis ofertados em leilões, sobretudo em faixas de menor valor. Muitos desses ativos estão ligados ao programa Minha Casa Minha Vida, que oferece condições diferenciadas de financiamento, como entradas reduzidas e juros mais baixos.
Essa combinação de desconto no preço e crédito acessível transformou o leilão em uma alternativa real para quem deseja comprar o primeiro imóvel, desde que esteja disposto a esperar o tempo necessário até a posse definitiva.
Tendência para os próximos anos
Após o crescimento acelerado no pós-pandemia, impulsionado pela normalização das retomadas represadas, a expectativa do setor é de uma desaceleração gradual. Ainda assim, a avaliação é de que o mercado seguirá em expansão estrutural, sustentado por mais crédito, maior segurança jurídica e informação acessível.
Especialistas também veem potencial de expansão dos leilões para novos segmentos, como incorporadoras vendendo unidades remanescentes e até pessoas físicas que precisam de liquidez rápida para vender imóveis em regiões de alta demanda.
Visão Bolso do Investidor
O amadurecimento dos leilões de imóveis reflete uma mudança estrutural no mercado imobiliário brasileiro. O que antes era um nicho restrito a investidores experientes passou a se tornar uma alternativa legítima para o comprador final. Ainda assim, o desconto no preço não elimina riscos: tempo, custos jurídicos e análise técnica continuam sendo parte fundamental da equação. Para quem estuda, planeja e entende o processo, o leilão segue sendo um caminho de oportunidades, agora em um ambiente mais transparente e competitivo.
Fontes:
- InfoMoney
