Ano eleitoral à frente: gestores pregam cautela, diversificação e foco em crédito para atravessar a volatilidade

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 08 de fevereiro de 2026

O calendário eleitoral voltou ao centro das preocupações do investidor brasileiro em 2026. Historicamente associado a períodos de maior volatilidade, o ambiente político tende a ampliar oscilações nos preços dos ativos e reduzir a previsibilidade de curto prazo, o que tem levado gestores profissionais a reforçar estratégias mais defensivas, disciplinadas e menos dependentes de apostas macroeconômicas.

Durante a segunda edição da Premiação Outliers InfoMoney, executivos de diferentes casas compartilharam como estão posicionando suas carteiras para atravessar o ano. A mensagem predominante foi clara: tentar antecipar o resultado das urnas ou o comportamento do mercado costuma gerar mais ruído do que retorno consistente.

Ian Cao, sócio-fundador da Gama Investimentos, avalia que o desempenho sustentável no longo prazo está muito mais ligado à qualidade da análise e à diversificação do que a previsões políticas. Segundo ele, a filosofia da gestora é evitar riscos desnecessários e concentrar esforços na seleção criteriosa de ativos, especialmente no crédito, onde a diligência pode fazer mais diferença do que qualquer cenário eleitoral.

Na visão do gestor, a tentativa de acertar movimentos macroeconômicos envolve variáveis demais para produzir vantagem competitiva real. Por isso, o foco permanece em resiliência e proteção do capital.

Esse cuidado é compartilhado por Bernardo Feijó, da Kapitalo Investimentos. Para ele, apesar de o cenário global ainda sustentar ativos de risco, o ambiente doméstico tende a permanecer instável até a definição do pleito. Com parte do ciclo de queda de juros já precificado, a gestora optou por reduzir exposições mais agressivas e manter uma postura equilibrada, com atuação tática e portfólios preparados para diferentes desfechos políticos.

César Paiva, da Real Investor, segue linha semelhante. Ele destaca que, em eleições muito polarizadas, a prudência é essencial. A estratégia passa por combinar empresas mais expostas ao mercado interno com exportadoras e ativos considerados defensivos, buscando equilíbrio entre crescimento e proteção.

No crédito privado, a disciplina ganha ainda mais importância. Aroldo Medeiros, da Artesanal Investimentos, afirma que momentos de incerteza exigem proximidade com as empresas e entendimento profundo das teses. Para ele, acompanhar de perto a origem dos ativos e a saúde financeira dos tomadores reduz surpresas negativas quando o ambiente fica mais turbulento.

Bruno Funchal, da Bradesco Asset, também reforça que assumir risco não significa abrir mão de rigor. A casa tem ampliado a exposição a renda variável e crédito estruturado, mas com forte governança e critérios claros de seleção. Ele ainda chama atenção para a necessidade de diversificação internacional, lembrando que o Brasil representa parcela pequena do mercado global de capitais, o que torna saudável diluir riscos domésticos.

Apesar do ruído político, algumas gestoras mantêm visão estruturalmente positiva para o país. Na Kinea Investimentos, a estratégia de longo prazo segue inalterada, com foco em ativos atrelados à economia real e produtos voltados à aposentadoria. Já no agronegócio, a avaliação é de que o setor apresenta menor sensibilidade ao ciclo eleitoral por sua forte vocação exportadora.

A conclusão comum entre os gestores é que eleições aumentam o barulho, mas não eliminam oportunidades. O diferencial está menos em prever resultados e mais em construir carteiras capazes de atravessar cenários distintos com consistência.


Visão Bolso do Investidor

Anos eleitorais testam o emocional do investidor. Oscilações aumentam, manchetes se multiplicam e a tentação de “adivinhar o futuro” cresce. O problema é que decisões baseadas em política de curto prazo raramente constroem patrimônio no longo prazo.

O recado dos gestores profissionais reforça uma lição clássica de educação financeira: diversificação, disciplina e proteção do capital costumam ser mais importantes do que tentar acertar o timing do mercado.

Para o investidor pessoa física, isso significa priorizar ativos de qualidade, manter reserva de segurança, evitar concentração excessiva no Brasil e pensar em horizontes mais longos. Em vez de reagir a cada notícia eleitoral, a estratégia vencedora tende a ser aquela que atravessa o ciclo com menos estresse e mais consistência.


Fontes:

  • InfoMoney