Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 09 de fevereiro de 2026

O JPMorgan revisou para baixo suas estimativas para o desempenho do BBDC4 após a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025, indicando um cenário de rentabilidade mais contida para os próximos anos. O banco reduziu em 2,5% sua projeção de receita para 2026, que agora soma R$ 27,5 bilhões, refletindo principalmente o aumento das despesas operacionais, que vêm pressionando as margens do Banco Bradesco.
Com a atualização das estimativas, a expectativa é que o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) fique ao redor de 15,5% após o último trimestre reportado. Apesar disso, os analistas avaliam que o ponto central do debate não está apenas nos números de curto prazo, mas no limite estrutural de rentabilidade do banco. Para o JPMorgan, o teto do ROE no médio prazo deve girar em torno de 17%, patamar abaixo do observado em ciclos mais favoráveis do passado.
Embora as projeções ainda permaneçam ligeiramente acima da mediana do mercado e das próprias orientações oficiais do Bradesco, a instituição vê obstáculos relevantes para uma retomada mais robusta da rentabilidade. Entre eles estão os ativos fiscais diferidos, que continuam impactando negativamente os resultados, além de uma alíquota de imposto que deve demorar a se normalizar.
O banco também chama atenção para possíveis efeitos colaterais de programas de eficiência operacional previstos a partir de 2027. A redução de custos pode ajudar a preservar margens, mas existe o risco de pressionar receitas com tarifas e serviços, o que limita o potencial de crescimento orgânico.
Na comparação com o ITUB4, do Itaú Unibanco, frequentemente visto como referência de eficiência e rentabilidade no setor bancário, o JPMorgan avalia que o Bradesco dificilmente conseguirá sustentar retornos próximos de 18% a 20% no curto prazo, a menos que haja melhora expressiva no patrimônio tangível ou uma queda mais acentuada das taxas de juros no Brasil.
Ainda assim, o papel mantém alguns atrativos. A instituição destaca dividend yield estimado em 7,6% e crescimento projetado de lucro ao redor de 12% para 2026 e 2027. Mesmo com esses pontos positivos, o banco opta por manter recomendação neutra para a ação, com preço-alvo de R$ 22, preferindo exposição ao Itaú, que considera ter prêmio de valuation mais justificável.
Atualmente, as ações do Bradesco são negociadas a cerca de 1,3 vez o valor patrimonial e 7,9 vezes o lucro estimado para 2026.
Visão do Bolso do Investidor
O relatório reforça um ponto importante para quem investe em bancos: crescimento de lucro não depende apenas de crédito maior, mas principalmente de eficiência operacional e controle de custos.
Quando a rentabilidade estrutural encontra um “teto”, como o ROE de 17% apontado pelo JPMorgan, o potencial de valorização tende a ser mais limitado, especialmente se houver concorrentes com desempenho superior. Nesses casos, o mercado costuma premiar instituições mais eficientes com múltiplos maiores.
Para o investidor focado em dividendos, Bradesco ainda pode fazer sentido como gerador de renda. Já para quem busca expansão mais acelerada de valor, pode ser necessário comparar alternativas dentro do próprio setor bancário e diversificar a carteira, evitando concentração excessiva em um único ativo.
Fontes:
- InfoMoney
