Anos eleitorais elevam a volatilidade de estatais; veja como Petrobras e Banco do Brasil reagem

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 02 de fevereiro de 2026

O comportamento da Bolsa brasileira em anos eleitorais costuma ser marcado por maior volatilidade e mudanças relevantes de humor ao longo do calendário. Essa é a principal conclusão de um relatório de estratégia divulgado pela Ágora Investimentos, que analisou a volatilidade histórica do Ibovespa e de duas estatais frequentemente associadas ao risco político: Petrobras (PETR4) e Banco do Brasil (BBAS3).

No estudo, os estrategistas compararam seis anos eleitorais (2002, 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022) com seis anos não eleitorais (2012, 2015, 2016, 2021, 2023 e 2025). Na média, os anos eleitorais apresentaram volatilidade anual mais elevada: 23,93%, contra 20,91% nos anos fora do ciclo eleitoral, uma diferença de 3,03 pontos percentuais, ou cerca de 14,5%.

Volatilidade cresce na segunda metade do ano

Segundo a Ágora, o fator decisivo não está apenas no nível médio anual, mas na forma como a volatilidade se distribui ao longo do ano. No primeiro semestre, a diferença entre anos eleitorais e não eleitorais é praticamente nula: 22,30% contra 21,97%.

A mudança ocorre no segundo semestre. Enquanto, nos anos não eleitorais, a volatilidade média recua para 19,98%, nos anos eleitorais ela sobe para 25,54%, um aumento de 14,6% em relação ao primeiro semestre. O diferencial chega a 5,56 pontos percentuais justamente no período mais sensível do calendário político.

A análise trimestral reforça esse padrão. Em anos eleitorais, o quarto trimestre concentra os maiores níveis médios de volatilidade, com destaque para outubro (28,01%) e novembro (28,77%). Já nos anos não eleitorais, o comportamento tende a ser mais estável na segunda metade do ano, com maior volatilidade concentrada no primeiro trimestre.

De acordo com o relatório, em 2026 o foco do investidor estrangeiro em relação ao Brasil deixou de ser apenas o ciclo de juros e passou a incorporar o risco eleitoral. Embora muitos investidores já estejam posicionados no país, há cautela para ampliar exposições antes da definição do cenário político, ao mesmo tempo em que se observa disposição para comprar correções mais acentuadas ao longo do ano.

Banco do Brasil: volatilidade acima da média

No caso do Banco do Brasil, o padrão segue de perto o do Ibovespa, porém com intensidade maior. A volatilidade média em anos eleitorais foi de 40,74%, contra 36,55% nos anos não eleitorais, uma diferença de 4,19 pontos percentuais.

Assim como no índice, o primeiro semestre apresenta comportamento praticamente idêntico nos dois regimes. A diferença aparece no segundo semestre, quando a volatilidade média atinge 43,52% em anos eleitorais, frente a 35,24% nos não eleitorais, um prêmio de cerca de 8,28 pontos percentuais.

A trajetória também se altera de forma clara: em anos eleitorais, a volatilidade de BBAS3 tende a aumentar do primeiro para o segundo semestre, com alta média de 14,8%. Nos anos não eleitorais, ocorre o oposto, com queda média de 7,1%. O pico do ciclo eleitoral aparece no quarto trimestre, especialmente em outubro, quando a média mensal se aproxima de 50,8%.

Petrobras: padrão mais complexo

Para a Petrobras, a leitura exige maior cautela. No agregado, a volatilidade média foi menor em anos eleitorais (38,73%) do que em anos não eleitorais (42,38%). No entanto, segundo a Ágora, esse dado esconde a dinâmica mais relevante.

Nos anos não eleitorais, a Petrobras costuma apresentar um primeiro semestre bastante volátil, com média de 46,89%, seguido por desaceleração no segundo semestre, quando a volatilidade recua para 38,05%. Já nos anos eleitorais, o comportamento se inverte: a volatilidade começa mais baixa no primeiro semestre (33,59%) e acelera de forma significativa no segundo semestre, atingindo 43,80%, uma alta de 30,4%.

Ao observar apenas a segunda metade do ano, a volatilidade média da Petrobras em anos eleitorais supera a dos anos não eleitorais em cerca de 5,75 pontos percentuais. O pico também se concentra no quarto trimestre, com destaque para novembro, quando a média mensal se aproxima de 52%.

Visão Bolso do Investidor

Os dados mostram que o efeito eleitoral sobre o mercado brasileiro não se manifesta de forma linear ao longo do ano. Em geral, a volatilidade tende a se intensificar à medida que o calendário avança, especialmente no segundo semestre e no quarto trimestre. No caso das estatais, o impacto varia conforme o ativo: o Banco do Brasil apresenta um padrão mais diretamente associado ao ciclo político, enquanto a Petrobras combina o efeito do calendário com fatores próprios, como dinâmica de preços internacionais e decisões corporativas. Para o investidor, o principal aprendizado é que anos eleitorais costumam alterar o regime de volatilidade, exigindo maior atenção à gestão de risco e ao timing das decisões, sobretudo na reta final do ano.


Fontes:

  • InfoMoney