Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 03 de fevereiro de 2026

As ações da Walt Disney recuaram quase 5% nesta segunda-feira após a companhia alertar para a redução no número de visitantes internacionais em seus parques temáticos nos Estados Unidos, além de um desempenho mais fraco nas divisões de televisão e cinema. O movimento ocorre em um momento sensível para a empresa, que se prepara para anunciar o sucessor do atual CEO, Bob Iger, previsto para deixar o cargo até o fim do ano.
Em teleconferência com analistas, a Disney reconheceu a existência de “ventos contrários” relacionados ao fluxo de turistas estrangeiros, sem detalhar causas específicas. O diretor financeiro Hugh Johnston afirmou que a estratégia de marketing tem sido concentrada no público doméstico, já que a empresa possui “menor visibilidade” sobre a demanda internacional, em meio à queda geral das viagens de estrangeiros aos EUA.
Parques seguem como principal motor — e principal risco
Segundo analistas de mercado, a reação negativa das ações está fortemente ligada ao desempenho do negócio de parques, que representa a maior parcela dos resultados da companhia. A divisão de experiências, que engloba parques, cruzeiros e produtos de consumo, respondeu por US$ 10 bilhões em receita no trimestre de dezembro e por 72% do lucro operacional trimestral, que somou quase US$ 5 bilhões.
“O tamanho desse segmento faz com que qualquer sinal de enfraquecimento tenha impacto desproporcional sobre o preço das ações”, avaliou Ben Barringer, chefe de research de tecnologia da Quilter Cheviot.
Pressão também vem do entretenimento tradicional
A unidade de entretenimento, que inclui estúdios de cinema, canais de TV e streaming, registrou uma queda de 35% no lucro operacional, pressionada pelos elevados custos de marketing de grandes lançamentos nos cinemas, como Zootopia 2 e Avatar: Fogo e Cinzas. A Disney também deixou de divulgar separadamente a receita e o lucro operacional de seus canais de TV, sob o argumento de que esse detalhamento perdeu relevância em um ambiente de consumo cada vez mais digital e fragmentado.
Apesar disso, os serviços de streaming, Disney+, Hulu e ESPN, apresentaram melhora significativa, com alta de 72% na receita operacional, que atingiu US$ 450 milhões. A receita do segmento cresceu 13% na comparação anual, chegando a US$ 4,4 bilhões, embora a empresa não divulgue mais o número de assinantes.
Sucessão de CEO entra no radar dos investidores
Outro fator que tem pesado sobre as ações é a incerteza em torno da sucessão de Bob Iger. Executivos de Hollywood apontam Josh D’Amaro, atual chefe da divisão de experiências, como o principal favorito ao cargo.
Segundo análise de Jessica Reif Ehrlich, do Bank of America, a definição do novo CEO tende a ser bem recebida pelo mercado caso D’Amaro seja confirmado, dado o desempenho consistente da divisão sob sua liderança. “A sucessão tem sido um fator de pressão recente sobre as ações”, destacou a analista.
Turismo internacional em retração
O pano de fundo do problema vai além da Disney. Dados do World Travel & Tourism Council (WTTC) indicam que os Estados Unidos registraram uma queda de 6% no número de visitantes estrangeiros em 2025, apesar do crescimento global do turismo. Entre os fatores citados estão políticas migratórias mais restritivas e a preferência de turistas por destinos como Espanha, França e Japão.
Números do trimestre
No primeiro trimestre fiscal encerrado em 27 de dezembro, a Disney reportou receita de US$ 26 bilhões, alta de 5% e acima das expectativas do mercado. O lucro antes de impostos foi de US$ 3,7 bilhões, superando as projeções. Já o lucro ajustado por ação caiu 7% na comparação anual, para US$ 1,63, ainda assim acima do consenso.
A companhia reafirmou a projeção de crescimento de dois dígitos no lucro por ação no ano fiscal e espera gerar US$ 19 bilhões em caixa operacional, além de recomprar US$ 7 bilhões em ações.
Visão Bolso do Investidor
O resultado reforça a dependência estrutural da Disney em relação aos parques temáticos, que seguem sendo o principal gerador de caixa, e também a maior fonte de risco em cenários de desaceleração do turismo. Embora o streaming mostre sinais claros de recuperação, a combinação de queda no fluxo internacional, pressão de custos no cinema e incerteza sobre a sucessão de CEO explica a reação negativa do mercado. Para o investidor, o foco estará em dois pontos: a normalização do turismo aos EUA e a definição clara da nova liderança da companhia.
Fontes:
- Infomoney
- Reuters
