Economia de Trump se afasta do conservadorismo tradicional e assume perfil intervencionista, avalia economista

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 2 de fevereiro de 2026

A condução econômica do segundo mandato do presidente Donald Trump tem se distanciado do discurso conservador clássico defendido durante sua campanha de reeleição, baseada em desregulamentação e cortes de impostos. Na avaliação de especialistas, o conjunto de políticas adotadas pelo governo tem se aproximado de um modelo mais intervencionista, protecionista e mercantilista, evocando práticas do início do século 20, e não de uma economia liberal orientada pelo mercado.

Essa leitura é defendida por Justin Wolfers, professor da Universidade de Michigan, que classificou a atual gestão como a menos conservadora que já presenciou. Segundo Wolfers, a interferência direta do governo em decisões do setor privado e o enfraquecimento da independência de instituições federais estão reorientando a economia americana para um caminho menos previsível e potencialmente menos produtivo no longo prazo.

O economista alerta que ações do Executivo, como pressões sobre órgãos reguladores, questionamentos a fusões empresariais e o uso do aparato estatal para influenciar políticas corporativas, têm criado um ambiente de maior incerteza. Além disso, o governo passou a assumir participações acionárias em empresas estratégicas, ampliando sua presença direta no setor privado. Em 2025, mais de US$ 10 bilhões em recursos públicos foram comprometidos nesse tipo de operação, incluindo a aquisição de uma participação relevante na fabricante de chips Intel.

Wolfers também traça paralelos entre a política econômica de Trump e o Brexit, processo que retirou o Reino Unido da União Europeia. Na comparação, ele destaca que o isolamento econômico britânico resultou em anos de crescimento fraco, menor integração comercial e redução de investimentos. Estudos recentes indicam que o PIB per capita do Reino Unido ficou entre 6% e 8% abaixo do que seria esperado sem o Brexit entre 2024 e 2025, efeito que, segundo o economista, pode se repetir nos Estados Unidos caso a trajetória atual seja mantida.

Outro ponto de preocupação citado é a relação do governo com instituições consideradas pilares da estabilidade econômica. Wolfers menciona episódios envolvendo pressões sobre o Federal Reserve, incluindo críticas públicas, ameaças de substituição de dirigentes e tentativas de enfraquecer a autonomia do banco central. Para economistas e executivos do mercado financeiro, esse tipo de postura pode comprometer a credibilidade da política monetária e aumentar a volatilidade dos mercados.

Além das tarifas comerciais e do protecionismo, especialistas apontam riscos adicionais associados a cortes no financiamento federal para pesquisa, políticas migratórias mais rígidas e maior incerteza regulatória. Estudos acadêmicos citados no debate indicam que aumentos tarifários significativos no passado estiveram associados a perdas relevantes de produtividade, sugerindo que políticas semelhantes podem ter impactos negativos duradouros sobre inovação e crescimento econômico.

Visão Bolso do Investidor

A análise sobre a economia dos Estados Unidos sob o governo Trump destaca um ponto central para investidores: previsibilidade institucional e estabilidade das regras do jogo são fatores-chave para o crescimento econômico de longo prazo. Políticas mais intervencionistas, pressões sobre instituições independentes e aumento do protecionismo tendem a elevar o risco percebido pelos mercados, afetando decisões de investimento, fluxos de capital e expectativas de crescimento. Para quem acompanha ativos globais, entender essas mudanças estruturais é essencial para avaliar riscos, oportunidades e o impacto potencial sobre mercados financeiros, inovação e competitividade da economia americana nos próximos anos.

Fontes: InfoMoney