Mesmo com juros altos, FIIs sobem forte: três lições para investir melhor antes do próximo corte da Selic

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 06 de fevereiro de 2026

Mesmo com a Selic avançando de 12,25% para 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas, os fundos imobiliários contrariaram a lógica tradicional do mercado em 2025. Em vez de sofrerem com o custo de capital mais alto, o IFIX acumulou valorização superior a 21%, renovando máximas e consolidando uma recuperação consistente ao longo do ano.

O movimento surpreendeu parte dos investidores, já que juros elevados costumam pressionar ativos de renda. Ainda assim, o desempenho reforçou que o comportamento dos FIIs vai além do patamar nominal da taxa básica, refletindo expectativas futuras, fluxo de recursos e posicionamento dos agentes.

Para Arthur Moraes, professor e especialista em investimentos, o episódio deixou lições importantes sobre estratégia e comportamento.

Regras simples raramente explicam o mercado

A primeira conclusão é que fórmulas prontas dificilmente funcionam de forma consistente. A ideia de que “juros sobem, FIIs caem” mostrou-se simplista diante da realidade recente.

Segundo Moraes, o investidor costuma gastar energia excessiva tentando antecipar decisões do Banco Central, inflação ou ciclos macroeconômicos. No entanto, essas previsões raramente se traduzem em ganhos práticos. O mercado muda rapidamente, reprecifica expectativas e frustra quem tenta operar apenas com base em cenários.

Na prática, construir uma carteira equilibrada tende a ser mais eficiente do que buscar o momento perfeito de entrada ou saída.

Paciência vale mais do que acompanhar cada manchete

Outro ponto destacado é o excesso de intervenção. Muitos investidores montam posições com foco em renda passiva, mas passam o dia reagindo a notícias, relatórios e oscilações de curto prazo.

Para o especialista, esse comportamento gera mais ruído do que resultado. Estratégias de longo prazo exigem tempo para maturação, e mudanças constantes acabam comprometendo o desempenho.

Manter diversificação entre diferentes segmentos de FIIs e permitir que os ativos trabalhem ao longo do tempo costuma produzir resultados mais consistentes do que ajustes frequentes motivados por ansiedade ou volatilidade momentânea.

Preservar o patrimônio vem antes de buscar retorno

A terceira lição envolve risco. Moraes ressalta que muitos investidores priorizam rentabilidade antes de segurança, quando a ordem deveria ser inversa.

Segundo ele, o foco excessivo em “onde ganhar mais” frequentemente expõe o capital a perdas desnecessárias. A construção de patrimônio está muito mais relacionada à capacidade de poupar de forma contínua e proteger o que já foi acumulado do que acertar grandes apostas.

O investidor que preserva capital durante períodos turbulentos mantém condições de aproveitar oportunidades futuras, enquanto perdas relevantes podem comprometer anos de crescimento.


Visão Bolso do Investidor

O avanço do IFIX em um ambiente de juros elevados mostra que o mercado financeiro antecipa movimentos antes que eles apareçam nos indicadores oficiais. Por isso, tentar prever exatamente o próximo passo do Banco Central raramente gera vantagem competitiva.

Para quem investe em FIIs, a estratégia mais sólida continua sendo diversificação, disciplina e foco em renda recorrente. Ciclos de juros vêm e vão, mas uma carteira bem estruturada tende a atravessar essas fases com mais estabilidade e previsibilidade.


Fontes:

  • InfoMoney