Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 9 de fevereiro de 2026

A inadimplência no rotativo do cartão de crédito atingiu o maior nível da série histórica em 2025, mesmo em um cenário de desemprego reduzido e aumento da renda média no país. Dados do Banco Central do Brasil mostram que a taxa de atraso nessa modalidade subiu de 55% em janeiro para 64,7% em dezembro, um avanço de quase 10 pontos percentuais ao longo do ano. Ao mesmo tempo, os juros médios do rotativo chegaram a 438% ao ano, tornando essa a linha de crédito mais cara do mercado.
O movimento contrasta com indicadores positivos do mercado de trabalho. Segundo o IBGE, o Brasil encerrou 2025 com taxa de desemprego de 5,6%, a menor desde 2012, enquanto a renda média real avançou 5,7%, alcançando R$ 3.560. Ainda assim, o endividamento das famílias cresceu.
Mais renda, mais crédito
Especialistas apontam que o próprio aumento da renda formal ampliou o acesso ao crédito. Com comprovação de salário e carteira assinada, bancos elevaram limites de cartão, o que estimulou o consumo. Muitas famílias passaram a usar o cartão como complemento do orçamento, assumindo compromissos maiores do que a capacidade de pagamento.
Com isso, atrasos parciais ou pagamentos mínimos se tornaram mais frequentes, empurrando consumidores para o rotativo, onde os juros compostos rapidamente elevam o valor da dívida.
Custo de vida pressionou o orçamento
Outro fator citado é a alta persistente do custo de vida. Despesas com alimentação, serviços, saúde e educação continuaram pressionando o orçamento doméstico. Mesmo com salários maiores, parte da renda adicional foi absorvida por preços mais altos, reduzindo a folga financeira das famílias. Para economistas, o ganho de renda não foi suficiente para equilibrar as contas já comprometidas por dívidas antigas, o que aumentou a dependência do crédito caro.
Emprego desigual e renda instável
A melhora no mercado de trabalho também não foi homogênea. Parte dos postos gerados envolve informalidade ou ocupações de baixa renda, o que garante estatisticamente o status de “empregado”, mas sem estabilidade financeira. Essa renda irregular leva muitas pessoas a recorrerem ao cartão para despesas básicas, aumentando o risco de inadimplência.
Além disso, o rotativo concentra as taxas mais elevadas do sistema financeiro. Enquanto essa modalidade fechou o ano com juros médios de 438%, o parcelado do cartão ficou em torno de 189%, o cheque especial em 138,6% e o crédito pessoal não consignado em 116,8%.
Dívida cresce rapidamente
Com juros tão altos, pequenas dívidas podem se transformar em grandes problemas em pouco tempo. Um débito de R$ 1.000, por exemplo, pode superar R$ 5.000 em um ano. Uma vez no rotativo, muitos consumidores não conseguem quitar o saldo integral no mês seguinte, criando um efeito “bola de neve”.
Perspectivas para 2026
Para este ano, o mercado projeta desaceleração econômica, com crescimento do PIB próximo de 1,8%. A expectativa de inflação menor e possível queda da taxa básica de juros pode aliviar parte da pressão financeira. Caso a renda real avance e os custos de crédito diminuam, a inadimplência pode estabilizar ou recuar. Ainda assim, analistas alertam que o estoque elevado de dívidas acumuladas em 2025 pode continuar pesando no orçamento das famílias, exigindo cautela no uso do crédito.
Visão Bolso do Investidor
O recorde de inadimplência mostra que renda maior não significa automaticamente saúde financeira. Para investidores e consumidores, o principal aprendizado é evitar crédito caro, especialmente o rotativo do cartão. Priorizar o pagamento integral da fatura, renegociar dívidas e construir uma reserva de emergência são medidas essenciais. Em momentos de juros elevados, preservar caixa e reduzir passivos pode gerar mais retorno do que qualquer aplicação financeira.
Fontes: InfoMoney
