BYD acelera produção nacional e quer 50% de conteúdo local para liderar mercado brasileiro até 2030

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 05 de fevereiro de 2026

A montadora chinesa BYD intensificou sua estratégia de nacionalização da produção no Brasil e pretende ampliar rapidamente a participação de fornecedores locais em seus veículos fabricados no país. O objetivo é alcançar 50% de conteúdo local nos carros produzidos na fábrica de Camaçari (BA) e, com isso, fortalecer a competitividade para assumir a liderança do mercado brasileiro em volume de vendas até o fim da década.

De acordo com a companhia, a meta é atingir esse patamar até o início de 2027, reduzindo gradualmente a dependência de componentes importados e consolidando uma cadeia de suprimentos doméstica.

Produção local ganha escala

A unidade de Camaçari, instalada em uma área que anteriormente pertencia à Ford, já produziu cerca de 25 mil veículos desde o início das operações. Atualmente, os automóveis ainda são montados a partir de kits semi-desmontados importados, em um modelo considerado transitório pela empresa.

A expectativa é que novas etapas produtivas, como estamparia, soldagem e pintura, entrem em operação em breve, permitindo maior integração industrial no Brasil. A primeira fase de investimentos soma cerca de R$ 5,5 bilhões, com previsão de elevar a capacidade anual da planta para 300 mil veículos. Até o fim deste ano, a produção estimada é de 150 mil unidades.

Expansão nas vendas e ambição de liderança

O crescimento da marca já aparece nos números de mercado. Em janeiro, a BYD figurou entre as cinco maiores montadoras em vendas no Brasil, com pouco mais de 6% de participação nos emplacamentos de carros e comerciais leves. Um ano antes, essa fatia era próxima de 4%.

A empresa considera o Brasil seu principal mercado fora da China e aposta na produção local como caminho para ganhar escala, reduzir custos logísticos e ampliar competitividade frente às montadoras tradicionais.

Com maior nacionalização, a companhia também pretende usar o Brasil como base de exportação para países vizinhos do Mercosul.

Empregos e cadeia de fornecedores

A operação já emprega aproximadamente 5 mil pessoas, entre funcionários diretos e trabalhadores de empresas parceiras e de construção. A promessa é gerar até 20 mil empregos diretos e indiretos ao longo do processo de expansão.

O movimento acontece em meio a críticas de parte da indústria local, que aponta forte dependência de importações nos primeiros anos. A estratégia da BYD, no entanto, é migrar progressivamente para fornecedores nacionais para tornar a produção economicamente mais viável no longo prazo.

Questões trabalhistas

A instalação da fábrica enfrentou investigações trabalhistas relacionadas à fase de construção. O caso foi encerrado após acordo com autoridades, prevendo pagamento de indenizações por parte das empreiteiras envolvidas.

Visão Bolso do Investidor

A aposta da BYD em conteúdo local sinaliza uma estratégia clássica de consolidação industrial: produzir perto do consumidor, reduzir custos e ganhar escala para disputar liderança de mercado. Se a empresa cumprir o plano de nacionalização e ampliar exportações, pode se tornar uma competidora relevante para montadoras tradicionais no Brasil. Para o setor automotivo, isso tende a elevar a concorrência, pressionar preços e acelerar investimentos em eletrificação e eficiência produtiva.


Fontes:

  • InfoMoney
  • Reuters