Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 04 de fevereiro de 2026

A possibilidade de uma fusão entre os fundos imobiliários KORE11 (Kinea Oportunidades) e KNRI11 (Kinea Renda Imobiliária) voltou ao radar de investidores nas últimas semanas, levantando dúvidas sobre uma eventual consolidação entre os dois veículos geridos pela Kinea.
Apesar das especulações, a gestora sinalizou que não existe espaço para qualquer movimento no curto prazo.
Segundo Carlos Martins, responsável pela gestão dos fundos, a consolidação é uma tendência natural da indústria de FIIs, principalmente com o avanço do investidor institucional, que costuma demandar maiores volumes, escala e liquidez.
“Fundos maiores facilitam a entrada de investidores institucionais, que precisam movimentar posições relevantes sem impactar os preços”, explicou o gestor.
Consolidação é tendência… mas não agora
Martins reconhece que, no futuro, operações como troca de ativos, fusões ou reciclagens parciais podem fazer sentido estratégico, desde que tragam benefícios para ambas as bases de cotistas.
No entanto, ele reforçou que qualquer iniciativa precisa preservar o equilíbrio econômico entre os fundos.
“A gente não faz nada que gere prejuízo para um lado ou para outro. Esse ponto é inegociável”, afirmou.
Desconto do KORE11 trava operação
O principal obstáculo hoje está no próprio mercado secundário.
Enquanto o KNRI11 negocia próximo ao seu valor patrimonial, o KORE11 ainda apresenta desconto relevante em relação ao valor dos imóveis.
Essa diferença de precificação dificulta uma eventual combinação, pois poderia gerar distorções no valor das cotas para os investidores de um dos lados.
“Hoje, simplesmente não há nada para fazer. No curto prazo, não vemos possibilidade de união”, destacou o gestor.
Prioridade é destravar valor
Antes de pensar em fusões, a estratégia atual da Kinea é fortalecer a percepção de valor do KORE11.
A gestora pretende:
melhorar a comunicação com o mercado;
aumentar a visibilidade do portfólio;
reduzir o desconto das cotas;
explorar vendas pontuais de ativos para reciclar capital.
Por ter um perfil mais oportunístico, o KORE11 pode vender imóveis comprados a preços atrativos no passado, realizando ganhos e realocando recursos em novas oportunidades.
“A gente adquiriu ativos com preços interessantes. Em algum momento, vender pode destravar valor e gerar retorno adicional aos cotistas”, explicou Martins.
Visão Bolso do Investidor
Movimentos de fusão entre FIIs podem aumentar liquidez, reduzir custos operacionais e atrair investidores institucionais, fatores positivos no longo prazo. Porém, quando há descontos muito diferentes entre os fundos, a união pode prejudicar parte dos cotistas. Nesse cenário, faz mais sentido primeiro ajustar a precificação no mercado secundário. Para o investidor, vale acompanhar o desconto sobre valor patrimonial (P/VP) e a estratégia de reciclagem de ativos, pois esses fatores tendem a impactar diretamente o potencial de valorização das cotas.
Fontes:
- InfoMoney
