Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 6 de fevereiro de 2026

O mercado de criptomoedas vive um momento de forte instabilidade, deixando investidores em dúvida sobre o melhor posicionamento: aproveitar a queda para comprar ou proteger patrimônios diante de possíveis quedas adicionais. As principais criptomoedas do ecossistema sofreram perdas acentuadas nos últimos dias, refletindo um ambiente de aversão ao risco nos mercados financeiros globais e incertezas regulatórias nos Estados Unidos.
No caso do Bitcoin, o ativo caiu abaixo de US$ 65 000 nesta quinta-feira, 5, demonstrando uma queda semanal acumulada de mais de 22 %. Segundo dados de mercado, o preço do bitcoin recuava cerca de 11,3 % no fechamento, negociado por aproximadamente US$ 65 363,65, após iniciar o dia abaixo da marca de US$ 70 000. O Ethereum, segunda maior criptomoeda em valor de mercado, acompanhou o movimento de baixa, com queda de cerca de 10,9 %, sendo cotado perto de US$ 1 924,30 no fim da sessão.
As perdas são parte de um movimento mais amplo que já reduziu o valor total do mercado cripto em cerca de US$ 2 trilhões desde o pico registrado no final de 2025. Essa retração tem sido influenciada pela queda das bolsas de Nova York, especialmente ações de tecnologia, que tradicionalmente exibem correlação com ativos digitais quando investidores reduzirem posições de risco.
O cenário atual combina vários fatores que aumentam a incerteza: além da aversão ao risco, há um dólar americano mais forte, menores níveis de liquidez em mercados cripto, e discussões regulatórias em andamento, como a chamada Lei Clarity nos Estados Unidos, que ainda não avançou no Congresso e cria dúvidas sobre o futuro da regulação de ativos digitais.
Projeções contrastantes entre analistas
Diante deste panorama, as projeções de curto e médio prazo no mercado cripto são divergentes. Algumas corretoras e instituições financeiras mais conservadoras sugerem que o ciclo de baixa pode estar longe de terminar. A corretora Stifel, por exemplo, apontou que o bitcoin poderia cair até aproximadamente US$ 38 000 a partir de seus níveis atuais caso os padrões históricos de mercados em baixa se repitam. Essa visão reflete cautela dos investidores diante de possíveis pressões adicionais em ativos de risco.
Por outro lado, há analistas que veem na recente correção uma oportunidade de compra para investidores de longo prazo. Sob esse ponto de vista, quedas acentuadas em criptomoedas podem representar “descontos” temporários em ativos com fundamentos de rede sólidos, especialmente em ciclos em que fluxos institucionais ainda retornam gradualmente ao mercado digital. Segundo essa linha, a estabilização pode ocorrer à medida que sinais econômicos mais claros sobre juros, crescimento global e avanços regulatórios surgirem.
Para os defensores dessa perspectiva, regiões de suporte importantes, como as faixas de preço próximas a US$ 60 000 para o bitcoin e a casa dos US$ 1 800 para o ethereum, podem oferecer pontos de entrada para investidores que acreditam na recuperação de longo prazo da classe cripto.
Visão Bolso do Investidor
A volatilidade observada no mercado cripto reforça que esse tipo de investimento é adequado para perfis com maior tolerância ao risco e com foco de médio a longo prazo. Movimentos bruscos de preços podem gerar ruídos e testar a disciplina dos investidores.
Antes de “comprar na queda” ou liquidar posições, é essencial considerar aspectos como perfil de risco, horizonte de investimento, diversificação de carteira e a possibilidade de volatilidade prolongada. Em ciclos de alta aversão ao risco, muitos ativos tendem a cair em conjunto, e entradas precipitadas podem se transformar em prejuízos se o cenário adverso se prolongar.
Para aqueles que já investem em criptomoedas, adotar estratégias de gestão de risco, como aportes escalonados, stop-loss ou limitação de exposição, pode ajudar a equilibrar a carteira. Para novos investidores, aguardar sinais mais claros de reversão de tendência ou confirmação de suporte técnico pode ser prudente antes de entrar de forma significativa no mercado.
Fontes: Bolso do Investidor
